Manifestação em Lisboa contra a precariedade marca hoje Dia Nacional dos Cientistas

© Facebook/Associação dos Bolseiros de Investigação Científica

O Dia Nacional dos Cientistas é hoje assinalado em Lisboa com uma manifestação contra a precariedade laboral no setor, feita de bolsas de investigação e contratos a prazo.

O protesto, promovido por organizações de bolseiros, investigadores e estruturas sindicais, parte pelas 14:00 da reitoria da Universidade de Lisboa e termina no Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior.

O Dia Nacional dos Cientistas é também assinalado em Évora, onde ao fim da tarde a ministra da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Elvira Fortunato, ela própria cientista, vai encerrar uma conferência promovida pela Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.

A manifestação em Lisboa visa “mostrar que o combate à precariedade é central para os trabalhadores científicos e para a ciência que o país precisa e merece” e para “reivindicar respostas muito concretas e definitivas”, afirmou anteriormente à Lusa Bárbara Carvalho, que dirige a Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC), uma das organizações envolvidas no protesto.

Do caderno reivindicativo, que se repete há vários anos, constam o fim das bolsas e a sua substituição por contratos de trabalho e a abertura de concursos para ingresso na carreira.

Em Portugal, grande parte do trabalho científico é assegurado por bolseiros (que se candidatam a uma bolsa para obtenção, por exemplo, de um grau académico executando um projeto de investigação) e por contratados a termo.

Uma lei, de 2017, determinou que os contratos de trabalho têm um prazo máximo de seis anos, findos os quais os investigadores com doutoramento concluído têm a possibilidade de ingressar na carreira.

As universidades têm manifestado reservas a esta prerrogativa alegando subfinanciamento e preferem contratar professores para a carreira docente.

Recentemente, a ministra Elvira Fortunato anunciou a abertura, este ano, de um concurso de incentivo à integração na carreira científica e docente de investigadores cujo contrato de trabalho tenha terminado ou esteja a terminar.

À saída de uma sessão plenária no parlamento sobre a política setorial de ciência e ensino superior, em abril, Elvira Fortunado disse à Lusa que o aviso do concurso, cofinanciado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pelas universidades, será lançado em julho, mas não adiantou qual o financiamento previsto e quando decorrerá o prazo para a submissão de candidaturas nem quantas vagas serão abertas.

A ministra referiu que o novo concurso da FCT, cuja periodicidade está também por definir, visa garantir a “flexibilidade entre carreiras” docente e de investigação científica, permitindo suprir também as aposentações de professores universitários.

A FCT é a principal entidade, na dependência do Governo, que financia a investigação científica em Portugal, designadamente através de bolsas e contratos de trabalho a termo para investigadores e apoios diretos a projetos e laboratórios.

Segundo os mais recentes dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, em 2021 havia em Portugal 56.365 investigadores, a maioria no ensino superior (universidades ou institutos politécnicos) e em empresas. Os dados não discriminam o vínculo laboral.

Entre 2017 e 2023 foram celebrados 10.206 contratos de trabalho com doutorados, incluindo 5.887 para investigação, de acordo com estatísticas do Observatório do Emprego Científico e Docente à data de segunda-feira.

Do total de contratos celebrados com docentes ou investigadores doutorados, 37,5% são por tempo indeterminado e 61,5% a termo (entre termo incerto e até seis anos).

O Observatório regista 186 contratos para a carreira de investigação científica, 3.216 para a carreira docente e 276 contratos ao abrigo do Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública.

Em 2022 havia 8.598 bolsas de investigação financiadas pela FCT. Segundo a ABIC, haverá mais de 10 mil bolseiros científicos (com bolsas subsidiadas diretamente ou não pela FCT).

O Dia Nacional dos Cientistas, instituído em 2016 pela Assembleia da República, coincide com a data de nascimento do físico e ex-ministro da Ciência José Mariano Gago (1948-2015), cujo ensaio “Manifesto para a Ciência em Portugal” volta a ser editado.

O lançamento da reedição da obra é hoje pautado por três debates com cientistas em Lisboa, Coimbra e Braga sobre “atualidade e ideias para o futuro”.

Últimas do País

Um homem de 70 anos foi detido na terça-feira em Sintra, o distrito de Lisboa por suspeita de crimes sexuais contra quatro crianças e um crime de pornografia de menores, informou esta terça-feira a Polícia Judiciária (PJ).
Cerca de 100 empresas da Região de Leiria afetadas pela depressão Kristin têm candidaturas elegíveis à Linha Reindustrializar, mas a verba esgotou, pelo que ficaram sem apoios para a recuperação, revelou hoje a Comunidade Intermunicipal (CIM).
Os professores estão preocupados com a deterioração dos resultados dos jovens portugueses no estudo internacional PISA 2025, defendendo melhores condições para quem ensina e aprende e mais formação para a integração de dispositivos digitais no ensino.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) resgatou na sexta-feira cerca de 70 animais que se encontravam em condições inadequadas de higiene e bem-estar no interior de uma habitação em Setúbal, informou hoje aquela força de segurança.
O Ministério Público acusou dois homens, de 32 e 42 anos, e uma empresa sediada em Espanha de crimes de auxílio à imigração ilegal e angariação de mão-de-obra ilegal, no concelho de Elvas, foi hoje anunciado.
A Linha SOS Voz Amiga vai disponibilizar 48 horas de escuta contínua para assinalar o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, com um alerta para os homens com mais de 60 anos que precisam de ajuda e raramente a pedem.
Os alunos portugueses tiveram os piores desempenhos académicos de sempre na prova de Leitura do programa internacional PISA, agravando uma trajetória descendente cujos resultados representam já mais de um ano de estudo perdido.
A presença da PSP é reforçada a partir de hoje, e até 25 de setembro, nas imediações dos estabelecimentos de ensino e nos percursos casa-escola e escola-casa dos alunos, professores, pais e assistentes operacionais, no âmbito do Programa Escola Segura.
O Tribunal da Comarca Lisboa Oeste, em Sintra, decidiu aplicar prisão preventiva ao jovem suspeito de, no domingo, ter matado à facada a avó no concelho de Mafra, distrito de Lisboa, disse hoje fonte policial.
Uma bicicleta danificada esteve na origem de uma escalada de violência entre dois grupos de jovens com menos de 16 anos. Depois das primeiras agressões, alguns dos menores foram buscar facas e uma catana e regressaram ao jardim.