PS e PSD suspendem pedidos de comunicação entre Marcelo e filho

A comissão parlamentar de inquérito ao caso das gémeas suspendeu hoje os pedidos de todas as comunicações até que haja uma resposta da Procuradoria-Geral da República (PGR), numa reunião marcada por acusações ao CHEGA de "abuso do direito potestativo".

© Folha Nacional

Os requerimentos do PS e do PSD para suspender as diligências relativas aos pedidos de todas as comunicações até à receção da resposta da PGR receberam os votos favoráveis de todos partidos políticos, com exceção do CHEGA, que possui direito potestativo sobre a comissão parlamentar de inquérito.

Antes da reunião, o presidente da comissão de inquérito, Rui Paulo Sousa, disse que esta suspensão “em termos práticos não tem qualquer resultado, porque essas comunicações, quem as quis enviar já enviou, quem não as quis enviar alegou os motivos pelos quais não as enviava”, inclusivamente o segredo de justiça.

O presidente da comissão de inquérito ao caso das gémeas alegou que esta suspensão põe “em causa um direito potestativo que o partido que iniciou a comissão tem” e “abre um precedente para as próximas comissões”, defendendo que, por isso, limita “o funcionamento da própria comissão”.

Na reunião da comissão, antes da audição da antiga secretária de Estado das Comunidades Portuguesas Berta Nunes, o coordenador do PSD, António Rodrigues, disse que para “alguns parece o segundo ’round’ de um combate político que querem fazer e transformar a comissão parlamentar de inquérito e não procurar os objetivos com que ela foi constituída”.

“E, por isso, a propósito de um direito legitimo, é consequência, se alguém pede um parecer para seja eficaz para o funcionamento da comissão parlamentar, obviamente as comunicações não podem fazer parte do espólio público, ou pelo menos expor, dos membros da comissão antes de termos uma resposta a essa matéria”, salientou.

Por sua vez, o coordenador do PS, João Paulo Correia, recordou que “todos os partidos” já tinham concordado em pedir um parecer ao auditor jurídico da Assembleia da República, afirmando que “um direito potestativo não pode tudo”.

“Há limites para o direito potestativo. O consenso a que os partidos chegaram foi pedir acesso a comunicações de personalidades de forma voluntária”, indicou, lembrando que na comissão parlamentar de inquérito à TAP, no ano passado, o “telemóvel e o acesso às mensagens foram entregues de forma voluntária”.

Já o líder do CHEGA, André Ventura, observou que “é inaceitável” que o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, tenha pedido um parecer à PGR “sem ter que dar qualquer conhecimento à comissão”.

“Parece-nos honestamente uma atitude pouco prudente e também pouco institucional do Presidente da Assembleia da República para o fazer. O potestativo também é um direito, tal como foi esta comunicação de inquérito, é um exercício de um direito potestativo”, referiu.

“Ponto um, a comissão do inquérito não precisa do Presidente da Assembleia da República. Ponto dois, não é o Presidente da Assembleia da República que faz pedidos para comissão de inquérito. Ponto três, não é o Presidente da Assembleia da República que decide o que se faz na comissão parlamentar de inquérito”, acrescentou.

Isabel Moreira, do PS, considerou que há um “claro abuso do direito potestativo” do CHEGA.

“Achar-se, como é um direito potestativo, que se pode pedir tudo. Este direito potestativo é um exemplo claríssimo do abuso do direito. É um exemplo claríssimo do abuso do direito”, afirmou.

A socialista acrescentou que a comissão de inquérito não pode pedir correspondência a qualquer pessoa.

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA contestou a maioria de direita a reconfirmar o decreto que prevê a perda da nacionalidade, apesar do chumbo do Tribunal Constitucional, defendendo que, em alternativa, deve ser realizado um referendo sobre esta matéria.
O CHEGA apresentou um projeto de lei na Assembleia da República para eliminar vários benefícios fiscais atribuídos aos partidos políticos, defendendo que não faz sentido existirem “privilégios” para estruturas partidárias enquanto os contribuintes enfrentam uma carga fiscal cada vez mais elevada.
Uma nova sondagem da Aximage revela que a maioria dos portugueses concorda com a proposta do CHEGA para baixar a idade da reforma. Segundo os dados divulgados, 69% dos inquiridos apoiam a medida defendida por André Ventura.
Luís Montenegro afirmou que a situação económica e financeira de Portugal está melhor do que a da Alemanha, declarações que estão já a gerar críticas e incredulidade nas redes sociais.
O CHEGA apresentou um projeto de lei para reforçar os poderes das Polícias Municipais, permitindo clarificar legalmente a detenção de suspeitos em flagrante delito e a sua entrega imediata à PSP ou à GNR.
Álvaro Santos Pereira será ouvido na Assembleia depois de o CHEGA exigir esclarecimentos sobre compras travadas pelo Banco Central Europeu.
Ilídio Ferreira abandona o Partido Socialista e mantém mandato como independente. O pedido de desfiliação foi remetido a 25 de abril ao secretário-geral do partido.
O presidente do CHEGA, André Ventura, saudou hoje a promulgação, pelo Presidente da República, do decreto que altera a Lei da Nacionalidade e afirmou que esta legislação teve o "consenso possível".
O Governo quer criar um novo organismo para gerir 'situações de crise', num investimento de 33 milhões de euros, mas a proposta já está a levantar dúvidas sérias, incluindo o risco de ser inconstitucional.
Nova lei endurece regras de acesso à nacionalidade portuguesa e reforça exigência de ligação efetiva ao país.