O Sacríficio do Ultramar Merece Mais que Esmolas

Poderia optar por uma retórica mais inflamada para captar atenções imediatas, mas o respeito e a profunda solidariedade devidos a estes heróis, impõem-me começar com um verso da obra de La Mort du Loup, Les Destinées (1864) de Alfred de Vigny:
“[…] Gemir, chorar, rezar é igualmente cobarde. Executa energicamente a tua longa e pesada tarefa No caminho onde o Destino te quis chamar. Depois, como eu, sofre e morre sem falar”.

Estes heróis são os homens e as mulheres que combateram e sobrevieram aos tormentos das guerras do Ultramar. Regressaram de fisicamente, mas não em pleno, alguns ainda acordam sobressaltados por pesadelos de horrores presenciados e por vezes… cometidos,
pois, a guerra, por mais nobre que seja a causa, continuará sempre a ser um negócio sujo e cruel.

Os mais afortunados constituíram família e seguiram com a vida, mas deixaram certamente um pedaço de si nos diversos Teatros de Operações das ex-províncias ultramarinas. Como ex-militar com sete anos de serviço nas Forças Armadas Portuguesas, sinto um profundo respeito e admiração por estes heróis. Muitos partiram sem instrução militar adequada, equipamento suficiente ou plena consciência do que os esperava, honraram Portugal… com o sacrifício da própria vida.

Recordo-me da cerimónia pública de juramento de bandeira, momento que ainda hoje me comove, quando pensei que, se a Pátria assim o exigisse, também eu teria de cumprir com aquele compromisso de honra e dignidade. Sem renegar o juramento que fiz e que não me arrependo, dói-me o abandono que estes Combatentes foram votados. De tempos a tempos, surge uma «esmola de consolação», como o aumento de cerca de 4,3€/mês em 2026 e idêntico valor em 2027 para o Complemento Especial de Pensão, por cada ano de serviço efetivo (normalmente dois anos), atribuído apenas aos que auferem a pensão social mínima de 255€/mês ou equivalente rural.

Além desta esmola aviltante, incomoda-me que os partidos tradicionais só tenham dado atenção séria aos Antigos Combatentes após o surgimento do CHEGA, Partido que, ao contrário dos restantes, sempre defendeu honrar o seu sacrifício através do aumento do valor relativo ao complemento Especial de Pensão em 300 euros por mês e consequente possibilidade de acumulação de benefícios, projeto de Lei que, todavia, foi rejeitado.

É confrangedor escutar os nossos governantes proferirem pomposas intervenções sobre o “reinvestimento da Defesa” e a “Base Tecnológica de Defesa” , sem, contudo, aludirem a apoios sociais concretos e dignos para estes veteranos.

Pergunto-me se a elite política que teima em ignorar e desrespeitar o sacrifício feito por estes homens e por estas mulheres, teria a mesma coragem para servir a Pátria em conflitos de alta intensidade… infelizmente, eu creio que não.

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