DEPOIS DA POLÉMICA JÁ HÁ UM NOVO SECRETÁRIO-GERAL DO GOVERNO E TEM 70 ANOS

A posição de novo secretário-geral do Governo ainda não tinha sido definida e o caso já tinha a sua dose de polémica. Além do salário avultado que iria receber o secretário-geral, as alterações cirúrgicas à lei feitas e que permitiriam ao antigo secretário de Estado receber o mesmo que o regulador dos bancos foram também alvo de críticas.

© Folha Nacional

A primeira escolha recaiu sobre Hélio Rosalino. O consultor do conselho de administração do Banco de Portugal (BdP) iria receber cerca de 15.905 euros por mês, o dobro que aufere o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que ganha atualmente um salário bruto de aproximadamente 8.600 euros. De
acordo com o Observador, Hélder Rosalino iria auferir um montante 160% superior ao estipulado para o cargo na lei, valor avançado inicialmente pelo Correio da Manhã, mas permitido pela legislação que possibilita ao dirigente optar pelo vencimento de origem.
No esclarecimento, enviado a 28 de dezembro do ano passado, o supervisor sublinhou que não tinha qualquer intervenção nas alterações legislativas que definem o estatuto remuneratório do cargo, aprovadas pelo Governo através do Decreto-Lei n.º 43-B/2024, de julho, e do Decreto-Lei n.º 114 B/2024, publicado a 24 de dezembro.
Antes de integrar o BdP, Hélder Rosalino desempenhou funções como secretário de Estado da Administração Pública no executivo de Pedro Passos Coelho. O antigo administrador do BdP tomaria posse a 1 de janeiro, mas rejeitou a posição.
Perante a desistência, o Governo inclinou-se para Carlos Costa Neves, o antigo ministro do Ambiente. Contudo, esta escolha também não foge à contestação. Além de não ter sido a primeira escolha do Governo, o agora novo secretário-geral do executivo de Luís Montenegro já atingiu a idade
em que os trabalhadores do Estado são obrigados a reformarem-se, cifrada nos 70 anos.
Mas pode o antigo ministro ficar com o cargo? A verdade é que a Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas exclui “casos de interesse público excecional, devidamente fundamentado, e sem prejuízo das demais condições e requisitos” do Estatuto da Aposentação. Deste modo, Costa Neves fica com o caminho livre para gerir o novo órgão do Executivo, onde terá como uma das primeiras funções completar o processo
de extinção das secretarias-gerais, atualmente integradas em cada um dos ministérios do Governo e que serão absorvidas pelo novo organismo. Mas a polémica ainda não fi ca por aqui.
De acordo com o Correio da Manhã, Carlos Costa Neves esteve envolvido no caso ‘Portucale’, que visava suspeitas de tráfico de influências para que um empreendimento turístico fosse construído em Benavente. Acabou por ser ouvido como testemunha.
A escolha do supergestor não precisou de ir a concurso, com o Executivo a poder nomear quem achar indicado. No caso dos adjuntos é obrigatório passar pela Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP).
Tal só ainda não aconteceu porque estes estão em regime de substituição. O novo cargo resulta do processo de extinção de três Secretarias-Gerais
(PCM, Economia e Ambiente e Energia) e do CEGER (Centro de Gestão da Rede Informática do Governo), por fusão na Secretaria-Geral do Governo e demais entidades integradoras.
Agora, o ministro das Finanças vai convocar uma reunião da comissão de vencimentos para avaliar os salários aplicados na administração do BdP.
Joaquim Miranda Sarmento já solicitou ao governador do supervisor, Mário Centeno, que designe um antigo governador que integre o Conselho Consultivo do BdP para integrar a Comissão de Vencimentos.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA defendeu ontem que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "perdeu por completo o controlo da situação" relativa ao ministro da Administração Interna e insistiu na saída de Luís Neves do cargo.
O Ministério da Justiça (MJ) ordenou uma auditoria interna à Polícia Judiciária (PJ) na sequência das notícias sobre o funcionamento desta polícia no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Luís Neves está novamente no centro da polémica. O atual ministro da Administração Interna vai ser julgado no Tribunal de Contas por infrações financeiras cometidas quando era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), num caso relacionado com contratos públicos que, segundo o tribunal, não cumpriram as regras da contratação pública.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.
O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) considerou hoje que será "praticamente impossível" concluir as reapreciações da 1.ª fase dos exames nacionais até sexta-feira, relatando casos de docentes convocados nos últimos dias.
O presidente do Chega considerou ontem que os dados sobre a dívida pública evidenciam uma "péssima gestão" do Governo, além de uma "enorme incompetência", e defendeu que este "é um dado que não deve ser desvalorizado".
O presidente do CHEGA, André Ventura, afirmou que os responsáveis pela invasão do seu gabinete devem ser afastados "da Assembleia da República e da vida política".
O Presidente do CHEGA voltou a pedir a demissão do ministro da Administração Interna e a intervenção do Presidente da República, considerando que as polémicas com Luís Neves estão a levar a uma "degradação da autoridade do Estado".
A escolha é entre André Ventura, do CHEGA, e Luís Montenegro, do PSD. Para os inquiridos da última sondagem da Aximage, André Ventura ocupa o primeiro lugar no pódio, com 44% dos inquiridos a considerá-lo o Líder da direita em Portugal. Em segundo lugar surge Luís Montenegro, atual Primeiro-ministro, com 43% dos votos.