Lacerda Sales diz que intromissão da Ordem é “clara ofensa ao Estado de Direito”

O ex-secretário de Estado da Saúde Lacerda Sales considerou hoje que a "intromissão da Ordem dos Médicos" ao pretender avaliar condutas exercidas fora da profissão é uma "clara ofensa ao Estado de Direito”.

© gov.pt

Lacerda Sales manifesta, num comunicado enviado à agência Lusa, a sua “total discordância pela intromissão inqualificável do senhor bastonário da Ordem dos Médicos na atividade governativa ao vir declarar à imprensa que mandou abrir um processo de averiguação ou de inquérito ao Conselho Disciplinar ‘para avaliar, obviamente, os médicos’ inclusive o ex-secretário de Estado da Saúde António Lacerda Sales”.

No seu entender, “a intromissão da Ordem dos Médicos, a reboque da sua tentativa de evidência nos media com o anúncio da avaliação de condutas que são exercidas fora da profissão de médico, é completamente inaceitável e uma clara ofensa ao Estado de Direito”.

“A Ordem dos Médicos [OM] não tem qualquer competência para avaliar o meu desempenho enquanto secretário de Estado, essa está claramente reservada a outros órgãos democráticos e que são eleitos por sufrágio universal”, defende António Lacerda Sales.

Lacerda Sales cita a lei n.º 117/2015 que define no 1.º artigo que a OM é uma associação pública profissional representativa dos que exercem a profissão de médico, no artigo 3.º define as suas atribuições e no artigo 6.º caracteriza “a sua especialidade nas funções a desempenhar e em nenhum desses preceitos se entende que a Ordem dos Médicos pode sindicar, avaliar ou proceder disciplinarmente sobre um membro do governo”.

Cita ainda o Regulamento Disciplinar da OM que “plasma claramente no artigo 1.º que a Ordem deve avaliar o cumprimento dos deveres dos seus membros, portanto dos médicos”.

Relativamente aos factos que vão sendo revelados sobre o denominado “Caso das gémeas”, Lacerda Sales reafirma “de forma clara” que não marcou qualquer consulta nem fez qualquer telefonema para o hospital sobre este assunto, conforme declarou o ex-diretor clínico, Luís Pinheiro numa entrevista que concedeu na quarta-feira na RTP3.

“Mais declaro que não conheço qualquer médico do Serviço de Pediatria desse hospital [Santa Maria] e não tive qualquer contacto com o serviço”, asseguro.

Para Lacerda Sales, estando mencionado que a Secretaria de Estado é que encaminhou as bebés, deve ser o subscritor do relatório clínico do hospital a “vir comprovar objetiva e documentalmente quem encaminhou, como o fez, onde, com quem e porquê”.

Lacerda Sales afirma que “têm sido muitos os ataques à legalidade própria do Estado de Direito num fervor político que ultrapassa em muito o razoável, mas ainda assim desculpáveis por estarem dentro do debate político e da tentativa de ter tempo de antena a todo o custo”.

Defende ser importante apurar “os factos concretos que efetivamente ocorreram e não fazer conjugações indiciárias apenas fundamentadas em jogos lógico-dedutivos que nada apuram em concreto”.

“Naturalmente sei o que fiz e o que não fiz, mas reservei as minhas declarações para momento posterior depois de conhecer toda a atuação da secretaria de Estado que dirigi e sobre a qual tenho a respetiva responsabilidade, pois posso não conhecer algum ato que se tenha verificado”, salienta Lacerda Sales.

Diz ainda que, até ao momento, o Ministério da Saúde ainda não lhe forneceu os documentos que estão arquivados na Secretaria de Estado.

“Atendendo a que os mesmos contêm dados nominativos e deverá ficar demonstrado o meu interesse fundamentado e direto na sua obtenção, dai ainda a minha reserva nos esclarecimentos a prestar”, refere.

Últimas de Política Nacional

André Ventura apontou o dedo ao Governo e questionou a ausência de mudanças estruturais, num momento em que o país enfrenta pressão no custo de vida, nos combustíveis e no acesso à saúde.
A reforma antecipada de Mário Centeno passou de decisão interna do Banco de Portugal para tema central de escrutínio político, depois de o CHEGA ter exigido explicações no Parlamento. O foco está agora nos critérios, nos acordos internos e na transparência do processo.
O debate quinzenal com o primeiro-ministro deverá voltar a ficar hoje marcado pelas consequências da guerra no Médio Oriente, com a oposição a pedir mais medidas ao Governo para atenuar o efeito do conflito na economia.
O escândalo sexual que abalou os Estados Unidos e expôs uma rede internacional de tráfico e abuso de menores pode voltar a ganhar destaque em Portugal. Desta vez, com um pedido político claro: saber se há portugueses envolvidos.
O partido liderado por André Ventura pediu explicações em novembro do ano passado sobre a escalada dos preços dos alimentos. O requerimento foi aprovado, mas meses depois a Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar (PARCA) ainda não apareceu, num momento em que o custo do cabaz alimentar continua a subir e a pressionar as famílias.
A Entidade para a Transparência (EpT) esclareceu hoje que aguarda a notificação dos acórdãos do Tribunal Constitucional (TC) para publicar a lista de clientes da Spinumviva e garantiu que aplicará o mesmo procedimento a outros titulares em situação idêntica.
O líder do CHEGA, André Ventura, acusou esta segunda-feira o PS de bloquear as eleições para os órgãos externos da Assembleia da República e de recusar que o seu partido indique um nome para o Tribunal Constitucional.
A possibilidade de realizar cirurgias de mudança de sexo em menores voltou a entrar no centro do debate político. Desta vez, através de uma proposta apresentada no Parlamento que pretende colocar um limite claro: nenhuma intervenção cirúrgica deste tipo antes da maioridade.
A presidente da Câmara de Benavente, Sónia Ferreira, atribuiu hoje pelouros ao vereador Frederico Colaço Antunes, do CHEGA, após um entendimento político entre a coligação AD (PSD/CDS) e o CHEGA (PSD/CDS).
Meses depois da passagem da tempestade Kristin, algumas estradas da região Centro continuam com problemas de circulação. Entre árvores derrubadas, sinalização danificada e equipamentos destruídos, há troços rodoviários que ainda apresentam constrangimentos para quem ali circula diariamente.