Observatório das Migrações reconhece problemas nos números reais de imigrantes

O Observatório das Migrações (OM) está a concluir um repositório de dados sobre imigrantes em Portugal, para tentar harmonizar a informação estatística com os mesmos critérios, de vários serviços públicos, algo que hoje não sucede.

© LUSA/MIGUEL A. LOPES

“Há um problema nos números reais, ou seja, temos que partir do princípio de que a maioria dos números com que temos trabalhado não refletem a realidade real, por incapacidade do sistema de os recolher ou por falta de comparabilidade entre eles”, afirmou à Lusa Pedro Góis, diretor-científico do OM, à margem de um encontro evocativo do Dia Internacional das Migrações, que hoje se celebra.

E deu um exemplo: “os números de descontos na Segurança Social não são os mesmos números que aparecem nos quadros do Banco de Portugal”.

“São números bastante divergentes”, que “têm a ver com os critérios de inclusão” em cada base de dados e a informação não está harmonizada, explicou.

As conclusões da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) apontam para 1,5 milhões de estrangeiros residentes em Portugal no final de 2024, a partir das autorizações de residência atribuídas, mas Pedro Góis prefere esperar pela avaliação do Instituto Nacional de Estatística para ter a certeza sobre os números.

“O INE está a fazer esta aferição e reequilíbrio estatístico com base nos mesmos indicadores em outros países”, com os padrões internacionais, explicou Pedro Góis.

“Vamos ter que ter alguma paciência porque os números da AIMA foram chegando atrasados”, tendo em conta o processo de extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), o acréscimo de manifestações de interesse, vistos de países lusófonos.

Tudo isso afetou a qualidade dos números, reconheceu, embora salientando que a AIMA só contabiliza as autorizações de residência, mesmo que muitos desses estrangeiros podem já nem viver em Portugal, uma informação que só o INE poderá aferir.

“Estamos a falar de semanas ou de poucos meses” até que o INE produza os seus dados e “ficamos com a certeza de que a série estatística não foi quebrada” e será possível “comparar 2025 com 2015, por exemplo”, porque os critérios serão os mesmos.

A AIMA “recolhe interações e não necessariamente um número sequencial de processos”, explicou, na sua intervenção, Pedro Góis, que disse preferir não comentar os números públicos.

“Não queremos transmitir uma informação da qual não estamos totalmente certos”, disse o responsável, resumindo: “os dados administrativos são da AIMA, os dados estatísticos da população residente estrangeira em Portugal são do INE”.

Mónica Isfan, do OM, explicou o novo ‘dashboard’ de recolha de dados que vai permitir harmonizar a informação estatística sobre imigrantes, salientando que já estão a ser celebrados protocolos de colaboração.

Segundo a técnica da OM, questões como a “migração irregular, mobilidade circular ou trabalho informal permanecem pouco observadas” nas bases estatísticas.

No seu entender, o observatório deve “ser visto num papel de curadoria científica da informação migratória, promovendo a harmonização e a sistematização desta informação”, fazendo a “leitura comparada de todos os dados disponíveis”.

Últimas do País

O Ministério Público (MP) de Coimbra revelou hoje que deduziu acusação contra dois arguidos, uma pessoa singular e uma pessoa coletiva, por alegada apropriação de diversas quantias pertencentes à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Tábua (AHBVT).
A menor e outras três jovens saíram de uma instituição de apoio social, sem autorização, e encontraram-se com os suspeitos num jardim da cidade. Os detidos vão ser presentes a primeiro interrogatório judicial.
O presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC) exortou hoje os jovens a deixarem de seguir 'influencers' que os prejudiquem, no dia em que o instituto lançou um novo canal digital sobre saúde mental.
Meses depois das tempestades que devastaram o país, a resposta do Estado continua longe de chegar ao terreno: a maioria das cerca de 18 mil candidaturas para reconstrução de casas na região Centro ainda nem sequer foi analisada e apenas 200 receberam pagamento.
Camas já custam mais de 1700 euros por mês e vagas praticamente desapareceram. Esperas chegam a mais de seis meses.
Um grupo de cidadãos entrega esta quarta-feira na Assembleia da República uma petição, que conseguiu cerca de 17.000 assinaturas 'online', para defender o "fim da ideologia de género".
Dados do estudo europeu 'Wastewater analysis and drugs – A European multi-city study' mostram subida acentuada de cocaína, anfetaminas e ecstasy, num cenário que contraria o resto do país e preocupa as autoridades.
O rapaz de 14 anos acusado de matar a mãe, a vereadora da Câmara de Vagos Susana Gravato, vai começar a ser julgado à porta fechada no dia 25 no Tribunal de Família e Menores de Aveiro, informou hoje fonte judicial.
O secretário-geral da Câmara Municipal de Lisboa, Alberto Laplaine Guimarães, é um dos quatro detidos hoje no âmbito da operação 'Lúmen', que investiga a prática de alegados crimes económicos, incluindo corrupção, em contratos públicos para iluminações de Natal.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) alertou esta terça-feira que os distritos com maior carência de médicos nos últimos anos foram especialmente afetados pelo aumento da mortalidade infantil e materna em 2024, estimando novos agravamentos em 2025 e 2026.