A pressão atingiu o limite no Serviço de Urgência do Hospital de Santarém. A equipa de enfermagem que entrou ao serviço às 8 horas de segunda-feira recusou-se a realizar a passagem de turno, num protesto contra a falta de recursos humanos para dar resposta ao elevado número de doentes internados e de utentes em espera, conta o jornal online Rede Regional.
O episódio surge após dois dias de afluência excecional às urgências, impulsionada pelo aumento abrupto de casos de gripe e infeções respiratórias. Segundo os próprios profissionais, a escalada de doentes não foi acompanhada por qualquer reforço efetivo das equipas, empurrando o serviço para um cenário de quase rutura.
Relatos recolhidos junto de utentes, familiares e trabalhadores descrevem um ambiente caótico: todas as camas ocupadas, doentes internados nos corredores e macas espalhadas por áreas de apoio. De acordo com o jornal online, no sábado, a situação agravou-se ao ponto de ficarem retidas, durante algumas horas, macas de vários corpos de bombeiros que tinham transportado doentes para a urgência.
A Unidade Local de Saúde (ULS) Lezíria reconhece a pressão sentida, mas classifica a retenção das macas como uma situação “transitória”, assegurando que foi rapidamente ultrapassada com o reforço de macas próprias, sem comprometer a resposta de emergência. Questionado sobre a recusa da passagem de turno, o Conselho de Administração admite dificuldades e garante que estão “a ser estudadas soluções para reforçar a capacidade de internamento e as equipas de profissionais de saúde”.