Profissionais da ULS de Coimbra com níveis preocupantes de stress e ‘burnout’

Os trabalhadores da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra apresentam níveis moderados de stress, ‘burnout’ e problemas de sono, que sugerem desgaste profissional acumulado, compatível com contextos de elevada pressão assistencial e organizacional.

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Esta é uma das conclusões da Avaliação de Riscos Psicossociais ULS SER+, “o maior estudo alguma vez realizado no setor da saúde em Portugal nesta área, envolvendo 3.168 profissionais de diferentes grupos profissionais, unidades e contextos de trabalho”, de acordo com a ULS de Coimbra.

Através do estudo, realizado entre outubro e dezembro de 2025, refere-se que “os indicadores de stress, ‘burnout’ e problemas de sono apresentam níveis moderados já preocupantes” e que as exigências cognitivas e emocionais elevadas e o ritmo de trabalho intenso surgem como os fatores de risco mais críticos identificados na organização.

“A exposição ao risco psicossocial é mais acentuada nos contextos hospitalares e entre profissionais sem funções de coordenação, sinalizando desigualdades na experiência do trabalho dentro da organização”, referiu a ULS de Coimbra, salientando que os resultados “evidenciam um perfil de risco psicossocial de natureza estrutural, com impacto relevante no bem-estar dos profissionais e na sustentabilidade organizacional”.

A Avaliação de Riscos Psicossociais ULS SER+ foi desenvolvida pelo Serviço de Saúde e Bem-Estar da ULS de Coimbra – através de questionários, entrevistas e ‘focus groups’ – e encontra-se integrada no seu Plano Estratégico, no eixo do Capital Humano.

Para o presidente do conselho de administração, Alexandre Lourenço, trata-se de “um instrumento estruturante para a governação organizacional, a promoção do bem-estar laboral e a sustentabilidade do sistema local de saúde”.

O estudo identificou fragilidades organizacionais relevantes, nomeadamente ao nível do apoio das chefias, da previsibilidade do trabalho e da influência dos profissionais sobre a sua atividade.

“Apesar da existência de recursos positivos — como o significado atribuído ao trabalho, o compromisso organizacional e o sentido de comunidade social — estes mostram-se insuficientes para compensar a pressão estrutural”.

A avaliação identificou, ainda, a presença de comportamentos ofensivos no local de trabalho, sobretudo de natureza verbal, que, embora não configurem risco classificado como elevado, “não são residuais e requerem enquadramento institucional e resposta preventiva adequada”.

“Os resultados reforçam a centralidade do capital humano como eixo estratégico da ULS de Coimbra, em alinhamento com o Plano Estratégico 2030, e evidenciam a necessidade de uma intervenção organizacional estruturada, para além de abordagens exclusivamente individuais”, sublinhou o presidente do conselho de administração.

Segundo Alexandre Lourenço, a partir deste diagnóstico será possível desenvolver o Programa de Saúde e Bem-Estar dos Trabalhadores da ULS de Coimbra, sustentado em evidências científicas e numa lógica de melhoria contínua.

O responsável adiantou que está previsto o desenvolvimento de planos de ação específicos por unidade e contexto de trabalho, uma abordagem cocriada e participativa, envolvendo profissionais e lideranças, e a definição de prioridades orientadas para a mitigação dos riscos psicossociais identificados e para a promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e sustentáveis.

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