Chefe e a subchefe da Urgência Geral do Amadora-Sintra demitem-se após “situação crítica”

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul revelou, esta terça-feira, que a "situação crítica" vivida nas urgências do Hospital Amadora-Sintra de sexta-feira para sábado levou à demissão da chefe e da subchefe da equipa da Urgência Geral.

©facebook.com/hospitalfernandofonseca

A informação foi divulgada esta terça-feira pelo Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), da FNAM, que aponta diretamente responsabilidades à administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra, lembrando que a estrutura diretiva se encontra demissionária desde novembro, sem substituição formal desde a saída do presidente na sequência do caso da morte de uma grávida.

No comunicado a que o Jornal de Notícias (JN) teve acesso, o SMZS sustenta que o colapso vivido na noite de sexta para sábado “não foi um acidente nem uma inevitabilidade”, mas o culminar de uma degradação progressiva do Serviço Nacional de Saúde, que atribui à falta de resposta política e à inação governativa. Para o sindicato, esta ausência de soluções “abre caminho à transferência de cuidados para o setor privado”.

A gravidade da situação levou, segundo o SMZS, à decisão da chefe e da subchefe da Urgência Geral de abandonarem funções. Nessa noite, a equipa médica disponível era, nas palavras do sindicato, “manifestamente insuficiente” face à afluência e à gravidade clínica dos casos. Até à meia-noite, a escala incluía um chefe de equipa, quatro médicos no serviço de observação e dois na área ambulatória. A partir das 0h e até às 8h, ficou apenas um médico responsável por todos os doentes da área ambulatória.

No início da noite, encontravam-se 179 doentes em circulação na urgência, mais de 60 dos quais internados no serviço de observação. Os tempos de espera atingiram níveis considerados inaceitáveis: doentes classificados como muito urgentes (pulseira laranja) esperaram mais de seis horas pela primeira observação médica, enquanto os urgentes (pulseira amarela) ultrapassaram as 20 horas de espera.

“O cenário era conhecido e previsível”, acusa o sindicato, sublinhando que se tratava de uma escala previamente definida, sem qualquer medida corretiva, apesar do pico sazonal da gripe. Para o SMZS, o episódio evidencia uma “grave incapacidade de gestão” e um desrespeito pelos profissionais e pelos utentes.

Já esta terça-feira, pelas 13h, indica o JN, os dados do portal do SNS continuavam a refletir a pressão sobre o serviço: os doentes muito urgentes aguardavam 11 horas e 47 minutos para observação médica, enquanto os urgentes esperavam 10 horas e 53 minutos.

O sindicato manifesta solidariedade com os profissionais do Amadora-Sintra e reforça que a responsabilidade não se esgota ao nível local, apontando falhas do Governo e da ministra da Saúde na criação de condições para fixar médicos no SNS. “Sem ouvir os médicos e sem responder às suas necessidades, não há milagres”, conclui.

No domingo, a ministra da Saúde reconheceu publicamente que a situação nas urgências é “muito crítica” e admitiu que não deverá haver melhorias significativas ao longo desta semana, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Últimas do País

Cerca de 170 estradas continuam hoje cortadas ao trânsito devido ao mau tempo, incluindo seis troços de autoestradas, e Coimbra é o distrito com mais vias interditas à circulação, segundo a GNR.
As autoridades detiveram cinco pessoas e apreenderam armas e 1,5 toneladas de cocaína numa operação policial em Faro, Setúbal, Aveiro e Guarda, desmantelando uma organização criminosa transnacional, foi hoje divulgada.
O Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil, ativado a 01 de fevereiro, foi hoje desativado tendo em conta o desagravamento dos cenários de risco meteorológico e hidrológico, anunciou a Proteção Civil.
A situação das cheias no rio Tejo evolui de forma lenta mas gradual no Médio Tejo e na zona da Lezíria, mantendo-se o alerta amarelo ativo e várias estradas submersas.
O sul do país tem água armazenada que dá para “dois a três anos”, com todas as barragens “literalmente cheias”, afirmou o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), admitindo que se podem bater recordes nacionais nas albufeiras.
Cerca de 4.500 clientes da E-Redes nas localidades afetadas pela depressão Kristin, que passou pelo continente em 28 de janeiro, continuavam às 07:00 de hoje sem energia elétrica, segundo a empresa.
A ASAE instaurou dois processos-crime por venda de telhas acima do valor afixado nos concelhos da Batalha (Leiria) e Coimbra, indicou ontem a autoridade, que tem realizado várias ações de fiscalização nas zonas afetadas pelas tempestadas.
Seis distritos do litoral norte e centro estão atualmente sob aviso amarelo, devido à previsão de agitação marítima, disse esta sexta-feira, 20 de fevereiro, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Pelo menos 157 escolas estiveram encerradas na sequência das tempestades que atingiram Portugal nas últimas semanas, segundo um inquérito divulgado esta quinta-feira pela Missão Escola Pública em que 81 agrupamentos relatam ter sido afetos pelo mau tempo.
O rebentamento do dique dos Casais, em Coimbra, provocou prejuízos de mais de dois milhões de euros nas instalações de uma empresa centenária de produção de plantas ornamentais, cuja reabertura será difícil este ano.