IRS muda, mas só para alguns: classe média volta a ser ignorada

Enquanto os rendimentos mais baixos recebem apoios e os mais altos sentem alívio fiscal, a maioria das famílias fica quase na mesma. Um estudo oficial mostra que o impacto das medidas fiscais de 2026 ignora, mais uma vez, a classe média.

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As alterações fiscais e o reforço de alguns apoios sociais terão, em 2026, um impacto desigual no rendimento das famílias. Um estudo do Ministério das Finanças, a que o Correio da Manhã (CM) teve acesso, mostra que os maiores beneficiários serão os pensionistas com rendimentos mais baixos e os contribuintes com salários mais elevados.

Segundo a análise, cita o CM, a atualização dos escalões do IRS e a redução das taxas marginais favorecem sobretudo os contribuintes do último decil — aqueles com rendimentos médios anuais na ordem dos 32 mil euros — que verão o seu rendimento disponível crescer cerca de 0,5%. Em contraste, a metade mais pobre da população terá aumentos inferiores a 0,1%, em grande parte porque muitos destes agregados já não pagam IRS.

A redução das taxas entre o segundo e o quinto escalões só produz efeitos relevantes (acima de 0,1%) para quem aufere rendimentos médios a partir dos 12.500 euros anuais, deixando novamente a classe média baixa com ganhos marginais.

Do lado social, o Complemento Solidário para Idosos (CSI) é a medida mais eficaz: os 20% mais pobres registam aumentos de rendimento entre 1,4% e 1,7%, enquanto os escalões mais altos quase não sentem efeitos.

Em resumo, o estudo conclui que o sistema beneficia os extremos (os mais pobres e os mais ricos) e volta a deixar a classe média para trás.

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