Criadores de gado no nordeste algarvio preocupados com futuro da atividade

© DGAV

A falta de chuva e de água disponível está a agravar os níveis de seca, impedindo o desenvolvimento de pastagens no campo e a deixar os criadores de gado do Algarve preocupados com o futuro, disse um produtor.

Em declarações à Lusa, Nuno Coelho considerou que a falta de chuva tem afetado o crescimento das pastagens, mas também a diversidade de espécies disponíveis, reduzindo o tempo em que os animais se podem alimentar no campo e obrigando os produtores a recorrer a rações e forragens, aumentando os custos de podução.

“A situação está pior do que no ano passado. No ano passado tivemos um outono/inverno mau, mas depois no inverno/primavera compôs-se, e ainda se safaram as pastagens, mas este ano aconteceu o contrário. Tivemos um outono molhado, que acabou por dar algum alento às barragens, mas desde essa altura, passámos o inverno, a bem dizer, sem chuva”, afirmou.

A situação tem tendência a “ficar cada vez pior”, porque “as plantas não têm o crescimento e desenvolvimento adequado e, ano após ano, a variedade da biodiversidade do banco de sementes no solo é cada vez pior”, justificou.

“Um hectare de terra, para os meus animais, permitia pastar lá durante 15 dias, com muita facilidade, e neste momento, se calhar em três ou quatro dias limpam o terreno”, exemplificou o produtor, que tem um rebanho de cabras de raça algarvia no nordeste algarvio.

Para manter a atividade e “conseguir mais ou menos suportar as despesas”, Nuno Coelho contou que já reduziu “drasticamente” o efetivo, passando dos 130 animais que tinha há três para os cerca de 60 exemplares de caprinos que compõem atualmente o seu rebanho.

“As despesas mantêm-se, ou seja, o negócio já não era muito rentável e, agora, não é de todo rentável”, lamentou, advertindo que é preciso “resiliência” para manter a atividade pecuária no Algarve e contar com outras fontes de rendimento, como é o seu caso, para cobrir as perdas que “ameaçam a sobrevivência” dos produtores.

Nuno Coelho alertou ainda que, se não for assim, “muita gente abandona a atividade ou pensa noutras formas de se manter no território com outras atividades”.

“A chuva não vem, não mandamos nela, e não há grande maneira de inverter isto. Temos de ser resilientes, tentando manter as coisas da melhor forma, adaptando, se calhar, algumas formas de maneio a estas realidades, mas não havendo água, não há vida, e não vejo grande futuro para a atividade pecuária, não só aqui na serra, como em todo o Algarve”, alertou.

Nuno Luís, que também tem um rebanho com cerca de 300 caprinos no nordeste algarvio, próximo da fronteira espanhola e uma das zonas do Algarve mais afetadas pela seca, disse à Lusa que a falta de água e o aumento dos custos está a ameaçar a atividade dos produtores de gado.

“A situação tem estado crítica. Com a falta de água, as pastagens têm secado todas e está muito complicado”, afirmou o produtor, lamentando que as sementeiras de pastagens feitas em outubro não tenham crescido devido à falta de chuva e água.

Nuno Luís explicou que as pastagens “já não vão produzir nada do que deveriam”, porque “ainda choveu em novembro e dezembro, mas agora, na primavera, que devia ter chovido mais, isso não aconteceu” e as plantações não cresceram.

“Tínhamos semeado para o verão, gastámos dinheiro a fazer as plantações, e agora vamos ter de gastar mais dinheiro nas rações e nas palhas”, acrescentou, frisando que a ideia inicial era conseguir alimentar o gado no campo até ao verão, mas “no final de abril já vai estar tudo seco”.

A isto soma-se também a subida de custos de produção, como o das rações, que estão a cerca de 13 euros a saca de 25 quilogramas, quando há três anos se pagavam oito euros por uma saca de 40 quilogramas, assinalou, frisando que isso provoca “um gasto adicional de cerca de 1.000 euros mensais” para alimentar o rebanho.

Os preços pagos por cada cabrito ainda “subiram um pouco”, passando de 45 para 50 euros, mas esse valor “também não é suficiente para cobrir os gastos adicionais”, que estão a tornar a atividade “mais difícil de ano para ano”.

“Antes, tínhamos um ano mau e três ou quatro bons. Agora, temos tido anos maus atrás de anos de maus e a atividade é cada vez mais difícil”, concluiu.

Últimas do País

O procurador-geral da República (PGR), Amadeu Guerra, revelou hoje que estão em curso três inquéritos, um processo no Tribunal de Contas e uma investigação de natureza administrativa sobre casos que envolvem o ministro Luís Neves.
Um homem de 26 anos suspeito de homicídio no Brasil foi detido, em Lisboa, durante uma operação realizada hoje de manhã, anunciou a Polícia Judiciária (PJ).
Vítimas e famílias afetadas pelo descarrilamento do elevador da Glória revelaram, numa carta aberta, que se sentiram "esquecidas" pela Câmara de Lisboa ao longo deste ano, referindo que "o único contacto direto" foi para a inauguração hoje do memorial.
A Polícia de Segurança Pública intercetou em flagrante dois homens, de 28 e 39 anos, suspeitos de tráfico de estupefacientes. A operação permitiu apreender milhares de doses de haxixe, cocaína e heroína, uma pistola, dezenas de munições e 14.800 euros em dinheiro.
Os professores que adiem a aposentação para continuar a ensinar terão uma remuneração extra de 750 euros mensais, mas apenas se não houver docentes que possam garantir essas aulas, segundo o diploma hoje publicado.
O homem suspeito de matar a mulher, ambos de nacionalidade britânica, na terça-feira, no corredor de um hotel em Albufeira, no distrito de Faro, ficou hoje em prisão preventiva, disse à Lusa fonte da GNR.
Um homem de 57 anos foi detido pela PSP e ficou em prisão preventiva por suspeitas de maus-tratos psicológicos e físicos à mulher, incluindo ameaças de morte, em Évora, divulgou hoje o Ministério Público (MP).
As 9,72 bitcoins foram transferidas para uma carteira criada no âmbito da apreensão e desapareceram em quatro movimentos. O casal acabou absolvido, o tribunal mandou devolver os ativos e, quase oito anos depois, continua por esclarecer quem lhes conseguiu aceder.
A Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF) da GNR apreendeu hoje em Setúbal cerca de 400 quilos de cocaína e deteve um homem suspeito de envolvimento numa alegada operação de desembarque de droga, informou aquela polícia.
Todas as semanas a Guarda Nacional Republicana (GNR) interceta cerca de 280 condutores com taxas de alcoolemia consideradas crime, num total acumulado de 8.438 detenções entre 01 de janeiro e 31 de julho.