Tânger quer dar a conhecer trabalho dos eurodeputados pelas redes sociais

O cabeça de lista do CHEGA às eleições europeias quer dar a conhecer, através das redes sociais, o trabalho que os eurodeputados do partido farão no Parlamento Europeu.

© Folha Nacional

“Como nós fazemos hoje em dia relativamente às redes sociais, em que fazemos ‘podcasts’, em que nos fazemos filmes, em que fazemos comunicações para os portugueses através das redes sociais, nós vamos fazer exatamente a mesma coisa a partir de Bruxelas com conteúdo diferente”, disse António Tânger Corrêa antes de uma arruada em Albufeira, no Algarve.

O antigo embaixador disse que o objetivo desta interação é também pedir contributos aos portugueses sobre as ações que os eurodeputados devem tomar, além de explicar “o que se passa em Bruxelas”.

“Eu defendi ao longo da minha carreira um grande entendimento entre a diplomacia e os órgãos de comunicação social, antes de haver as redes sociais”, afirmou, justificando que atualmente “as redes sociais são aquelas que atingem mais gente em Portugal”.

Neste arranque da campanha, o CHEGA escolheu passar em terreno onde saiu vencedor nas últimas eleições legislativas. Depois de arrancar em Vila Nova de Milfontes (concelho de Odemira) ao final da manhã, o partido rumou a Albufeira (distrito de Faro) ao final da tarde.

Também em declarações aos jornalistas antes da arruada, André Ventura disse que o objetivo do partido em termos de resultado eleitoral é subir em relação às eleições legislativas de março (18,07 %), sem concretizar um número, e referiu que será “mérito do cabeça de lista e da estrutura do partido”.

“Eu, como presidente, sou o rosto externo do partido, mas estas eleições são dos candidatos à União Europeia. O mérito é deles, o trabalho é deles, eu estou aqui para os apoiar”, afirmou.

O cabeça de lista foi questionado também sobre a polémica que envolve o cabeça de lista do partido de direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD), que considerou ser “errado” afirmar que todos os membros das Schutzstaffel (SS, organização paramilitar ligada ao regime nazi liderado por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial) eram “criminosos”.

Na sequência destas declarações, os eurodeputados deste partido foram excluídos do grupo Identidade e Democracia (ID), o mesmo onde o CHEGA se insere atualmente.

André Ventura não quis comentar esta polémica nem a possibilidade de mudar de grupo, mas Tânger Corrêa disse não se rever nas declarações do candidato alemão e considerou a expulsão “inevitável”.

Quanto ao grupo que os eurodeputados do CHEGA vão integrar, recusou discutir o “sexo dos anjos antes das eleições”.

Nesta arruada por ruas repletas de esplanadas e que terminou junto à praia, a comitiva cruzou-se maioritariamente com turistas que viam o grupo passar e iam perguntando do que se tratava. O líder do CHEGA foi abordado por funcionários e proprietários de estabelecimentos, que o cumprimentavam e pediam fotografias, não dando grande atenção ao candidato.

Para animar a arruada, a comitiva começou a cantar “Tânger vai em frente, tens aqui a tua gente”.

A presença de André Ventura na campanha para as eleições europeias deverá ser uma constante. Neste primeiro dia, o presidente do CHEGA falou aos jornalistas nas duas iniciativas, enquanto o candidato prestou declarações a seguir e depois de interpelado pelos jornalistas.

Durante a manhã, Tânger Corrêa disse ter noção de que não é tão conhecido dos portugueses e recusou qualquer incómodo por ter Ventura a seu lado, dizendo que aproveita “os créditos” da popularidade do presidente do partido.

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