Abril caiu. Desocupa e resiste!

O cenário político actual apresenta uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.

O dia 18 de Maio foi um marco histórico para a política portuguesa, mas não deve ser visto como um ponto de chegada, antes de partida. A alteração profunda e inédita da composição da Assembleia da República, expressa a vontade popular de uma mudança radical. Como tal, há que ir às raízes, à origem.
Nesse percurso genealógico até ao 25 de Abril, notamos em especial a presença constante e influente da história que dele se criou à esquerda. Esse é o mito que, ainda hoje, constitui a narrativa sagrada segundo a qual nos devemos relacionar com a política e os partidos no nosso país.
Nesta perspectiva, de dimensão quase religiosa, compreende-se porque é que conceitos como povo, democracia ou liberdade, por exemplo, só podem ser entendidos à luz do credo de Abril. Assim, é fácil ver como durante tanto tempo apenas a esquerda era virtuosa e a direita, mesmo penitente, nunca era aceite ou apenas tolerada quando se submetia a tal interpretação.
Meio século depois, estamos num claro momento-charneira e perante uma oportunidade preciosa. O mito de Abril pode ter caído com a recente derrota estrondosa das esquerdas, mas urge desocupar as áreas vitais em que se instalou. Seja nos programas de ensino, na defesa do património cultural, na ecologia, nos apoios sociais, na relação com as comunidades locais, entre tantas outras. Em suma, temos de libertar de tais influências o modo como nos definimos e identificamos.
Cientes desta árdua tarefa, podemos apontar pistas concretas. A primeira, até pela sua carga simbólica, além da óbvia importância enquanto lei fundamental, é a alteração da Constituição da República Portuguesa.
O Chega já manifestou essa intenção e tanto na AD como na IL há quem esteja de acordo num entendimento à direita para essa mudança estrutural, nomeadamente no que respeita à retirada da carga ideológica que a Constituição encerra.
Quando este primeiro passo for dado, o processo de desocupação estará em curso e dificilmente será parado.
À esquerda, esta forma de intervenção política é bem conhecida e até característica. É uma área político-partidária que, por regra, supera os seus ódios e rivalidades internas perante questões fundamentais. Esta é uma ferramenta demasiado poderosa para ser desperdiçada.
Assim, tal entendimento não deve ser visto como um desejo de coligação ou de «geringonça» à direita. Tem de ser encarado por todas as partes envolvidas como um dever perante o País.
Somos herdeiros de uma longa e rica História de que nos devemos orgulhar. Portugal não nasceu no século passado.
Neste combate pelo futuro, descobriremos as nossas verdadeiras raízes, as que não gelam por serem profundas. Desfeita a ilusão da liberdade de Abril, reencontraremos a «lusitana antiga liberdade» que Camões cantou.

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