“Acabou a brincadeira!”: conduta do advogado de Sócrates participada à Ordem

O tribunal que está a julgar José Sócrates ordenou a participação à Ordem dos Advogados da conduta do advogado do antigo primeiro-ministro, por considerar que esta foi hoje ofensiva dos deveres deontológicos daqueles profissionais.

© LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Em causa está o facto de Pedro Delille ter presumido que a sessão iria começar mais tarde do que o agendado e ter chegado atrasado ao julgamento, tendo José Sócrates sido representado, durante cerca de meia hora, por uma advogada oficiosa na audiência.

Para as 9h30 de hoje estava marcada a inquirição, enquanto testemunha, da mãe do antigo primeiro-ministro, que não compareceu, depois de, na quarta-feira à tarde, Pedro Delille ter apresentado um atestado médico no qual é referido que o estado de saúde da idosa, de 94 anos, não permite que esta se desloque a tribunal.

Segundo a presidente do coletivo de juízes, Susana Seca, o advogado justificou por telefone que estava atrasado porque presumiu que, face à apresentação do atestado, a sessão iria começar mais tarde.

Já no julgamento, o causídico tentou explicar o atraso ao tribunal e apresentar um protesto, tendo sido impedido de o fazer pela magistrada.

“Não me vai ralhar”, retorquiu Pedro Delille, com a juíza a ripostar que “acabou a brincadeira”.

O tribunal comunicou igualmente à Ordem dos Advogados o atraso do mandatário da ex-mulher de José Sócrates, Filipe Baptista, por ter assumido que este sabia que a mãe do antigo primeiro-ministro não iria comparecer.

O advogado garantiu ao tribunal que não foi por esse motivo que não compareceu às 09:30, mas sim devido a um contratempo pessoal.

Sofia Fava foi também representada no início da sessão por uma advogada oficiosa.

Já a mãe de José Sócrates, Maria Adelaide Monteiro, terá três dias para justificar a falta de hoje, uma vez que não existe no processo qualquer procuração que permita que seja representada pelo advogado do filho.

José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar em dossiês distintos o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.

No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que lhe são imputados.

O julgamento decorre desde 3 de julho no Tribunal Central Criminal de Lisboa e tem sessões agendadas pelo menos até 18 de dezembro de 2025.

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