Dezenas de especialistas reúnem-se em Paris para preparar conferência dos oceanos de Nice

Dezenas de cientistas, ativistas, decisores políticos e outras personalidades ligadas aos oceanos reúnem-se entre domingo e segunda-feira em Paris num encontro "sem precedentes" para lançar a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, prevista para junho em Nice.

© D.R

“É um encontro que não tem precedentes, na medida em que o chefe de Estado de um país anfitrião de uma Conferência das Nações Unidas (…) pretende levantar a cortina da conferência, apresentando-a numa discussão com os especialistas da sociedade civil, mas também com grandes especialidades mundiais de várias áreas”, disse à Lusa o presidente executivo da Fundação Oceano Azul (FOA), que organiza o evento juntamente com a Presidência francesa.

Para Tiago Pitta e Cunha esta reunião de Paris representa uma “abordagem bastante mais transversal e menos tradicional” do que as habituais conferências intergovernamentais, em que apenas participam as delegações oficiais dos diferentes Estados membros das Nações Unidas.

Intitulado “SOS Ocean”, o evento desta semana responde a um apelo do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que no verão passado, no Fórum das Ilhas do Pacífico, em Tonga, lançou um SOS para os oceanos e instou os governos a agirem imediatamente para “salvar os nossos mares”.

“Para amplificar este SOS mundial, o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, a França e a Fundação Oceano Azul, com o apoio da Bloomberg Philanthropies, convocam líderes de opinião, decisores políticos, cientistas e ativistas de todo o mundo” para abordarem em conjunto os desafios mais urgentes dos oceanos, lê-se na página do evento.

O encontro, durante o qual a Torre Eiffel será iluminada de azul, conta com intervenções do próprio chefe de Estado francês, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, do ex-vice-presidente norte-americano e ambientalista Al Gore, da ex-presidente do Chile e antiga alta-comissária da ONU para os Direitos Humanas Michelle Bachelet ou do ator Harrison Ford, vice-presidente da Conservation International.

Para Tiago Pitta e Cunha, o facto de o Presidente francês, Emmanuel Macron, procurar organizar este evento e fazê-lo em cooperação com a Fundação Oceano Azul e também com a Bloomberg Philantropies, é “sinal de reconhecimento de um trabalho de três anos que a Fundação tem vindo a fazer com a França, com diversos governos franceses, com o gabinete do Presidente francês, para criar uma agenda transformadora, aproveitando esta Conferência das Nações Unidas”.

A UNOC de Nice, a terceira do género, é organizada pela França e pela Costa Rica e surge na sequência da segunda UNOC, que se realizou em Lisboa em 2022.

“Foi a maior conferência de oceanos alguma vez realizada no mundo, com mais de 7.500 delegados”, recordou Pitta e Cunha, considerando que a organização desse evento em Portugal foi “um ato de liderança francamente ousado”.

“Muitas pessoas nas Nações Unidas, muitos países nas Nações Unidas, não queriam fazer uma nova Conferência dos Oceanos. E foi a diplomacia portuguesa e a firmeza e a habilidade da diplomacia portuguesa que levaram a que conseguíssemos ter esta Conferência dos Oceanos das Nações Unidas em 2022, que depois, então, deu o azo a esta nova agora em França e já se está a prever que venha a haver uma próxima”, afirmou.

Para o presidente executivo da FOA, a conferência de Nice é uma oportunidade para se marcar “uma agenda que o mundo, desesperadamente, necessita”.

A Fundação Oceano Azul, criada em 2017, tem como missão contribuir para um oceano saudável e produtivo para benefício de toda a vida no planeta.

Baseado na ciência, o trabalho da Fundação contribui para proteger, desenvolver e valorizar o oceano, integrando áreas como a conservação do oceano, a defesa internacional do oceano e a economia azul.

Últimas do Mundo

Adolescente imigrante atraiu a vítima, de 13 anos, para um parque e esfaqueou-a mortalmente. Tribunal rejeitou a tese de legítima defesa e condenou o jovem à pena máxima prevista para menores.
O número de cidadãos portugueses e lusodescendentes que morreram no duplo sismo que atingiu a Venezuela há uma semana subiu para 96 e registam-se 60 portugueses desaparecidos, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
A Polícia Judiciária (PJ) deteve três suspeitos e identificou oito vítimas numa operação internacional de combate ao tráfico humano e exploração sexual, que fez mais de mil detidos em 59 países.
O número de mortes aumentou quase 30% em França e 62% só na região de Paris durante a semana de 22 de junho, o pico da onda de calor que assolou o país, anunciou hoje a agência Santé publique France.
O número de portugueses e lusodescendentes mortos devido aos sismos de quarta-feira na Venezuela subiu para 79, havendo ainda 64 desaparecidos, segundo o mais recente balanço hoje divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
A sede da Federação Alemã de Futebol (DFB), em Frankfurt, foi hoje alvo de buscas por parte da polícia relacionadas com suspeitas de corrupção na organização do Euro2024, confirmou o organismo à agência France-Presse (AFP).
As sucessivas ondas de calor que atingem a Europa estão a reacender o debate sobre o uso do ar condicionado, num momento em que vários responsáveis políticos e especialistas defendem soluções que reduzam a dependência destes equipamentos devido ao seu "impacto ambiental".
Pelo menos 1.028 mortes relacionadas com o calor foram registadas em Espanha em junho, segundo dados publicados hoje pelo Instituto de Saúde Carlos III, em Madrid.
A Alemanha deteve hoje um cidadão romeno acusado de tentar fundar uma organização terrorista de extrema-direita para provocar o colapso do Estado e contribuir para a criação de um regime nacional-socialista, anunciou o Ministério Público Federal.
Uma operação conjunta da Polícia Judiciária (PJ) e da Guarda Civil espanhola desmantelou uma rede que se dedicava ao tráfico de pessoas, fez cinco detidos e resgatou dois homens cativos há décadas, anunciaram hoje as autoridades portuguesas.