22 Junho, 2024

Ministro lituano favorável a uso de armas ocidentais em solo russo

O ministro da Defesa da Lituânia, Laurynas Kasciunas, expressou hoje apoio ao uso de armamento ocidental fornecido à Ucrânia contra alvos militares em território russo, sustentando que cada país doador de Kiev é livre de tomar essa decisão.

© Facebook de Laurynas Kasciunas

Em declarações à agência Lusa e TVI/CNN à margem de um encontro em Vílnius com o homólogo português, Nuno Melo, Laurynas Kasciunas descreveu a situação militar na Ucrânia como “muito difícil”, no seguimento da ofensiva russa desde 10 de maio contra Kharkiv, no nordeste do país, junto da fronteira com a Rússia, e que é a segunda maior cidade da Ucrânia.

O ministro lituano frisou que toda a operação das forças de Moscovo contra Kharkiv tem origem em território russo, o que o leva a advogar o uso de armamento ocidental fornecido a Kiev para travá-la.

“Temos de tomar a decisão de que todas as armas que entregamos possam ser utilizadas contra alvos na Rússia se forem usadas contra a Ucrânia. Temos de levantar todas as restrições”, declarou o titular da Defesa da Lituânia, país membro da NATO, onde Portugal mantém um destacamento de F-16 da Força Aérea e outro do Corpo de Fuzileiros da Marinha, em missões de patrulhamento no âmbito da Aliança Atlântica.

Vários países parceiros de Kiev têm sustentado nos últimos dias que não deve haver limites para a utilização do armamento transferido para a Ucrânia, mas o assunto está longe de ser consensual entre os membros da Aliança Atlântica.

O ministro da Defesa português também se manifestou favorável à utilização de armamento contra alvos militares em território russo, quando questionado na quarta-feira sobre o assunto à margem de uma reunião do Fórum Schuman em Bruxelas, embora tenha ressalvado que se trata de um posicionamento pessoal que não vincula o Governo.

No entanto, para o ministro lituano, “o mecanismo é muito simples” e prevê que “cada país que fornece armamento pode dizer se autoriza a ser usado ou não”, o que, no final, significa que se trata de uma decisão de cada membro “e não da NATO”.

“É por isso que precisamos de mais forças de dissuasão na região. É por isso que temos uma brigada permanente da Alemanha aqui, é por isso que agradecemos a Portugal pela sua contribuição dos fuzileiros e da missão do policiamento aéreo, é por isso que pedimos que considerem a possibilidade de formação de sistemas de defesa aérea”, afirmou Kasciunas, que insistiu: “Mais presença da NATO aqui, mais dissuasão e a dissuasão é mais barata do que a defesa”.

O ministro lituano referiu-se também às tensões nas fronteiras marítimas da NATO, provocadas por ações russas no Mar Báltico, explicando-as com as recentes adesões da Suécia e da Finlândia à organização e consequente alargamento do espaço marítimo da Aliança Atlântica.

“A Rússia não gosta disso”, observou o ministro lituano, que também abordou a vizinhança russa no enclave de Kalinegrado, como outro foco de instabilidade que precisa ser vigiado.

Nuno Melo visita hoje o destacamento de F-16 portugueses da Força Aérea e o contingente do Corpo de Fuzileiros da Marinha estacionados na Lituânia, em missões da NATO.

Na sua primeira visita oficial a destacamentos militares portuguesas no exterior, o titular da Defesa desloca-se à base de Siauliai, onde estão colocados 87 militares e quatro caças de combate F-16 da Força Aérea, em missões de policiamento aéreo da Aliança Atlântica, com foco no Mar Báltico, que ganharam nova relevância desde a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

De seguida, o ministro da Defesa visita o campo militar Kairiai, onde se encontram 146 elementos do Corpo de Fuzileiros, com a missão de dissuadir ameaças no flanco leste da NATO, através de uma presença militar continua, e que deverá ser reforçada com uma aeronave de patrulhamento marítimo P-3 e respetiva tripulação.

O governante viaja acompanhado pelo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, José Nunes da Fonseca, e pelos chefes dos ramos da Armada, Henrique Gouveia e Melo, e da Força Aérea, João Cartaxo Alves.

Agência Lusa

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