Jovem que matou três crianças em Inglaterra condenado a prisão perpétua

Um jovem que matou três crianças e feriu 10 outras pessoas em Southport, noroeste de Inglaterra, no ano passado foi hoje condenado a 13 penas de prisão perpétua, com pelo menos 50 anos de prisão efetiva.

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O juiz Julian Goose disse que não podia impor uma pena de prisão perpétua sem liberdade condicional porque Axel Rudakubana tinha 17 anos, ou seja, menos de 18 anos, na altura do crime.

No entanto, perante a gravidade dos crimes, determinou que deve cumprir mais de 52 anos antes de ser considerado para liberdade condicional e “é provável que ele nunca seja libertado”.

Rudakubana tinha 17 anos quando atacou uma aula de dança na cidade costeira de Southport, em julho, com uma faca, matando raparigas de seis, sete e nove anos e ferindo outras oito crianças e dois adultos.

Uma das crianças, Alice da Silva Aguiar, de nove anos, era portuguesa.

Durante a leitura da sentença, no Tribunal Penal de Liverpool, o juiz afirmou que Rudakubana atacou as crianças com “violência extrema e horrível” e cometeu “um homicídio em massa de crianças jovens e felizes”.

“Foi uma violência tão extrema de tal gravidade que é difícil compreender porque o fez. Tenho a certeza que Rudakubana estava determinado em cometer estes crimes e que, se pudesse, teria matado cada uma das 26 crianças e os adultos que se atravessassem no seu caminho”, vincou.

Rudakubana, nascido em Cardiff, também se declarou culpado da produção de rícino, uma substância tóxica, e da posse de informações que podiam ser úteis para uma pessoa cometer um ato de terrorismo na forma de um manual da organização Al-Qaida.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, considerou que este caso é um exemplo de como o país enfrenta “uma nova ameaça de terrorismo” de ataques violentos protagonizados por jovens solitários, e prometeu novas medidas.

O Governo anunciou um inquérito sobre o caso para determinar por que razão Rudakubana não foi inscrito num programa oficial de combate à radicalização, tendo em conta que foi avaliado três vezes pelas autoridades devido à sua obsessão pela violência.

O ataque chocou o país e desencadeou tumultos violentos que se prolongaram por vários dias.

No dia seguinte ao ataque, e pouco depois de uma vigília pacífica pelas vítimas, um grupo atacou uma mesquita perto do local do crime, atirou tijolos e garrafas aos agentes da polícia e incendiou viaturas policiais.

Na origem dos protestos terão estado rumores de que o suspeito era um requerente de asilo que tinha chegado recentemente ao Reino Unido de barco, o que era falso.

Os motins alastraram a dezenas de outras cidades, quando grupos mobilizados por ativistas de direita radical nas redes sociais entraram em confronto com a polícia e atacaram hotéis que alojavam migrantes.

Mais de 1200 pessoas foram detidas por causa dos distúrbios e centenas foram condenadas a penas de prisão até nove anos.

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