Idosos abandonados pelas famílias e pelo Estado definham nos hospitais

Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde estão a braços com uma gigantesca crise como há décadas não se via em Portugal.

© Folha Nacional

À falta de médicos, enfermeiros e restante pessoal hospitalar soma-se a ausência de condições dignas nas infraestruturas, que deixam muitos pacientes deitados em macas nos corredores e, muitas vezes, sentados no chão por falta de lugares, já para não falar nas longas horas de espera que têm de suportar nas urgências.

Mas, para além desta crise, existe também um enorme drama social que é o abandono de idosos nos hospitais.

O Barómetro de Internamentos Sociais de 2023, citado pelo Expresso, dá conta de um aumento exponencial do número de idosos abandonados nos hospitais quando comparado com o ano transato.

Enquanto em 2022 houve registo de 1048 casos de idosos que estavam internados nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde sem razão clínica para tal, este ano o número já está perto dos 1700, o que representa um aumento na ordem dos 22%.

De acordo com os dados disponíveis, não só aumentou o número de pessoas da terceira idade internadas sem motivos clínicos, como também subiu a média de dias que passam nestas condições nos hospitais. No ano passado, a média de permanência num hospital para idosos com alta era de 29 dias. Porém, este ano o número subiu para uma média de 69 dias.

Além do abandono que está patente nestas situações, os internamentos sociais – internamentos de pessoas sem razão clínica para tal – acarretam outros problemas. Desde logo os custos financeiros que, em 2022 se cifraram em 19,5 milhões, mas este ano atingirão os 52 milhões de euros.

Mas não só. Estes internamentos sociais retiram camas disponíveis ao SNS o que, por sua vez, atrasa cirurgias programadas, o que tem consequências nefastas para os restantes utentes do SNS.

E, se por um lado, estes internamentos sociais se devem às fracas condições económicas dos idosos e ao abandono dos mesmos pelos seus familiares, por outro lado também são uma consequência do estado em que se encontra a rede pública de lares residenciais. 

Muitos dos idosos que ficam meses a fio nos hospitais aguardam por uma vaga num lar da Segurança Social que tarda em chegar. O facto de receberem pensões muito abaixo dos preços praticados em Portugal impossibilita a sua entrada em lares do setor privado, acabando então por ficar internados nos hospitais – lugares que se tornam na sua casa.

A par das questões económicas, há outro fator que contribui de forma decisiva para este flagelo: o desrespeito pelos idosos.

Vivemos atualmente uma sociedade que não respeita a autoridade e, menos ainda, os idosos. Quando os estudos referem que o abandono de idosos nos hospitais aumenta na época do Natal e de férias, isto mostra que há uma total desconexão emocional para com os mais frágeis. 

No entanto, o Estado é o primeiro a abandonar os idosos quando não cumpre o que está estipulado no artigo 72º da Constituição da República Portuguesa e que determina, no seu número 1, que “as pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem e superem o isolamento ou a marginalização social”.

Esta ideia é defendida pela APAV no seu relatório de 2020 denominado ‘Portugal Mais Velho’ e no qual se lê que o “abandono pelo Estado é uma forma de violência estrutural, que se traduz na incapacidade de resposta adequada ao fenómeno do envelhecimento, deixando aquele de prestar assistência e proteção às pessoas idosas que delas necessitam”.

As condições dos lares da rede da Segurança Social são demonstrativas disto mesmo, tal como é a ausência destas residências para os mais velhos quando estes pagaram impostos toda a sua vida. Chegando à velhice, seria expectável que os idosos pudessem descansar num lar proporcionado pelo Estado, mas isso não acontece, o que leva a que as famílias, seja por não terem condições económicas para tratar dos idosos, seja por total ausência de empatia pelos mais velhos, os abandonem à sua sorte nos hospitais.

Últimas do País

O ex-presidente do Júri Nacional de Exames disse, esta quarta-feira, que os problemas de digitalização dos exames nacionais já tinham ocorrido durante o projeto-piloto, mas a tutela não pediu um balanço nem existiram as habituais reuniões de avaliação.
Desacatos rebentaram em plena Avenida Teófilo de Braga durante as festas em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem. Militares da GNR foram agredidos durante a intervenção, obrigando à mobilização de reforços e ao encerramento antecipado das festividades. Duas armas brancas foram apreendidas.
Suspeito de 21 anos terá ido buscar uma pistola ao carro depois de ser retirado do estabelecimento e disparado várias vezes contra funcionários. PJ apanhou-o no Porto após semanas em paradeiro desconhecido.
Despesas ultrapassaram as receitas e Tribunal de Contas recusou homologar as contas municipais de 2023. Autarcas do PS foram multados em 2550 euros cada.
Tem oito anos, vive em Almada e deveria frequentar o 2.º ano, mas continua inscrita numa escola da Maia e surge como tendo transitado diretamente do 1.º para o 3.º ano. Família tentou transferir a criança para perto da nova residência, mas o processo não foi concretizado.
Quatro em cada 10 portugueses (42%) dizem ter abandonado uma atividade online em agosto devido ao mau desempenho da rede, revela um estudo realizado pela Netsonda a pedido da DE-CIX hoje divulgado.
A União Europeia (UE) quer criar uma frota de combate aos incêndios, cada vez mais intensos e frequentes, tendo convidado bombeiros e operacionais de emergência para liderar este trabalho, anunciou hoje a presidente da Comissão Europeia, em Estrasburgo.
O incêndio em mato e montado que deflagrou na terça-feira à tarde no concelho de Portel, distrito de Évora, continua hoje ativo, com uma frente que está a ceder aos meios, revelou a Proteção Civil.
O líder do CHEGA denuncia atrasos na comissão de inquérito à gestão do antigo diretor nacional da PJ e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, e defende: “Não vejo nenhum motivo para que [a CPI] não seja aprovada.”
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) revelou hoje que o curso de formação de Guardas que decorria em Portalegre "foi interrompido", devido à "existência de uma praga de percevejos" nas instalações.