Em declarações à agência Lusa, o vereador Carlos Palheira disse que, em lonas e magas plásticas para cobertura dos telhados destruídos, o município cedeu gratuitamente material a 35 mil pessoas, num total superior a 1,5 milhão de metros quadrados.
Relativamente à entrega de telhas, o autarca indicou que já foram disponibilizadas mais de 300 mil a 6.000 contribuintes, acrescido de outros materiais como cimento, cordas e espumas de poliuretano.
“Muitos destes materiais foram oferecidos ao município, embora as lonas numa primeira fase tivemos de as adquirir, mas depois numa segunda fase houve uma solidariedade nacional que nos fez chegar muitas lonas, que continuamos a disponibilizar”, disse.
Carlos Palheira sublinhou que, embora a operação se centrasse no concelho de Leiria, “a ninguém, mas ninguém, que tenha vindo de outro território, foi negado telhas ou lonas se delas precisassem”.
“Nada foi privado a ninguém, porque, numa atitude solidária, consideramos que se chove numa casa esse agregado também tem direito a receber estes materiais”, frisou.
Salientando que a solidariedade “ultrapassou fronteiras” na campanha Reerguer Leiria, o vereador da autarquia leiriense destacou que foram efetuados muitos donativos em materiais por entidades espanholas e francesas, que “foram muito solidários com a zona afetada e são um espelho do que é a comunidade portuguesa”.
Segundo Carlos Palheira, esta campanha foi também uma forma “muitíssimo mais rápida de dar resposta a tantas pessoas em situação crítica, já que foram largas dezenas de milhares de pessoas que ficaram com as coberturas das casas danificadas”.
A campanha Reerguer Leiria vai continuar ativa e só termina quando “o último telhado estiver fechado”, enfatizou o autarca.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.