Costa afirma que ocasião fez a decisão de Marcelo interromper a anterior legislatura

O ex-primeiro-ministro António Costa considera que a “ocasião fez a decisão” de o Presidente da República pôr termo “prematuramente” à anterior legislatura e que a direita andava frenética em busca de pretexto para a dissolução do parlamento.

© Folha Nacional

 

Esta interpretação dos acontecimentos que levaram Marcelo Rebelo de Sousa a convocar eleições antecipadas consta do prefácio escrito em 15 de março passado por António Costa para um livro da autoria do ex-presidente do Grupo Parlamentar do PS Eurico Brilhante Dias, intitulado “Palavras escritas”.

Numa alusão indireta à investigação judicial denominada “Operação Influencer”, que conduziu em 07 de novembro do ano passado à sua demissão das funções de primeiro-ministro, António Costa assinala que nunca se saberá “como seria o futuro se o passado tivesse sido outro”.

“O certo é que chegámos prematuramente ao termo desta Legislatura por decisão do Presidente da República. A ocasião fez a decisão, mas desde outubro de 2022 que a direita andava num frenesim na busca de um pretexto para a dissolução”, sustenta.

Para o anterior líder do executivo, sobretudo desde essa altura, assistia-se a “uma corrida em contrarrelógio com o controlo da inflação e a execução do PRR” (Plano de Recuperação e Resiliência).

“A dissolução valeu-lhes uma vitória tangencial, que os deixa nas mãos da direita populista”, realça António Costa neste texto que escreveu cinco dias depois das últimas eleições legislativas.

Em relação a Eurico Brilhante Dias, o ex-primeiro-ministro afirma que “foi um privilégio ter partilhado” com ele quase dois anos de trabalho, “que foram os mais exigentes de oito anos de governação”.

António Costa faz, depois, uma referência indireta ao facto de Eurico Brilhante Dias ter estado ao lado de António José Seguro e não de si nas eleições primárias socialistas de setembro de 2014.

“Somos de gerações diferentes, viemos de desencontros internos, não nos conhecíamos pessoalmente, mas ao longo destes anos o Eurico Brilhante Dias foi dos quadros políticos que mais apreciei conhecer. Pela sua competência técnica, sua capacidade política e, acima de tudo, pela sua personalidade tão serena quanto firme”, escreve.

António Costa conta que surpreendeu Eurico Brilhante Dias, que tinha sido secretário de Estado para a Internacionalização, quando o convidou para as funções de líder parlamentar do PS em março de 2022, depois de os socialistas terem vencido as eleições com maioria absoluta.

“O certo é que não hesitou em assumir o desafio com militante espírito de missão. Da minha parte, pensei que a experiência na liderança parlamentar reforçaria a dimensão politica do seu percurso, nada prejudicando, pelo contrário, que no futuro viesse a assumir funções ministeriais”, referiu.

Para António Costa, em suma, Eurico Brilhante Dias “tem a personalidade adequada à liderança de uma bancada com maioria absoluta, que se quis distinguir pela capacidade de diálogo com as oposições”.

O livro do ex-presidente do Grupo Parlamentar do PS tem 143 páginas de texto e contém alguns dos discursos que proferiu em momentos que considera os mais marcantes da anterior legislatura.

“Com este livro, pretendo deixar um registo histórico do que foram quase dois anos de maioria absoluta do PS no parlamento, salientando avanços em áreas muito importantes. Através da ação do Grupo Parlamentar do PS, destaco o banco de terras, as medidas propostas para fazerem parte da Agenda para o Trabalho Digno, as ordens profissionais e a morte medicamente assistida”, apontou Eurico Brilhante Dias em declarações à agência Lusa.

Nas conclusões do seu livro, o ex-presidente da bancada socialista entende que exerceu funções ao longo de “dois anos muito intensos, assentes em três orçamentos”, num país que está agora “melhor” do que em 2022, “apesar do contexto particularmente difícil”.

A precipitação do fim da anterior Legislatura “interrompeu um projeto político que tinha sido sufragado pelos portugueses e que devia continuar até 2026. Mas como dizia o nosso fundador e militante número um, Mário Soares, só é vencido quem desiste de lutar”, acrescenta Eurico Brilhante Dias.

Últimas de Política Nacional

O candidato presidencial António José Seguro assumiu sem rodeios que usará todos os poderes de Belém para impedir soluções governativas à direita.
Apesar do estado de calamidade decretado em dezenas de concelhos após a tempestade Kristin, António José Seguro afasta qualquer adiamento das eleições presidenciais. O candidato sublinha que o processo já está em curso, lembra o voto antecipado em mobilidade e garante que estão asseguradas condições para votar no próximo domingo, numa posição que contrasta com a defendida por André Ventura.
O partido liderado por André Ventura exige explicações urgentes sobre indemnizações, resposta das seguradoras e atrasos no apoio a famílias e empresas afetadas pelo temporal que deixou mortos, destruição e prejuízos milionários.
O CHEGA quer levar o ministro da Agricultura ao Parlamento para explicar por que razão os agricultores afetados pela tempestade Kristin continuam sem liquidez, apesar das promessas de milhões anunciadas pelo Governo.
André Ventura diz que não existem condições mínimas para eleições e propõe suspender a segunda volta das eleições presidenciais a Belém, enquanto as populações lutam para sobreviver.
O Ministério Público angolano quer Ricardo Leitão Machado como arguido por suspeitas de burla qualificada em negócios avaliados em centenas de milhões de dólares. O empresário é cunhado do ministro da Presidência e está no centro de uma investigação que atravessa Angola, Portugal e os Estados Unidos.
Frederico Perestrelo Pinto, de 25 anos, passará a auferir 4.404 euros brutos mensais, um valor próximo do vencimento de um deputado. Nomeação assinada por três ministros levanta dúvidas.
O candidato presidencial André Ventura pediu hoje ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para cancelar a visita a Espanha, prevista para sexta-feira, para poder estar junto das populações afetadas pelo mau tempo.
O candidato presidencial André Ventura afirmou hoje que parece que o país está "sem rei nem roque", criticando a ida do Presidente da República para fora do país e o não acionamento do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
A ministra da Administração Interna será chamada ao Parlamento para explicar a resposta à tempestade Kristin e as falhas do SIRESP, numa audição exigida pelo CHEGA, depois de relatos de comunicações cortadas e populações isoladas.