Na Justiça stress afeta mais os juízes, que admitem recorrer a álcool e drogas

Os juízes estão mais sujeitos a stress profissional do que advogados e procuradores e recorrem mais a apoio psicológico e psiquiátrico para lidar com o problema, mas também a ansiolíticos, antidepressivos, álcool e drogas, revelou um estudo.

Aplicado a 690 profissionais forenses — 342 juízes; 282 advogados; e 66 procuradores, nas três profissões maioritariamente mulheres — o estudo procurou avaliar o nível de stress ocupacional e burnout nestas profissões, identificar as fontes do problemas assim como as estratégias adotadas para lidar com o problema (`coping`).

Impulsionado pela Associação de Juízas Portuguesas (AJP), o estudo teve o apoio do Conselho Superior da Magistratura, da Procuradoria-Geral da República e da Ordem dos Advogados na divulgação aos profissionais

Segundo os dados recolhidos, à data do estudo 57 juízes tinham acompanhamento psicológico, assim como 22 advogados e três procuradores. 60 juizes afirmaram já ter beneficiado desse acompanhamento no passado, assim como 40 advogados e seis procuradores.

As proporções são semelhantes para o acompanhamento psiquiátrico, com 71 juizes a afirmarem estar a ter este tipo de assistência, assim como 22 advogados e 10 procuradores.

Quanto à toma de medicação, a toma de ansiolíticos e antidepressivos é também mais prevalente entre juízes, sendo esta classe profissional também aquela que mais reconhece o recurso a substâncias ilícitas e álcool para lidar com o stress no trabalho: 39 juizes admitiram recorrer ao consumo de álcool e 30 reconheceram o uso de substâncias estupefacientes, como haxixe e cocaína.

“Estes dados afiguram-se alarmantes, dado o risco de colocarem em causa o princípio da Integridade, exposto no Código de Conduta destes profissionais, que indica que `os magistrados judiciais se empenham em preservar a dignidade da função judicial, pressupondo que a mesma exige uma conduta pessoal e profissional que a não ponha em causa`”, lê-se nas conclusões do estudo, que aponta ainda diferenças substanciais para advogados e procuradores, com valores residuais de reporte de consumos de álcool e drogas.

Os dados revelam ainda diferenças estatísticas significativas entre estas três profissões nos níveis de stress, “o que sugere que as características específicas das tarefas desempenhadas por estes profissionais poderão ser causadoras de diferentes níveis de stress”.

“A título de exemplo, os níveis superiores de stress em juízes poderão dever-se ao facto de estes, ao contrário das outras duas profissões, proferirem decisões que acarretam, necessariamente, influência e impacto direto na vida dos cidadãos, detendo mais responsabilidades e com pressões associadas aos prazos e às estatísticas e pendências monitorizadas pelo próprio sistema eletrónico Citius [sistema informático dos tribunais]”, referem os autores do estudo nas conclusões.

“A ênfase colocada, nos últimos anos, nas estatísticas e nas pendências (índice de produtividade) carrega, inevitavelmente, uma maior sobrecarga psicológica e física assente numa lógica focada nos números, ao invés da especificidade e complexidade de cada processo `per si`. Desta forma, um processo de maior exigência, quer de tempo, quer de estudo (jurídico e de outras ciências forenses), pode comprometer a cadência de produtividade e, assim, causar e/ou reforçar a sobrecarga psicológica acima referida”, acrescenta-se.

O estudo identifica ainda pontos comuns causadores de stress às três profissões, como o medo de errar, ou estratégias de `coping` como ler apenas as conclusões de um relatório pericial, por falta de tempo. No caso dos juízes, revelou-se ainda uma tendência para toma de medicamentos para a hipertensão, mostrando que o stress ocupacional tem consequências na saúde física.

Para os autores do estudo, “os resultados põem em evidência as fragilidades do sistema da Justiça, em termos de saúde mental e realização profissional”, estão em linha com resultados internacionais e apontam a “necessidade de intervir atempadamente sob os sintomas de stress” para “evitar o desenvolvimento de patologias mais gravosas, como é o caso do `burnout`”.

“As manifestações inerentes a tal quadro psicopatológico repercutem-se na prestação laboral destes profissionais (capacidade analítica, tomada de decisões), podendo culminar em períodos de baixa médica, absentismo laboral e abandono da profissão, com inevitáveis repercussões no funcionamento da Justiça, incluindo os prazos legais”, alertam.

O estudo aponta uma falta de escrutínio do stress profissional em profissões forenses em Portugal e refere que os níveis identificados neste levantamento podem ser explicados por fatores como “a perceção de sobrecarga de trabalho, os horários extensivos, a falta de meios e a falta de suporte técnico/profissional e social”.

“Os resultados obtidos no presente estudo sugerem que uma percentagem considerável de profissionais forenses já se encontra num nível elevado a muito elevado de stress”, lê-se nas conclusões, que indicam a necessidade de um estudo alargado a mais profissionais da Justiça, como os do Instituto de Medicina Legal, com um objetivo preventivo de evitar “uma escalada de sintomas” e identificar quem já esteja num “nível crítico” e em risco de desenvolver `burnout`.

Últimas do País

Operação avaliada em 380 milhões de euros coloca o Estado como segundo maior acionista de referência da REN. O preço acordado representa um prémio superior a 55 milhões face à cotação da participação quando Montenegro anunciou o negócio.
A mãe do menino de três anos encontrado sozinho na madrugada de ontem nas escadas do prédio em que vive, em Braga, já foi localizada e constituída arguida, disse fonte da PSP à Lusa.
O primeiro fogo não atingiu as instalações partidárias e levou ao corte da eletricidade. Três horas depois, um novo foco surgiu dentro da sede e destruiu mobiliário, arquivos e equipamentos.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou no primeiro semestre deste ano 3.673 acidentes com motociclos, que causaram 52 mortos e 342 feridos graves, informou hoje aquela força de segurança.
Requerimento do CHEGA levou o Governo Regional a abrir os números da habitação pública: 1.031 agregados estão em incumprimento, 775 acumulam dívidas há mais de um ano e 106 imóveis encontram-se ocupados ilegalmente ou afetos a realojamentos provisórios. Dívida média entre incumpridores ascende a 2.457 euros.
A PSP do Porto anunciou hoje a apreensão de 4.763 artigos pirotécnicos com um NEQ (Quantidade Líquida de Explosivo) aproximado de 500 quilogramas, num estabelecimento de pirotecnia encerrado há vários anos, por suspeita de laboração sem alvará, na Trofa.
A administração do Hospital São José revelou hoje que os casos sociais estão a bloquear a capacidade de internamento na unidade e a aumentar a pressão nas urgências, que na semana passada tiveram uma procura média de 460 doentes/dia.
O INEM identificou e corrigiu os procedimentos operacionais que levaram ao acionamento dos bombeiros de Guimarães para socorrer um homem em paragem cardiorrespiratória nas Taipas, que acabaria por morrer, em vez da corporação local, mas não os revela.
Suspeito terá abordado a vítima no Retail City Park, em Torres Novas, na madrugada de terça-feira, onde terá consumado o roubo e iniciado o rapto, tendo a violação ocorrido posteriormente em local ainda por apurar. Homem já foi localizado e detido.
Um menino de três anos foi encontrado sozinho na madrugada de hoje nas escadas de um prédio em Braga, onde estava desde o fim de semana à guarda da irmã, de 15 anos, disse fonte policial.