Num momento em que já são nove as vítimas mortais provocadas pela passagem da depressão Kristin por Portugal, o Governo reuniu-se esta sexta-feira em Conselho de Ministros, em São Bento. No final da reunião, o primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou, em conferência de imprensa, o prolongamento do estado de calamidade até ao dia 8 de fevereiro.
A decisão surge num contexto ainda marcado por fortes constrangimentos no país: milhares de pessoas continuam sem fornecimento de energia elétrica, várias linhas ferroviárias permanecem condicionadas e estradas seguem cortadas devido aos estragos causados pelo mau tempo. A situação poderá agravar-se nas próximas horas, uma vez que o IPMA prevê novo agravamento das condições meteorológicas.
A situação de calamidade foi decretada pelo Governo na quinta-feira com efeitos entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de hoje para cerca de 60 municípios.
Com 13 ministros sentados nas duas primeiras filas da Sala da Lareira – os restantes foram reservados à comunicação social -, Montenegro partilhou as principais decisões relativas à evolução da situação decorrente da passagem por Portugal da depressão Kristin.
“Em primeiro lugar, decidimos prolongar até ao próximo dia 8 de fevereiro a situação de calamidade. Quer isto dizer que se mantém em vigor todas as áreas de coordenação operacional e bem assim as medidas que agilizam procedimentos para enfrentarmos situações de adversidade climática que ainda temos pela frente”, explicou.
No dia 08 de fevereiro, próximo domingo, realizar-se-á a segunda volta das eleições presidenciais, disputadas entre António José Seguro e André Ventura.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, sofreu pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao cair de um telhado que estava a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fechamentos de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do tempo.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo prolongou hoje a situação de calamidade, que vigorava desde as 00h00 de quarta-feira, até dia 08 de fevereiro.
[Notícia atualizada às 17h48]