“Estamos em janeiro, temos umas eleições daqui a poucos dias, e isto é só o Luís Marques Mendes a querer atirar fumaça, – é só fumaça, – para não discutirmos as eleições presidenciais”, acusou André Ventura, parafraseando uma frase histórica do primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo, durante o “Verão Quente” de 1975, quando tentou acalmar uma manifestação no Terreiro do Paço.
O candidato às eleições presidenciais de dia 18 falava aos jornalistas antes de uma arruada no Pinhal Novo, distrito de Setúbal, altura em que foi questionado sobre o facto de Luís Marques Mendes (candidato apoiado por PSD e CDS-PP) ter alertado, na segunda-feira, na Guarda, de que “há sinais de que pode ser difícil fazer passar” o próximo Orçamento do Estado.
“Este é o típico exemplo de quando um candidato começa a perder o controlo das coisas, começa a disparatar e dizer coisas sem sentido. Passaram esta campanha toda a dizer ‘o André Ventura só fala de temas das legislativas, só fala de temas do parlamento e não pode ser que estamos em presidenciais’. Mas mal começam a descer nas sondagens, trazem o parlamento e os orçamentos para a campanha presidencial”, criticou.
Ventura falou em “desespero” e acusou Mendes de o tentar “entalar” com o tema, uma vez que lidera o CHEGA, partido que tem atualmente 60 deputados na Assembleia da República sendo a segunda força política com mais parlamentares, atrás do PSD.
“Mas qual é o sinal que nós temos em janeiro de que em outubro o orçamento vai ser aprovado, não aprovado? Isso é só conversa do doutor Marques Mendes por uma razão: está a descer”, argumentou.
O deputado afirmou que Marques Mendes “tem que crescer muito” para o “entalar” acrescentando, logo de seguida: “Crescer muito politicamente para me entalar, é isso que eu quero dizer”.
André Ventura recordou que foi Luís Marques Mendes a anunciar que dedicaria um Conselho de Estado ao tema da Justiça e pediu que se aborde este tema mas também a saúde ou a habitação, bem como “os poderes do Presidente” durante a campanha, e não a votação do Orçamento do Estado, debate que começa em outubro.
“Deixem lá o Orçamento de Estado agora”, pediu.
Sobre as mais recentes sondagens, Ventura alertou que uma passagem à segunda volta “será por décimas”, mas voltou a repetir o seu objetivo: “Vencer no dia 18 com a maior margem possível face ao segundo lugar”.
O líder do CHEGA rejeitou ter “candidatos preocupantes” e disse acreditar na “fidelização” do eleitorado do seu partido nesta candidatura.
Pelas ruas de Pinhal Novo, numa arruada que voltou a começar atrasada, André Ventura foi colhendo vários pedidos de ‘selfie’, lamentos, votos de coragem e até sinais de apoio de pessoas que assistiam, curiosas, à varanda.
Pelo caminho, André Ventura cruzou-se com Aníbal Pinheiro, sentado na sua scooter elétrica.
“É disso que eu preciso para a ir à segunda volta”, afirmou o candidato presidencial, impressionado com o estado físico do homem de 100 anos que se escusou a dizer em que irá votar: “É secreto”.
Mais à frente, um homem, sentado numa esplanada, não se coibiu de levantar a voz para enaltecer Ventura: “És um jovem político, mas um corajoso”.
“É o único homem que os teve no lugar para mostrar a esta escória que está cá há 51 anos e que nos chupam como sanguessugas”, disse.
Uns metros acima na avenida Alexandre Herculano, Ventura parou para beber um café e atirar umas bocas a outros candidatos: “Há vários que precisavam de mais uma dose de cafeína”.
Já sentado e enquanto repunha ele próprio os níveis de cafeína, o candidato concretizou um pouco mais, acreditando que Marques Mendes e Gouveia e Melo “precisam de alguns cafezinhos”.