Grupo de 23 lesados do papel comercial do BES irredutível na luta pela recuperação integral dos créditos

O grupo de 23 lesados do papel comercial do Banco Espírito Santo (BES) que não aceitaram a solução negociada garantem que vão continuar a lutar pela recuperação da totalidade dos seus créditos e querem agora ser recebidos pelo novo Governo.

© Facebook dos Lesados do BES

“Não queremos nada com os tribunais, porque isso dá zero. Temos andado constantemente a dar conhecimento a todos os grupos parlamentares, Presidência da República e Governo de tudo o que se tem passado e da traição que foi a solução” encontrada, afirmou hoje Jorge Novo, um dos lesados, em declarações à agência Lusa um dia após mais uma audiência com o Presidente da República.

Segundo Jorge Novo, esta terá sido já “a sexta ou sétima” reunião com Marcelo Rebelo de Sousa, a quem o grupo relatou, desta vez, detalhes adicionais do seu “percurso de 10 anos de luta” e da solução que lhes “foi imposta”.

O próximo passo é marcar uma reunião com o primeiro-ministro, Luís Montenegro: “Vou fazer hoje um pedido de reunião com o primeiro-ministro Montenegro para ele poder resolver a nossa situação, porque já basta. Isto é uma questão política”, salientou.

Jorge Novo integra o grupo de 23 pessoas que não aceitaram a solução encontrada para os 2.100 lesados do papel comercial do BES e que passou pela criação, em 2017, de um fundo de recuperação de créditos que permitiu a recuperação de 75% dos investimentos até 500 mil euros (num máximo de 250 mil euros) e 50% dos investimentos acima de 500 mil euros.

“Não assinei esse acordo porque, para mim, foi uma vigarice”, disse à Lusa, explicando que nunca poderia aceitar a “renúncia de direitos” ali prevista e acusando os responsáveis pelo desenho do acordo, nomeadamente os advogados envolvidos, de apenas pretenderem “resolver o problema deles” e obter “honorários e comissões”.

“Foi tudo uma negociata, uma solução desenhada num grupo de trabalho liderado por Diogo Lacerda Machado – é preciso frisar bem este nome, que é o amigo de António Costa”, acrescentou.

“Quero o meu dinheiro todo, na íntegra”, rematou.

O BES desapareceu há 10 anos, tendo a notícia caído com estrondo no domingo, 03 de agosto de 2014, apesar da sucessão de escândalos com o grupo e levou a fortes críticas ao Banco de Portugal (BdP) por atuação tardia.

Logo no dia da resolução do banco, o BdP disse que acionistas e detentores de dívida subordinada teriam perdas uma vez que ficavam no BES (transformado em ‘banco mau’) e não no Novo Banco (criado nesse dia sobretudo para proteger os depósitos).

Perdas tiveram também os detentores de obrigações não subordinadas do BES. Inicialmente, a responsabilidade por essa dívida passou para o Novo Banco, mas, no final de dezembro de 2015, perante a falta de capital do Novo Banco (até porque muitos ativos com que ficou eram afinal ‘tóxicos’, como crédito malparado), o BdP decide fazer voltar para o ‘banco mau’ essa dívida.

A solução encontrada para os lesados do papel comercial deixou de fora clientes das sucursais exteriores do BES (caso de emigrantes da Venezuela e África do Sul) e do Banco Privée (Suíça), que continuam em negociações agora com o atual Governo.

O Novo Banco também fez acordos para soluções comerciais com emigrantes lesados.

Segundo cálculos feitos pela Lusa, até agora, a resolução do BES custou cerca de oito milhões de euros aos cofres públicos, resultando sobretudo da capitalização inicial do Novo Banco (banco de transição criado no mesmo dia da resolução do BES) e das recapitalizações feitas pelo Fundo de Resolução.

Uma década após a queda do BES, o principal processo-crime contra Ricardo Salgado, que esteve mais de 20 anos à frente do BES e do Grupo Espírito Santo, sendo acusado de 65 crimes, deverá arrancar em 15 de outubro.

Últimas de Economia

O valor mediano de avaliação bancária na habitação foi de 2.122 euros por metro quadrado em fevereiro, um novo máximo histórico e mais 17,2% do que no mesmo mês de 2025, divulgou o Instituto Nacional de Estatística (INE).
A ASAE e a ENSE realizaram fiscalizações a 70 postos de combustível tendo aplicado 17 contraordenações por ausência de inspeções periódicas quinquenais obrigatórias, práticas comerciais desleais e irregularidades relacionadas com exatidão nas medições de combustível.
O consumo de gás em Portugal aumentou 11,1% para 45,0 TWh (terawatts/hora) em 2025, face a 2024, mas ficou 20% abaixo da média dos cinco anos anteriores, informou hoje a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
O índice de preços da habitação aumentou 17,6% em 2025, mais 8,5 pontos percentuais do que em 2024 e a taxa mais elevada na série disponível, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os juros da dívida portuguesa subiam hoje de forma acentuada a dois, cinco e 10 anos em relação a sexta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia, Irlanda e Itália, e os da Alemanha acima de 3% no prazo mais longo.
O preço do gás natural para entrega num mês no mercado holandês TTF, referência na Europa, subiu esta segunda-feira cerca de 3%, sendo negociado acima dos 61 euros por megawatt-hora (MWh), devido ao conflito no Médio Oriente.
O déficit comercial de bens entre a zona euro e o mundo aumentou para 1,9 mil milhões de euros, em janeiro, face aos 1,4 mil milhões de euros do mesmo mês de 2025, segundo o Eurostat.
Os preços dos combustíveis em Portugal vão continuar a subir na próxima semana com o gasóleo simples a aumentar cerca de 15 cêntimos por litro, e a superar os dois euros, e a gasolina 95 a encarecer nove cêntimos.
Mais de metade das habitações familiares anteriores a 1960 não sofreram obras de renovação para melhorar a eficiência energética e 30,1% das casas construídas antes de 1945 são ocupadas por famílias em risco de pobreza, indicou hoje o INE.
O relatório final dos peritos europeus confirma que o apagão ibérico foi provocado por falhas em cascata e recomenda reforçar tanto os quadros regulatórios como a coordenação entre operadores da rede e grandes produtores, de forma a prevenir eventos semelhantes.