MP arquiva inquérito à morte de homem em Pombal por alegado atraso do INEM

O Ministério Público arquivou o inquérito à morte de um homem, em novembro de 2024, em Pombal, por não ter sido possivel reunir indícios de um nexo de causalidade entre a demora do INEM e a morte daquele.

©INEM

“(…) Não foi possível reunir indícios suficientes de se verificar um nexo de causalidade entre a demora da intervenção do INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica] e a morte”, lê-se no despacho final da Secção de Pombal do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP), ao qual a agência Lusa teve hoje acesso.

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) considerou, em junho, que a morte do homem, de 53 anos, quando decorreu a greve do INEM, poderia ter sido evitada se este tivesse sido socorrido num tempo mínimo e razoável.

Segundo o despacho final do Ministério Público (MP), “como resulta dos esclarecimentos prestados pelo” Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, “em face da grande variabilidade de ocorrência e prognóstico de um enfarte agudo do miocárdio que evoluiu para uma paragem cardiorrespiratória, como ocorreu no caso dos autos, não permitem de forma segura determinar que a eventual demora na intervenção tenha determinado a morte” da vítima “ou se tal desfecho se teria verificado mesmo com uma intervenção rápida”.

“E, uma vez que não se logrou obter indícios que demonstrem esse nexo de causalidade, não se pode imputar aos médicos do INEM o desfecho trágico que ocorreu”.

Assim, “esgotadas que se encontram todas as diligências pertinentes e possíveis e, por não se vislumbrarem outras pertinentes e tendo em conta a ausência de indícios suficientes quanto à verificação do crime, a decisão não poderá ser outra senão o arquivamento”, acrescentou o MP.

À agência Lusa, o advogado Paulo José Rocha, que representa a família da vítima, disse ter ficado “surpreendido com o despacho, sobretudo depois das conclusões da IGAS”, admitindo que “não estava à espera”.

“Vamos requerer a abertura de instrução com toda a certeza”, acrescentou Paulo José Rocha.

Este caso remonta a 04 de novembro de 2024, dia em decorreu, em simultâneo, duas greves – uma dos técnicos de emergência pré-hospitalar às horas extraordinárias e outra da administração pública.

A IGAS abriu inquéritos para apurar a eventual relação entre 12 mortes e os alegados atrasos no atendimento do Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM, tendo concluído neste caso de Pombal que a morte poderia ter sido evitada.

“Concluiu-se que a morte do utente poderia ter sido evitada caso tivesse havido um socorro, num tempo mínimo e razoável, que tornasse possível a evacuação através de uma Via Verde Coronária para um dos hospitais mais próximos, onde poderia ser submetido a angioplastia coronária numa das respetivas Unidades Hemodinâmicas”, adiantou a IGAS, cujo relatório com as conclusões foi enviado, entre outros, à Secção de Pombal do DIAP.

Foi também remetido ao INEM, para que o conselho diretivo decidisse sobre a instauração de um procedimento disciplinar a uma técnica de emergência pré-hospitalar, por haver indícios da prática de conduta infratória na prestação de socorro à vítima, mas também sobre a manutenção da prestação de serviços a um médico, pela “gravidade dos factos praticados na prestação de socorro à vítima”, e sobre as alterações que considere necessárias ao funcionamento do Sistema Integrado de Emergência Médica.

Últimas do País

O ex-diretor nacional adjunto da Polícia Judiciária Carlos Farinha tomou hoje posse como presidente da Comissão de Proteção às Vítimas de Crimes e alertou para a existência de atrasos excessivos na resposta às vítimas.
André Ventura criticou o Presidente da República por não exigir a demissão da ministra da Saúde após mais um caso de morte associada a falhas do INEM.
O plano que no inverno passado reforçou o INEM com mais 100 ambulâncias não avançou este ano. A decisão é criticada pelos bombeiros e surge num contexto de urgências sobrelotadas e atrasos graves no socorro.
Depois de um homem ter morrido no Seixal sem socorro durante cerca de três horas, o CHEGA vai requerer a audição parlamentar da ministra da Saúde. O partido quer ainda ouvir o presidente do INEM e o diretor executivo do SNS.
O estado do tempo em Portugal continental vai ser influenciado na quinta e na sexta-feira pela depressão Goretti, prevendo-se chuva e queda de neve nos pontos mais altos, indicou hoje o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
As urgências dos hospitais privados registaram, entre o Natal e o Ano Novo, um aumento médio de 20% na procura face ao período homólogo, devido ao tempo frio e ao aumento da oferta, segundo a associação do setor.
Um homem vai ser julgado em Leiria pela alegada prática de 190 crimes de abuso sexual e nove crimes de pornografia, de que terão sido vítimas dois menores, segundo o despacho de acusação hoje consultado pela Lusa.
A Inspeção-Geral da Educação e Ciência abriu processos a instituições que publicitavam pós-graduações e cursos superiores sem autorização legal. Três entidades enfrentam contraordenações e o caso já chegou à Defesa do Consumidor.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um inquérito ao caso do homem que morreu no Seixal depois de ter esperado cerca de três horas por socorro do INEM.
Em apenas 12 meses, os portugueses apresentaram quase 240 mil reclamações. O Portal da Queixa registou um máximo histórico de reclamações em 2025, com logística, telecomunicações e serviços públicos no centro de uma onda de indignação sem precedentes.