O Governo não reativou, este inverno, o plano extraordinário que no ano passado permitiu colocar mais 100 ambulâncias dos bombeiros ao serviço do INEM, apesar dos alertas para uma época gripal mais severa, avança o Expresso. A decisão está a ser duramente criticada pela Liga dos Bombeiros Portugueses, que garante ter alertado por diversas vezes a ministra da Saúde e o diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde.
Em 2024, o reforço esteve em vigor entre outubro e fevereiro e permitiu aumentar significativamente a capacidade de resposta às infeções respiratórias. Este ano, porém, “o pedido não foi feito”, sublinha o presidente da Liga, António Nunes, em declarações ao Expresso.
As fragilidades do sistema tornaram-se particularmente evidentes com a morte de um homem no Seixal, que aguardou cerca de três horas por socorro do INEM. De acordo com os bombeiros, o atraso não se ficou a dever à inexistência de meios, mas à retenção de macas nas urgências hospitalares — em especial no Hospital Garcia de Orta, em Almada —, o que deixou várias ambulâncias imobilizadas e incapazes de responder a novas ocorrências.
“O problema está nas urgências sobrelotadas e na ausência de um plano eficaz para retirar doentes após a alta”, explica António Nunes, denunciando que as macas dos bombeiros estão a ser usadas como camas hospitalares, bloqueando o circuito normal de emergência.
Sem reforço extraordinário, com hospitais à beira da rutura e ambulâncias retidas à porta das urgências, os bombeiros alertam que a falta de planeamento está a comprometer seriamente a resposta em emergência.