Sindicato dos Funcionários Judiciais acusa tutela de deriva esclavagista

O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais apontou hoje ao Governo “uma deriva esclavagista” nas negociações salariais, apelou ao reforço urgente do financiamento da Justiça e defendeu a greve como “um grito de desespero” e “o único recurso possível”.

© D.R.

No discurso de abertura do 9.º Congresso Nacional do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), que decorre em Anadia, Aveiro, até domingo, o presidente António Marçal sublinhou a perda continuada de recursos humanos na carreira ao longo dos últimos anos.

Justificou a perda de recursos humanos com questões salariais, como um ordenado base de entrada pouco superior ao salário mínimo nacional, o que torna a carreira pouco atrativa para reter profissionais ou motivar novas entradas, bem como com aposentações ou saídas para outras carreiras no Estado.

António Marçal apontou um “estado de rutura” nos serviços, que atribuiu a “muita incompetência junta”.

“Acresce que somos a única carreira do mundo ocidental onde se quer obrigar os trabalhadores a prestar trabalho suplementar e a ter disponibilidade permanente sem qualquer contrapartida. A isto, podemos chamar deriva esclavagista de quem manda”, disse, a propósito das negociações com a tutela relativas ao suplemento de recuperação processual.

Há mais de um ano que o SFJ mantém greves sucessivas, tradicionais, em formatos parciais ou apenas dirigidas a alguns serviços e tarefas, muito pela recusa do Governo em aceder à reivindicação de ver o suplemento de recuperação processual integrado no salário, o que implica que seja considerado salário base e pago em 14 meses.

“A greve é como um grito de desespero que, pese embora as consequências na vida da sociedade, é o único recurso possível para que o poder político entenda que não se pode falar de justiça, sem que justiça seja feita aos funcionários judiciais”, alertou Marçal.

Num discurso em que defendeu uma reforma da Justiça que garanta mais recursos e uma melhor distribuição dos mesmos, António Marçal pediu também um reforço do financiamento da Justiça, “uma prioridade suprapartidária, um dever do Estado que é urgente cumprir, uma prioridade de regime”, referindo a necessidade de uma dotação orçamental superior para despesa e investimento, questionando se existe algum planeamento estratégico para a Justiça e até para o país.

Alertou ainda para “uma visão mercantilista do sistema de justiça”, defendendo que a justiça “não se coaduna com métodos de organização ou de gestão empresariais” e que “o ‘lucro’” de uma justiça eficiente “se mede pelo impacto positivo no desenvolvimento da comunidade que serve e pelo grau de satisfação dos que a procuram”.

“Infelizmente não é grande a satisfação das pessoas. Diagnósticos têm sido feitos muitos, mas a terapêutica tarda em chegar, tal é barafunda que vai reinando na profusão legislativa e propostas de organização ou reorganização”, disse.

Para Marçal, a Justiça “transformou-se praticamente num negócio, sendo obtida de forma diferente consoante o dinheiro que se tem no bolso e altura do grito, conforme se tem constatado em inúmeros exemplos”.

Marçal afirmou que a “crença de que existe uma justiça para ricos e outra para pobres tem de mudar”, devendo ser “um serviço público por excelência” e “assente num princípio de igualdade no acesso e nas armas utilizadas”.

Últimas de Política Nacional

O Ministério Público acusou Diamantino Oliveira Lopes, eleito pelo PS para a Junta de Freguesia de Moreira do Rei e Várzea Cova, no concelho de Fafe, distrito de Braga, no mandato autárquico de 2017 a 2021, dos crimes de prevaricação e falsificação de documento, num procedimento de loteamento alegadamente destinado a beneficiar o próprio filho.
O líder do CHEGA saudou hoje o compromisso do Presidente da República de não dissolver o parlamento em caso de chumbo do Orçamento do Estado, mas avisou que esta posição "tem limites" e pode "esbarrar na realidade parlamentar".
O requerimento do CHEGA para ouvir presencialmente o coordenador operacional do INEM no Norte, Miguel Ângelo Santos, foi chumbado na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM com votos contra de PS e PSD.
Após um confronto com a vice-presidente do Parlamento, Teresa Morais, o líder do CHEGA, André Ventura, decidiu abandonar o hemiciclo, acompanhado por toda a bancada do partido.
O presidente do CHEGA, André Ventura, defendeu no Parlamento que o debate sobre racismo em Portugal está marcado por critérios diferentes consoante os casos, alertando para o que considera ser uma aplicação seletiva do conceito na sociedade, no desporto e no sistema político.
A audição na comissão de inquérito ao INEM expôs fragilidades nos sistemas informáticos da emergência médica. Confrontada pelo deputado do CHEGA, Pedro Frazão, a antiga responsável dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) reconheceu que os sistemas são antigos e que poderia ter havido maior intervenção.
O Ministério Público decidiu arquivar o processo que levou ao levantamento da imunidade parlamentar do deputado do CHEGA João Ribeiro. A decisão concluiu que não existem indícios que justifiquem a continuação da investigação.
O presidente do CHEGA, André Ventura, questionou o Governo sobre a resposta do Estado a portugueses que se encontram em zonas de conflito, defendendo que o Executivo deve garantir proteção e eventual repatriamento dos cidadãos nacionais em territórios afetados pela guerra.
O grupo parlamentar do CHEGA questionou a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, sobre o encerramento das urgências de obstetrícia dos hospitais do Barreiro e de Vila Franca de Xira, através de uma pergunta parlamentar entregue na Assembleia da República.
O primeiro-ministro regressa esta quarta-feira ao Parlamento para um debate quinzenal que será aberto pelo PS e deverá ficar marcado pelo conflito com o Irão e as condições de utilização pelos EUA da Base das Lajes.