“Lei da rolha” em São Bento? Jornalistas impedidos de fazer questões após ordem do PSD

Uma recolha de depoimentos nas galerias da Assembleia da República acabou em retenção policial e proibição de perguntas. A revista Sábado denuncia pressões e interferências após uma ordem direta do líder parlamentar do PSD.

© Manuel de Almeida/Lusa

Uma tarde normal de trabalho jornalístico nas galerias da Assembleia da República acabou por se transformar num episódio de intimidação e condicionamento à liberdade de imprensa. A revista Sábado relata que, após recolher depoimentos junto de deputados, foi alvo de uma alegada “lei da rolha” informal, que culminou na intervenção dos serviços de segurança do Parlamento.

De acordo com o relato, a situação alterou-se à hora de almoço do dia 21 de janeiro, quando Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, terá informado um repórter de que dera instruções aos seus deputados para não prestarem declarações àquele órgão de comunicação social. A partir desse momento, segundo a revista, uma assessora do grupo parlamentar passou a permanecer à porta do gabinete, enquanto os deputados deixaram de responder às perguntas que lhes eram dirigidas.

Algumas horas depois, o jornalista foi abordado por elementos da segurança da Assembleia da República, que solicitaram a sua identificação e questionaram o motivo da presença no local, bem como o teor das perguntas colocadas aos deputados. Apesar de se encontrar devidamente credenciado e a exercer funções num espaço autorizado, foi-lhe pedido que aguardasse a chegada de um superior hierárquico, relata a revista Sábado.

Esse responsável, identificado como tenente Lopes, informou o jornalista de que “houve deputados que se queixaram” das questões colocadas, recusando, contudo, identificar os autores da reclamação. Acrescentou ainda que o repórter estaria a realizar um “inquérito” a deputados e que, para o efeito, teria de solicitar autorização formal aos serviços de comunicação da Assembleia da República, determinando, na prática, a interrupção do trabalho jornalístico.

Últimas de Política Nacional

O Parlamento rejeitou todas as propostas apresentadas pelo CHEGA para reforçar o mercado de arrendamento, incluindo a descida para 5% da taxa de IRS aplicada aos rendimentos prediais.
Um jornalista da rádio Observador foi retirado da sala durante uma audição da Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM, após uma decisão conjunta de PS e PSD. O CHEGA foi o único partido a votar contra.
O PS e o PSD chumbaram, na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, um requerimento do CHEGA que pretendia ouvir especialistas independentes sobre a localização do futuro Aeroporto Luís de Camões, impedindo que dúvidas técnicas, económicas e ambientais fossem discutidas no Parlamento.
A presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, retirou os pelouros ao vereador Mário Caixas, também eleito pelo PS, alegando quebra de confiança política num momento considerado decisivo para a recuperação do concelho após as recentes cheias.
O serviço ferroviário entre Lisboa e Setúbal, que atravessa a Ponte 25 de Abril, vai estar sob escrutínio no Parlamento. O CHEGA conseguiu aprovar uma audição para ouvir utentes, Fertagus e Governo sobre as condições de segurança, capacidade e qualidade do serviço.
O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou esta quarta-feira o Governo de se vitimar e o primeiro-ministro de querer desviar atenções e usar as alterações à lei laboral como “manobra de distração”.
O Ministério Público arquivou 51 denúncias apresentadas contra cartazes do CHEGA, concluindo que os slogans não configuram crime e estão protegidos pela liberdade de expressão no debate político.
O Parlamento português recusou uma proposta do CHEGA que defendia que Portugal deveria fazer todos os esforços para reconhecer a Irmandade Muçulmana como organização terrorista.
O CHEGA entregou um projeto de resolução no parlamento em que recomenda ao Governo a adoção de "medidas urgentes" para assegurar o "regular funcionamento" dos tribunais e serviços do Ministério Público (MP) na Comarca de Portalegre.
O CHEGA apresentou um projeto de lei que propõe a criação da carreira especial de medicina dentária e a sua integração plena no Serviço Nacional de Saúde (SNS), para reforçar o acesso da população portuguesa a cuidados de saúde oral.