Montenegro acusa PS de querer condicionar “80% da margem orçamental”

O primeiro-ministro e líder do PSD acusou hoje o PS de querer condicionar "80% da margem orçamental" do Governo, rejeitando o argumento de que na negociação do próximo Orçamento só estejam em causa duas medidas ou 1% do documento.

© LUSA/ANTÓNIO COTRIM

“É altura de dizer de forma serena, tranquila e construtiva que só não vai haver orçamento se houver uma falha na boa-fé negocial dos dois maiores partidos com representação parlamentar, se não houver sentido de responsabilidade e de lealdade”, acusou Luís Montenegro, na sessão de encerramento das jornadas parlamentares conjuntas PSD/CDS-PP centradas no Orçamento do Estado.

Nas contas do chefe do Governo, o executivo tem cerca de 2,2 mil milhões de euros de margem orçamental.

“Como é público, o líder do PS quis contribuir com as suas propostas e ideias exigindo a sua viabilização para deixar passar o Orçamento, mais 970 milhões de euros de despesa”, disse, referindo-se às medidas propostas por Pedro Nuno Santos para substituir os custos do IRS jovem, que os socialistas recusam.

Para Montenegro, tal significa que “o PS quer utilizar para o seu programa e para as suas ideias cerca de 80% da margem orçamental que o Governo tem à sua disposição”.

“Há alguém no país que acha isto razoável? Isto não faz sentido e tem de ser denunciado”, acusou.

O primeiro-ministro recorreu ainda aos acordos assinados pelo Governo com vários setores profissionais e, hoje, na concertação social para defender que não falta ao Governo capacidade negocial.

“Alguém duvida que nós temos capacidade negocial, que nós temos a sensatez e a lucidez de ceder para chegar a um acordo? Alguém duvida desta capacidade? A quem apresenta esta folha de serviço em meio ano?”, questionou.

Montenegro considerou que a “palavra-chave” para o debate político dos próximos tempos deve ser honestidade e procurou clarificar as posições do Governo PSD/CDS-PP.

“Não, não há margem orçamental para que o Governo possa agora executar 80% dessa margem à conta das ideias do principal partido da oposição, isso não é possível em nenhum Governo. E não, não insistam em querer dizer que este Governo não é um Governo dialogante, não insistam – como tentaram fazer muitas vezes – em dizer que este Governo é arrogante e o primeiro-ministro é arrogante. Não, nem é o Governo, nem é o primeiro-ministro”, resumiu.

Numa intervenção de cerca de meia hora, Montenegro disse querer ir direto ao “assunto do momento”, o Orçamento do Estado para 2025, considerando que há falácias que estão a “inquinar o debate”.

“A primeira é aquela que muitos têm feito um esforço por alimentar, segundo a qual o Governo é responsável por 99% das propostas orçamentais e portanto fica 1% na disponibilidade da apreciação do parlamento”, disse, classificando de “pueril” este argumento que tem sido utilizado pelo secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos.

O primeiro-ministro voltou a defender que o programa do Governo não foi rejeitado pelo parlamento e que é preciso “respeitar a vontade do povo” e procurou demonstrar, com a ação dos primeiros seis meses do Governo, a sua “capacidade negocial grande, para não dizer mesmo enorme”.

“Em menos de seis meses de Governo, nós fizemos um acordo com os professores. É pouco? Não sei, em oito anos não foi feito”, apontou, repetindo o argumento para outros acordos alcançados com PSP, GNR, oficiais de justiça, Forças Armadas, enfermeiros empresários do Alojamento Local ou autarcas.

Montenegro antecipou ainda que, na quarta-feira, o Governo irá “celebrar um acordo com o terceiro setor, o setor social” para que estas instituições “possam ter viabilidade financeira”.

“Muitos dirão que é pouco fazer isto em meio ano e eu direi que é muito, face àquilo que não foi feito nos últimos oito anos”, disse,

O primeiro-ministro incluiu neste rol o acordo tripartido para a valorização de salários que hoje o Governo assinou com os parceiros sociais e a UGT em sede de concertação social.

“Nós vamos antecipar em três anos a nossa meta para que o salário médio atinja um valor superior a 1.750 euros. A nossa meta era em 2030 (…) hoje assinámos um acordo tripartido para alcançar um valor superior a esse já em 2027. Eu não vou perguntar se é pouco, porque isto é tanto, tanto, tanto”, defendeu.

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA, André Ventura, afirmou que a indicação do partido para o Tribunal Constitucional (TC) "foi alcançado e está materializado", depois de ser noticiado que o PS e o PSD tinham concordado em adiar a eleição de juízes do TC para início de maio.
O presidente do CHEGA afirmou hoje que "deu aval ao adiamento" das eleições para os juízes em falta no Tribunal Constitucional, depois de conversar com o presidente do PSD e o líder da bancada, Luís Montenegro e Hugo Soares.
O CHEGA pediu hoje a marcação de um debate de urgência para quarta-feira sobre a subida dos preços do cabaz alimentar, combustíveis e habitação na sequência do agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente.
Audição na Comissão de Agricultura foi cancelada devido a compromissos “inadiáveis” com o Presidente da República. Escrutínio parlamentar fica adiado.
Carlos Chaves Monteiro, nome apontado pelo Governo para a Segurança Social, está envolvido em polémica por alegadamente ter acumulado subsídio de desemprego com atividade profissional.
Referências às FP-25 e acusações sobre a Constituinte levam antigos deputados da extrema-esquerda e da esquerda a sair do hemiciclo em protesto. "Essa é a verdade! Não vale a pena sair porque a verdade continuará a ser dita da mesma forma", diz o presidente do CHEGA quando começam a abandonar a sala.
André Ventura defende a abertura de um debate e a revisão da Constituição, no ano em que se assinalam os seus 50 anos, criticando referências à extrema-esquerda e recordando vítimas de violência política.
O CHEGA apresentou um projeto de resolução no Parlamento onde defende um reforço das medidas de proteção para os cidadãos portugueses e lusodescendentes que vivem na Venezuela, face à instabilidade política e social que continua a marcar o país.
Portugal passa a ter uma nova lei da nacionalidade, com o CHEGA a garantir a introdução da perda de nacionalidade para condenados por crimes graves.
O presidente do CHEGA propõe a criação de uma pena acessória de perda de nacionalidade para condenados e rejeita a atribuição meramente formal da cidadania, defendendo uma ligação efetiva a Portugal.