A entrada do Chega no panorama político nacional provocou uma mudança eleitoral profunda e contrariou as previsões dos «especialistas», que prontamente classificaram o partido como um fenómeno passageiro.
Acontece que a mudança é como o vento e a sua força tornou-se um turbilhão. O partido liderado por André Ventura teve uma subida fulgurante e hoje é o segundo mais representado na Assembleia da República.
A mais recente demonstração desta alteração estrutural foi o resultado das eleições presidenciais. A diferença não esteve apenas na extraordinária participação dos eleitores ou no número de candidatos, como também não se resumiu à passagem à segunda volta de André Ventura com uma votação considerável ou ao esperado alinhamento dos figurões do centro com António José Seguro. O principal resultado foi a definição clara de uma linha divisória entre dois blocos com matrizes civilizacionais opostas.
É irónico, mas esclarecedor, que políticos, a imprensa e tantos comentadores usem «humanista» para louvar Seguro e «populista» para denegrir Ventura, porque tais adjectivos reflectem descrições acertadas de ambos. O primeiro tem uma concepção de Portugal como «Humanidade», isto é, uma projecção abstracta em que tudo e todos cabem, baseada em direitos universais e utópicos. Já o segundo tem uma ideia concreta de que o País é dos Portugueses, isto é, do seu Povo, portador de uma cultura única e herdeiro de uma História que honra e que, preservando a linhagem, sente o dever continuar.
Assim, o nosso país não se resume a um mero território, uma espécie «porto franco» em que todos podem atracar quando quiserem e chamar casa. Portugal existe enquanto nação, mesmo espalhada pelo mundo. A diáspora portuguesa sabe-o melhor que ninguém. Não é, assim, de espantar que na primeira volta os resultados de Ventura nos círculos eleitorais do estrangeiro se tenham destacado dos demais candidatos. Os emigrantes portugueses conferiram a impressionante parcela de 41% dos votos ao candidato «populista», ou seja, o candidato que defende o seu povo.
No dia 22 de Janeiro, perto de Zurique, André Ventura levou a sala apinhada ao rubro. Entre Portugueses que não esquecem a sua terra, muito menos perdem o amor pátrio, ouvi histórias de êxito, mas também de muito esforço e trabalho. Compreendi as suas legítimas preocupações e os problemas que vivem, mas impressionou-me sobretudo a coragem e a determinação que não perdem. Além da certeza da vitória! Entre compatriotas de todas as faixas etárias e origens sociais, além de regionais, estive em casa. Aquele espaço tornou-se um Portugal em ponto pequeno, com todas as suas diferenças, mas onde o sentimento de comunidade é mais forte.
Não há Portugal sem Portugueses. Mais que ideias, é o nosso povo que nos move. Mais que discursos e palavras de ordem, líderes e seguidores, o que realmente importa é o movimento popular orgânico que se sente em toda a sua força. 𝐴𝑙𝑒𝑎 𝑖𝑎𝑐𝑡𝑎 𝑒𝑠𝑡!