Tenente-coronel Tinoco de Faria torna-se mandatário nacional da candidatura presidencial de Ventura

O tenente-coronel Tinoco de Faria, que abandonou a sua candidatura a Belém e declarou apoio a André Ventura, passa agora a assumir um papel central na campanha do líder do CHEGA, como mandatário nacional.

© Folha Nacional

O tenente-coronel Tinoco de Faria é o novo mandatário nacional da candidatura presidencial de André Ventura, presidente do CHEGA, assumindo um papel central na campanha a Belém. A nomeação foi anunciada esta segunda-feira pelo próprio candidato, após a entrega formal da candidatura no Tribunal Constitucional, e marca uma reconfiguração relevante no tabuleiro político das presidenciais.

A nomeação surge na sequência da decisão de Tinoco de Faria de se retirar da corrida às eleições presidenciais, optando por declarar apoio oficial a André Ventura. O militar justificou a escolha com a necessidade de convergência política num momento que considera decisivo para o país, defendendo que a dispersão de candidaturas poderia fragilizar a afirmação de valores ligados à soberania, à identidade nacional e à defesa do interesse de Portugal.

Tinoco de Faria entendeu que o atual contexto político exige unidade em torno de princípios estruturantes da Nação, colocando essa prioridade acima de uma candidatura autónoma. A decisão representa não apenas um recuo estratégico, mas também um reforço direto da candidatura apoiada pelo CHEGA.

André Ventura reagiu de imediato, agradecendo publicamente o apoio e destacando o perfil do novo mandatário nacional. “É um patriota que coloca Portugal acima de tudo”, afirmou, sublinhando que “o caminho do patriotismo é o único possível para salvar o país”.

A oficialização da candidatura foi confirmada nas redes sociais do líder do CHEGA, onde anunciou simultaneamente a nomeação: “Está entregue a candidatura à Presidência da República no Tribunal Constitucional, esta segunda-feira. O tenente-coronel Tinoco de Faria será o meu mandatário nacional. Orgulho desta equipa.”

Com esta escolha, Tinoco de Faria passa a ser o principal representante institucional da candidatura presidencial de André Ventura, assumindo um cargo de elevada responsabilidade política e simbólica. A sua integração confere maior peso à dimensão militar e patriótica da campanha, num momento em que a corrida a Belém entra numa fase de maior definição.

Últimas de Política Nacional

André Ventura deixou esta sexta-feira um desafio direto ao Partido Socialista: apoiar as propostas do CHEGA para baixar os impostos sobre os combustíveis e a aprovar o IVA Zero no cabaz alimentar. O líder do partido acusa o PS de “hipocrisia” e avisa que um chumbo deixará os socialistas sem argumentos depois das posições assumidas durante o verão.
Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.