Jeffrey Epstein: Justiça faz buscas em Paris após queixa do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês

As autoridades financeiras francesas anunciaram hoje ter efetuado buscas em vários locais, incluindo a filial parisiense do banco suíço Edmond de Rothschild, numa investigação relacionada com o processo do criminoso sexual Jeffrey Epstein.

© D.R.

O Ministério Público Financeiro Nacional francês disse que as diligências decorreram na sexta-feira passada, no quadro de uma investigação preliminar aberta no mês passado.

Os investigadores estão a analisar suspeitas de suborno envolvendo um funcionário público estrangeiro e alegada cumplicidade associada ao antigo diplomata francês Fabrice Aidan, acrescentou.

A investigação foi desencadeada por uma queixa do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, na sequência da divulgação dos chamados arquivos Epstein e de reportagens publicadas em França.

O caso está a ser conduzido pelo gabinete central de combate à corrupção e aos crimes fiscais e financeiros.

Fabrice Aidan tornou-se um dos principais visados depois da divulgação, a 30 de janeiro, de milhões de documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O ‘site’ de investigação Mediapart noticiou que os ficheiros sugerem que o antigo diplomata terá fornecido material confidencial da ONU a Jeffrey Epstein, alegação que Aidan rejeitou.

O nome de Aidan surge alegadamente em mais de 200 documentos, incluindo mensagens de correio eletrónico enviadas entre 2010 e 2016, a partir de contas pessoais e institucionais, levantando suspeitas de partilha de documentos diplomáticos.

O advogado do antigo diplomata negou qualquer irregularidade e apelou ao respeito pela presunção de inocência.

Jeffrey Epstein, financeiro norte-americano condenado por crimes sexuais, morreu em 2019 numa prisão de Nova Iorque, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual.

A divulgação dos arquivos teve impacto em várias figuras públicas em França, incluindo o antigo ministro da Cultura Jack Lang, que se demitiu em fevereiro da presidência do Instituto do Mundo Árabe depois da abertura de uma investigação por suspeitas de fraude fiscal.

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