Movimento diz que maioria dos médicos mantém escusa às horas extra em dezembro

O movimento Médicos em Luta avançou hoje que apenas 10 dos 500 médicos que inquiriu ponderam retirar a declaração de escusa às horas extraordinárias, o que faz prever a manutenção dos constrangimentos no Serviço Nacional de Saúde.

© D.R.

A porta-voz do movimento, Susana Costa, adiantou à agência Lusa que foi elaborado um questionário para perceber se os médicos mantinham ou retiravam a minuta de escusa ao trabalho extraordinário, além das 150 horas obrigatórias anuais.

O questionário surge na sequência do acordo intercalar assinado esta terça-feira entre o Governo e o Sindicato Independente dos Médicos, para um aumento dos salários, que a Federação Nacional do Médicos rejeitou.

“Elaborámos um documento para os colegas responderem. Só cerca de 500 no universo de quase 3.000 responderam e dessas 500 pessoas, só 2% ponderam retirar a minuta”, disse a médica.

Susana Costa adiantou que a perceção que o movimento tem é que “a grande maioria dos constrangimentos se vai manter” em dezembro nos serviços de urgências hospitalares de todo o país devido à entrega de cerca de 2.800 minutas.

A somar a esta situação está o facto de aumentar o número de pessoas que recorrem ao serviço de urgência como acontece normalmente nesta época do ano, referiu.

Por esta razão, adiantou, “os constrangimentos vão fazer sentir-se mais, mesmo que o número de serviços fechados em termos de urgência se mantenha”.

Questionada se este protesto vai mudar a postura dos médicos no futuro, a porta-voz do movimento afirmou que “seguramente, vai haver uma mudança”.

“Aquilo que verificámos ao longo de todo este tempo é que todos os colegas que estavam indecisos sobre a possibilidade de permanecerem no SNS decidiram sair”, salientou.

Por outro lado, contou que há muitos médicos a questionarem colegas que estão no estrangeiro “sobre as condições de trabalho em diversos países e sobre os requisitos necessários para emigrar”.

“Vai haver um êxodo de médicos porque compreenderam que o Serviço Nacional de Saúde não é um serviço prioritário para quem nos governa e, portanto, quem estava indeciso vai sair”, elucidou.

Também os médicos que estavam indeciso sobre “se deveriam ingressar no SNS, decidiram não ingressar”, salientou, aludindo às mais de 400 vagas que ficaram por ocupar no procedimento concursal de ingresso no Internato Médico de 2023.

Além disso, realçou, “todos os colegas que até agora se esforçavam sob prejuízo próprio, no sentido de não deixarem os serviços depauperados de médicos, (…) vão deixar de o fazer”.

“Portanto, vamos ter muito menos médicos e muito menos médicos a fazer horas extraordinárias mesmo a partir de janeiro” quando começa uma nova contagem para o ‘plafond’ das 150 horas extras.

Comentando o acordo para a revisão da grelha salarial dos médicos, Susana Costa afirmou que “os médicos se sentem verdadeiramente defraudados”.

“Primeiro porque as declarações tanto do ministro [da Saúde] como do presidente do Sindicato Independente dos Médicos, que assinou este documento, são falsas”, porque “não é verdade que “todos os médicos vão ter um aumento de 400 euros”.

Há médicos que vão ter “aumentos de 50 cêntimos”, disse, acrescentando que, com a entrada em vigor das novas Unidades Locais de Saúde (ULS) alguns “vão ter mesmo redução de salário”.

“Portanto, o acordo assinado não só não serve como é uma verdadeira medida eleitoralista e é uma verdadeira fraude para os médicos”, criticou.

Lamentou ainda que há outras questões, além dos salários, que são “muito importantes” para criar um SNS apelativo e para “continuar a crescer em termos de qualidade e de acessibilidade” que não foram resolvidas em quase 20 meses de negociações.

Susana Costa assegurou que o movimento dos médicos “vai fortalecer-se” pela defesa do SNS, que “não pode ser encarado como um arremesso político”.

Últimas do País

Ventura anunciou esta quarta-feira, no Parlamento, que o CHEGA vai chamar com urgência o ministro dos Negócios Estrangeiros para esclarecer a posição portuguesa sobre reparações históricas. O líder do partido voltou a rejeitar qualquer pagamento às antigas colónias e avisou que não haverá "mais contacto com o Governo" se Portugal avançar nesse sentido.
Discussão relacionada com a venda de um carro terá estado na origem das agressões. Três homens são suspeitos de invadir a casa da vítima, roubar-lhe cartões e documentos, obrigá-la a entrar numa viatura e voltar a agredi-la num local isolado. PJ já deteve os suspeitos.
Embarcações de alta velocidade foram detetadas pelo sistema de vigilância costeira e levaram a uma operação por terra, mar e ar. Dez homens foram detidos em Tavira e na Fuzeta e a GNR apreendeu duas embarcações e uma viatura.
Um homem de 57 anos foi detido por suspeita de abusar sexualmente de um jovem de 17 anos, com défice cognitivo, em Paredes, no distrito do Porto, adiantou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
Há 232 habitantes por médico em exercício em Portugal. Do outro lado da fronteira são 216, enquanto Itália baixa para 174 e Grécia para apenas 160.
Um homem de 44 anos foi detido na segunda-feira por suspeita de crime de incêndio florestal no concelho de Oliveira do Hospital, anunciou hoje a Guarda Nacional Republicana (GNR).
Um jovem foi detido, na terça-feira, por suspeita de ter abusado sexualmente de uma vizinha de 13 anos em Amarante, no distrito do Poro, revelou hoje a Polícia Judiciária.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) anunciou hoje ter participado na terça-feira numa operação internacional contra fraude ao Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e criminalidade organizada, tendo realizado buscas e apreensões, assim como inquirido testemunhas.
GNR e Polícia Marítima já retiraram 257 mil litros de combustível a redes ligadas sobretudo ao apoio logístico das chamadas “narcolanchas”. Ao preço atual da gasolina, apreensões representam perto de 540 mil euros.
Polícia ficou ferido durante uma perseguição na Amadora e teve de ser transportado para o Hospital de Santa Maria. Homem procurado pelas autoridades tinha um mandado de captura pendente.