Processo que envolve ex-presidente da Câmara de Vila Real tem seis arguidos

O ex-presidente da Câmara de Vila Real Rui Santos está acusado pelo Ministério Público (MP) de prevaricação, num processo que envolve mais cinco arguidos e outros crimes como participação económica em negócio e falsas declarações.

© cm-vilareal

Numa nota informativa publicada hoje na página ‘online’ da Procuradoria-Geral Regional do Porto, pode ler-se que o MP acusou seis arguidos, respondendo três deles por crimes de prevaricação, quatro por crimes de participação económica em negócio e um deles, ainda, pelo crime de falsas declarações.

Entre os arguidos está o ex-presidente da Câmara de Vila Real e atual deputado na Assembleia da República, o socialista Rui Santos, que na quarta-feira afirmou à agência Lusa que está de “consciência absolutamente tranquila em relação” a este processo.

O despacho do MP, no Departamento de Investigação e Ação Penal Regional do Porto, data do dia 12 de novembro.

O MP considerou “fortemente indiciado” que o ex-presidente de câmara, a “fim de satisfazer interesses pessoais e políticos”, e usando a empresa municipal Vila Real Social, “determinou a nomeação, sucessiva, de dois outros arguidos, para o cargo de presidente do conselho de administração”.

O primeiro foi nomeado entre 2015 e 2021, como “recompensa pelo apoio político anterior”, e o segundo entre 2021 e 2025, “como recompensa do seu afastamento do cargo de vereador que, até então, ocupava”.

“Imputa-se ainda que, para compensar a substituição do cargo ocupado pelo primeiro arguido, foi ficcionada a criação de um cargo remunerado na empresa municipal, no qual este arguido foi colocado em comissão de serviço”, acrescentou a acusação.

O MP considerou ainda que o ex-vereador José Maria Magalhães, nomeado para a presidência da empresa municipal em 2021, encontrava-se, nessa data, impedido de assumir qualquer cargo público, por ter aderido, em 2014, ao Programa de Rescisão de Mútuo Acordo de Docentes, do Ministério da Educação, um impedimento que tem efeitos até 2031.

José Maria Magalhães foi eleito presidente da Junta de Freguesia de Vila Real em outubro, pelo PS, e ainda se mantém na Vila Real Social, mas sem receber vencimento desde 2023, ano em que pediu a reforma.

Contactado hoje pela Lusa, José Maria Magalhães optou por não comentar a acusação.

Este arguido está acusado por prevaricação, falsas declarações e participação económica em negócio.

No seu caso, o MP requereu a declaração de perdimento a favor do Estado das vantagens da alegada atividade criminosa, correspondendo ao valor de 44 mil euros de salários indevidamente pagos, acrescido do valor de cerca de 78 mil euros pela compensação da rescisão do vínculo a devolver.

Relativamente ao arguido nomeado em 2015 para a empresa municipal, a acusação imputa-lhe um crime de prevaricação e requereu a declaração de perdimento a favor do Estado de 102 mil euros relativos aos salários pagos.

Já na quarta-feira, depois do Jornal de Notícias avançar com a acusação contra Rui Santos, o agora deputado afirmou à agência Lusa que tem “a consciência absolutamente tranquila”.

“Porque respeitei a letra da lei e o espírito da lei e estou muito confiante que essa acusação seguirá a tramitação que todas as outras denuncias que, ao longo destes 12 anos em que servi a minha terra, tiveram como destino, que foi o arquivamento”, justificou.

Eleito pela primeira vez em 2013 para a Câmara de Vila Real, pelo PS, onde cumpriu três mandatos, Rui Santos é agora presidente da Assembleia Municipal de Vila Real.

Questionado sobre se vai pedir a abertura da instrução, o ex-autarca repetiu que não conhece o processo e que os seus advogados “vão analisar a acusação e agirão de acordo com aquilo que julgarem adequado”.

“Agora, quero reafirmar a minha absoluta tranquilidade e a minha convicção de que cumpri sempre o espírito e a letra da lei”, sublinhou, referindo que está a ser acusado de prevaricação num “processo claramente administrativo”.

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA anunciou hoje o pedido de audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, do secretário-geral adjunto demissionário António Pombeiro e do general Paulo Viegas Nunes, questionando a “integridade” desta escolha para o SIRESP.
O líder do CHEGA criticou hoje a “estratégia caricata” de Luís Montenegro de “recusar em público” as principais exigências do partido para rever a lei laboral, mas sem se excluir das negociações.
Demitiu-se do cargo, na sexta-feira, o secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), António Pombeiro. Foi o seu segundo pedido de demissão apresentado no espaço de um mês.
O presidente do CHEGA afirmou esta sexta-feira que “o bloco central de interesses” continua a impedir o apuramento da verdade sobre as FP-25, defendendo no Parlamento que Portugal continua sem conhecer toda a verdade sobre um dos períodos mais polémicos da democracia portuguesa.
O Parlamento aprovou hoje na generalidade uma recomendação do CHEGA que propõe ao Governo a transformação do Dia da Defesa Nacional em semana.
O Conselho Nacional do CHEGA propôs a rejeição da reforma laboral e da reforma do Estado, apresentadas pelo Governo, considerando que estes diplomas "não podem contar com o voto favorável" do partido.
O presidente do CHEGA pediu aos militantes, na intervenção de abertura do Conselho Nacional do CHEGA, responsabilidade e união, propondo que o partido se junte "por Portugal nestes próximos meses”.
O líder do CHEGA diz que mais de 90% dos contratos públicos podem escapar ao controlo prévio e acusa PSD e PS de enfraquecerem a fiscalização do dinheiro dos portugueses.
Os alertas surgem numa altura em que continuam a multiplicar-se investigações relacionadas com corrupção, contratação pública e utilização de fundos públicos em Portugal.
Raul Cunha, ex-presidente da Câmara de Fafe, eleito pelo PS, e membros do antigo executivo municipal vão responder em tribunal por alegados crimes ligados a contratação pública e negócios com uma cooperativa participada pelo próprio município.