PJ deteve em Lisboa suspeito de burlas “olá pai, olá mãe” e apreende milhares de cartões SIM

Em comunicado, a PJ adianta que "foi dado cumprimento a um mandado de busca domiciliária e detido, em flagrante delito, um cidadão estrangeiro, pela prática do crime de burla qualificada".

©facebook/pjudiciaria

A Polícia Judiciária (PJ) deteve em Lisboa um homem de 41 anos suspeito do crime de burla qualificada através do WhatsApp, usando as expressões “olá pai, olá mãe”, tendo apreendido milhares de cartões de telemóvel SIM.

Em comunicado, a PJ refere que, através do seu Departamento de Investigação Criminal de Leiria, “foi dado cumprimento a um mandado de busca domiciliária e detido, em flagrante delito, um cidadão estrangeiro, pela prática do crime de burla qualificada”.

“Foram apreendidos sete modems que acoplavam 32 cartões SIM por aparelho, significando que operavam 224 cartões em simultâneo. Esta operabilidade permitia a remessa/receção de mensagens, originando que num dia pudessem ser enviados milhares de mensagens, com os argumentos conhecidos por ‘olá pai, olá mãe’“, esclarece a PJ.

Segundo a PJ, “o suspeito interagia com terceiros, em rede, podendo efetuar esquemas do género no território nacional, bem como noutros países”,adiantando que “a investigação identificou o uso massivo de cartões, concretizável no facto de terem sido apreendidos milhares de cartões, mais de sete mil cartões por utilizar e mais de mil e quinhentos já utilizados em práticas delituosas”.

No comunicado, a PJ afirma que, “no seguimento de uma denúncia, iniciou investigação, titulada pelo Ministério Público de Leiria, tendo por base o fenómeno conhecido” por expressões “olá pai, olá mãe”, burla que está “em crescendo, com vítimas por todo o território nacional e, também, muito disseminado noutros países europeus”.

“As vítimas, muitas delas pessoas de idade avançada, acreditando que estavam a falar com os filhos e que estes se encontram em dificuldades financeiras e/ou a necessitar de concretizar pagamentos urgentes, dispunham-se, de imediato, a efetuar uma transferência/pagamento cujos valores variavam, mas que, nalguns casos, ascenderam a milhares de euros”, lê-se no comunicado.

Na área do Departamento de Investigação Criminal de Leiria, “este tipo de burla supera as 200 denúncias, com valores que, no total, ultrapassam os 100 mil euros”.

Este departamento tem como área de intervenção os municípios de Alcobaça, Batalha, Bombarral, Caldas da Rainha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Óbidos, Peniche e Porto de Mós (distrito de Leiria) e Abrantes, Alcanena, Chamusca, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Golegã, Mação, Ourém, Rio Maior, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha (Santarém), de acordo com o sítio na Internet da PJ.

“Em termos investigatórios, foram estabelecidas coincidências entre inquéritos e notou-se um uso, bastante acentuado, de números de telemóveis, irrepetíveis, de operadoras nacionais, para a prática deste tipo de ilícito”, o que desencadeou “alertas e obrigou ao recurso a meios especiais de obtenção de prova”, acrescenta a PJ.

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