Carris Metropolitana quer ultrapassar 14 milhões de passageiros por mês

A Carris Metropolitana começou em janeiro passado a operar na margem norte do Tejo e, para os seus responsáveis, os desafios para 2024 são “estabilizar a operação”, dar maior “fiabilidade à rede” e ultrapassar 14 milhões de passageiros mensais.

©D.R.

 

“Os números são positivos, portanto, em termos daquilo que são os passageiros transportados, nós neste momento já estamos quase 10% acima daquilo que era transportado antes da entrada em funcionamento da Carris Metropolitana e já em convergência com os dados pré-covid”, afirmou Rui Lopo, administrador da Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), em declarações à Lusa.

A gestora dos transportes coletivos de passageiros rodoviários em 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML), embora Barreiro, Cascais e Lisboa tenham serviços próprios, já está “com perto dos 13 milhões e meio de passageiros em outubro e em novembro”, com uma procura no distrito de Lisboa, face à entrada da Carris Metropolitana, de 40% de aumento.

“O que mostra que as operações estão mais maduras, que as operações estão mais fiáveis, que as pessoas se vão acostumando e associando esta nova realidade – ainda com muita coisa para melhorar, é indiscutível, estas coisas são sempre assim, mas com uma evolução extremamente positiva”, considerou.

Nesse sentido, os desafios para o próximo ano passam por “continuar a estabilizar a operação”, ou seja, otimizar a rede para que seja mais simples e mais clara para as pessoas, reforçar a oferta e “dar muita fiabilidade à rede”, com “o cumprimento dos horários com os operadores”.

Uma vez cumpridos estes desafios, Rui Lopo acredita que se possa ultrapassar a barreira dos 14 milhões de passageiros/mês, nos chamados “meses limpos”, em que a operação decorre sem grandes interrupções provocadas por feriados ou pausas escolares.

De acordo com dados da TML, a que a Lusa teve acesso, na designada área 1, o município da Amadora registou mais de 9,2 milhões de passageiros (681.135 em janeiro/1.066.164 em outubro), Cascais mais de 1,4 milhões (102.286/167.410), embora apenas nas ligações intermunicipais, tal como Lisboa, com mais de 13,3 milhões (1.083.359/1.451.220). Oeiras teve mais de 7,6 milhões (632.104/887.008) e Sintra mais de 16,6 milhões (1.294.637/2.035.810).

Na área 2, Loures registou mais de 15,2 milhões (1.205.836 em janeiro/1.723.023 em outubro), Mafra teve mais de 1,9 milhões (164.458/262.009), Odivelas contabilizou mais de 10,7 milhões (880.659/1.213.649) e em Vila Franca de Xira foram transportados mais de 4,9 milhões (399.415/575.610).

No total, a área 1 registou mais de 48,3 milhões de passageiros (5,95% entre maio e outubro) e a área 2 mais de 32,9 milhões (1,32%). Na denominada Margem Sul (distrito de Setúbal), onde a operação arrancou em junho e julho de 2022, a área 3 (Almada, Seixal e Sesimbra) teve mais de 24,8 milhões (-0,69%), e a área 4 (Alcochete, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Setúbal) mais de 10,4 milhões (7,01%).

Segundo a TML, a Carris Metropolitana passou a gerir 1.700 autocarros, 11 mil carreiras e 20 mil horários por dia, com 12 mil paragens no território da AML, transportando cerca de 600 mil passageiros por dia e percorrendo cerca de 85 milhões de quilómetros por ano.

O administrador da TML sublinhou que, entre os 600 mil passageiros transportados por dia, cerca de “100 mil são crianças, portanto, quando não há escola, há menos 100 mil passageiros na rede”.

Para Rui Lopo, a área 2 encontra-se mais pressionada em termos de operação. A procura tem subido muito em Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira, e “o operador ainda não conseguiu recrutar exatamente todos os motoristas, não os motoristas que eram necessários para o arranque, são os motoristas que, entretanto, já são necessários para conseguir mais oferta”.

“Há aqui uma necessidade crescente de procura a que temos que responder e que o operador tem de conseguir acompanhar, portanto, é um processo sempre em evolução”, admitiu, notando que o concelho com mais passageiros foi Sintra, com pouco mais de dois milhões em outubro.

O representante vincou que “não há nenhum serviço de transportes no mundo que funcione 100% em termos de cumprimento nos serviços”, nem os que têm canais dedicados, como o comboio, e prometeu: “É sempre um serviço de grande tensão e grande pressão, mas estamos cá para servir as pessoas e é essa a nossa missão, servir a mobilidade, ajudar os temas da sustentabilidade e do clima.”

“Começou com alguns constrangimentos, com as dificuldades na contratação de motoristas, as coisas têm vindo a compor-se”, afirmou, por seu lado, a presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa, Carla Tavares, acerca do primeiro ano de atividade na margem norte.

A também presidente da Câmara da Amadora, pelo PS, assegurou que “os operadores continuam muito empenhados na contratação de recursos e isso está a acontecer também neste momento relativamente à área 2, mas o balanço é muito positivo, principalmente sob o ponto de vista do aumento do número de utilizadores”.

“É, sem sombra de dúvida, uma aposta ganha e os desafios da mobilidade na AML são naturalmente para continuar a priorizar. É uma prioridade também, naturalmente, para os 18 municípios”, referiu.

A autarca destacou o facto de os passes e os bilhetes não aumentarem em 2024, e de, a partir de janeiro, se alargar a gratuitidade para jovens e estudantes até aos 23 anos.

“O objetivo neste ano de 2024 continua a ser a estabilidade da operação, a sua credibilização” junto de todos os que utilizam o passe Navegante e a Carris Metropolitana, apontou Carla Tavares.

Últimas do País

Os preços aplicados pela Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) vão subir, pela primeira vez em 15 anos, entre cinco e 10 cêntimos, dependendo das zonas, segundo uma proposta que vai à próxima reunião camarária.
O ministro da Presidência escusou-se esta sexta-feira, 17 de julho, a estabelecer uma meta horária para a afixação das pautas dos exames nacionais do ensino secundário, mas não afastou a possibilidade de ocorrer após o horário de funcionamento das secretarias das escolas.
Um homem de 60 anos foi detido na região de Lisboa por ser suspeito dos crimes de violência doméstica, violação, lenocínio e devassa da vida privada, ficando sob vigilância eletrónica, informou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
Duas pessoas morreram hoje e quatro ficaram feridas na sequência de uma colisão entre três viaturas ligeiras na Avenida da Índia, em Lisboa, disse à agência Lusa fonte da PSP.
O presidente do CHEGA apelou esta sexta-feira ao ministro da Administração Interna para que se demita e saia "pelo seu próprio pé", e pediu "autoridade política" ao primeiro-ministro tendo em conta as "suspeitas graves" que considera haver sobre Luís Neves.
A Polícia Judiciária anunciou hoje que abriu inquérito sobre o reboque apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.
A proposta do CHEGA para proibir a ocultação do rosto em espaços públicos recebeu luz verde da Assembleia da República. O diploma, conhecido como ‘lei das burcas’, foi recebido com uma salva de palmas da bancada do partido, que fala numa vitória da segurança e da ordem pública.
Partido denuncia que autarquia financia ações de sensibilização para a deficiência, mas rejeitou um plano para eliminar barreiras arquitetónicas nos estabelecimentos de ensino.
O partido liderado por André Ventura recebeu queixas de encarregados de educação, esta manhã, porque as notas dos exames não estavam disponíveis à hora prevista.
Dezassete concelhos dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro estão esta sexta-feira em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).