Greve geral congela serviços essenciais. Ventura culpabiliza o Governo: “casmurro e teimoso”

Hospitais sem equipas, comboios imobilizados, metro fechado, autocarros nas garagens e lixo por recolher em várias cidades. A greve geral convocada pela CGTP e UGT (a primeira desde 2013) está a provocar um bloqueio nacional sem precedentes.

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Portugal despertou esta quinta-feira, 11 de dezembro, para uma paralisação convocada pela CGTP e pela UGT. A primeira ação conjunta desde 2013 está a ter um impacto profundo em setores essenciais como saúde, educação, transportes, serviços públicos e recolha de resíduos. André Ventura, presidente do CHEGA e candidato à Presidência da República, interpreta esta greve como o reflexo direto de escolhas erradas feitas pelo Governo.

Ainda antes das 6h00, o balanço inicial da CGTP revelava um cenário de adesão esmagadora: 100% na Maternidade Alfredo da Costa, 100% no serviço de urgência da ULS de São José e paralisações expressivas em hospitais de Loures, Elvas e Portalegre. Nos transportes, o país encontra-se praticamente paralisado: CP, Metropolitano de Lisboa, Transportes Coletivos do Barreiro e oficinas da Carris registam adesão total. A recolha de lixo falhou em municípios como Lisboa, Amadora, Setúbal, Palmela, Moita, Évora e Viana do Castelo. Há serviços e fábricas a funcionar, mas apenas de forma residual.

É neste contexto de paralisação nacional que André Ventura surge a interpretar o momento como um sinal inequívoco de falha governativa. “Esta greve só acontece porque o Governo foi casmurro, teimoso e quis desrespeitar quem trabalha”, declarou Ventura no podcast Política com Assinatura, da Antena 1.

Para o líder da oposição, a origem do problema é política e está identificada: “o Executivo seguiu uma linha liberal que transmite aos trabalhadores a sensação de insegurança total, de que podem ser despedidos a qualquer momento e de que os seus direitos estão em risco.”

Ventura enquadra a greve não apenas como uma reação laboral, mas como um alerta social que o Governo ignora a seu próprio risco, e defende que, ao avançar com um anteprojeto de reforma laboral sem diálogo real e sem salvaguardar a estabilidade dos trabalhadores, o Executivo de Luís Montenegro perdeu contacto com o país que efetivamente produz, trabalha e sustenta o Estado. A greve, argumenta, é a “consequência natural desse afastamento.”

O presidente do segundo maior partido vincou ainda que o Governo falhou “na prevenção, no diálogo e no respeito pelos trabalhadores. E a greve geral, que hoje pára o país, é a prova mais evidente disso”.

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