Marcelo pede apoio às misericórdias e rapidez a reestruturar SNS

O Presidente da República pediu hoje apoio financeiro sustentado do Estado às misericórdias, considerando que não deve ser feito “com bochechos”, e que o Governo acelere a reestruturação do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Marcelo Rebelo de Sousa discursava no Congresso Nacional das Misericórdias, no auditório da Ordem dos Contabilistas Certificados, em Lisboa.

Com o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, e o presidente do PSD, Luís Montenegro, na primeira fila da assistência, o chefe de Estado defendeu que deve haver em relação às misericórdias “uma opção de fundo, que convinha que não fosse de um Governo, que fosse estrutural, que fosse de regime”.

Segundo o Presidente da República, “o Estado precisa hoje dramaticamente das misericórdias, e as misericórdias precisam hoje dramaticamente do Estado”, e é preciso assumir esta “viragem de paradigma”.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que, se o Estado “tem de se socorrer dessas instituições”, então “tem de lhes proporcionar os meios”, deve estabelecer até onde pode ir, por exemplo, no financiamento de cuidados continuados, “mas naquilo que cobre, cobre sustentadamente”.

“Não pode ser apenas de quando em vez, quando há uma degradação pontual e uma degradação acentuada da situação financeira das misericórdias que o Estado se lembra que é preciso acorrer às misericórdias, e lembra-se depois de anos de protesto das misericórdias”, considerou.

“Não pode ser com bochechos de três em três anos, de dois em dois anos, coincidindo ou não com ciclos eleitorais ou apenas com a aflição do momento. Não é possível”, reforçou.

Dirigindo-se às misericórdias, o Presidente da República referiu que o financiamento do Estado “tem um preço: a fiscalização”, porque “na medida em que o Estado utiliza recursos públicos, que significa que o setor social passa a ser financeiramente de forma sustentada mais dependente do Estado, também tem de ser mais controlado pelo Estado”.

A meio desta intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou para dizer ao ministro da Saúde que espera que “se acelere” a reestruturação do SNS, observando: “Não há nada pior do que estar a meio da ponte, não agrada nem a um lado nem a outro”.

“É uma aposta que eu apoiei, mas é preciso que chegue ao outro lado da ponte”, acrescentou.

Últimas de Política Nacional

Vários partidos do sistema, nomeadamente o PS e o VOLT, estão empenhados em tentar impedir a presença do CHEGA nas próximas eleições autárquicas.
O Chega quer proibir a exploração económica das áreas ardidas durante 10 anos e a venda de madeira queimada, aumentar as penas para os incendiários e a criação de um fundo de apoio às famílias dos bombeiros.
O líder do Chega considerou hoje que o Presidente da República foi "extremamente imprudente" quando disse que o seu homólogo dos Estados Unidos funciona como um "ativo soviético", acusando-o de "a perder credibilidade".
O líder do Chega, André Ventura, colocou hoje cinco condições ao Governo para negociar o próximo Orçamento do Estado, incluindo uma redução da carga fiscal, aumento das pensões ou mais verbas para as forças de segurança.
O líder do Chega, André Ventura, criticou hoje o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmando que não sabe ser líder, dar a cara ou desempenhar o cargo, a propósito da forma como o Governo lidou com os incêndios.
O presidente do Chega, André Ventura, acusou hoje a ministra da Administração Interna de incompetência na gestão do combate aos incêndios que têm afetado o país e desafiou o primeiro-ministro a admitir "que falhou" nesta matéria.
O Chega vai forçar a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito sobre os incêndios rurais, anunciou o partido na terça-feira à noite.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, vai hoje à Comissão Permanente da Assembleia da República para debater a coordenação do combate aos incêndios em Portugal, depois de os partidos da oposição terem feito críticas unânimes à atuação do Governo.
A Comissão Permanente da Assembleia da República debate na quarta-feira a situação dos incêndios em Portugal, após a oposição ter feito críticas unânimes ao Governo e o primeiro-ministro ter-se manifestado disponível para prestar esclarecimentos.
O presidente do Chega aconselhou ontem o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a sair do gabinete e a ir ao terreno, acusando-o de fazer uma "má gestão" dos incêndios.