“Lei da rolha” em São Bento? Jornalistas impedidos de fazer questões após ordem do PSD

Uma recolha de depoimentos nas galerias da Assembleia da República acabou em retenção policial e proibição de perguntas. A revista Sábado denuncia pressões e interferências após uma ordem direta do líder parlamentar do PSD.

© Manuel de Almeida/Lusa

Uma tarde normal de trabalho jornalístico nas galerias da Assembleia da República acabou por se transformar num episódio de intimidação e condicionamento à liberdade de imprensa. A revista Sábado relata que, após recolher depoimentos junto de deputados, foi alvo de uma alegada “lei da rolha” informal, que culminou na intervenção dos serviços de segurança do Parlamento.

De acordo com o relato, a situação alterou-se à hora de almoço do dia 21 de janeiro, quando Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, terá informado um repórter de que dera instruções aos seus deputados para não prestarem declarações àquele órgão de comunicação social. A partir desse momento, segundo a revista, uma assessora do grupo parlamentar passou a permanecer à porta do gabinete, enquanto os deputados deixaram de responder às perguntas que lhes eram dirigidas.

Algumas horas depois, o jornalista foi abordado por elementos da segurança da Assembleia da República, que solicitaram a sua identificação e questionaram o motivo da presença no local, bem como o teor das perguntas colocadas aos deputados. Apesar de se encontrar devidamente credenciado e a exercer funções num espaço autorizado, foi-lhe pedido que aguardasse a chegada de um superior hierárquico, relata a revista Sábado.

Esse responsável, identificado como tenente Lopes, informou o jornalista de que “houve deputados que se queixaram” das questões colocadas, recusando, contudo, identificar os autores da reclamação. Acrescentou ainda que o repórter estaria a realizar um “inquérito” a deputados e que, para o efeito, teria de solicitar autorização formal aos serviços de comunicação da Assembleia da República, determinando, na prática, a interrupção do trabalho jornalístico.

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA critica o aumento dos encargos fiscais, incluindo o IMI, e acusa o Executivo de não romper com as políticas socialistas, defendendo medidas que permitam aliviar os rendimentos das famílias.
André Ventura considera que o Orçamento do Estado para 2027 não responde ao aumento dos custos da habitação, da alimentação e dos combustíveis. "Este é um Orçamento do Estado em que o Governo não consegue reconhecer o momento de dificuldade que os portugueses vivem", afirmou o líder do CHEGA.
O antigo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues (PS), defendeu um bloco central entre PS e PSD para travar o CHEGA. Partido liderado por André Ventura poderá mesmo vencer as próximas eleições.
Isaltino Morais admite que André Ventura possa chegar a primeiro-ministro e aponta uma aproximação entre PS e PSD como forma de travar esse cenário. Em entrevista à RTP, o presidente da Câmara de Oeiras defendeu uma convergência entre os dois partidos para impedir a chegada do líder do CHEGA ao Governo.
PSD, Iniciativa Liberal e PS viabilizaram alterações à lei do Tribunal de Contas que poderão afastar a aplicação de sanções financeiras ao ministro da Administração Interna, Luís Neves. Em causa estão despesas de 14.300 euros com viagens ao Brasil, realizadas em 2023, quando dirigia a Polícia Judiciária.
O presidente do CHEGA responsabiliza PS e PSD pela crise da habitação e acusa José Luís Carneiro de dar luz verde a um Orçamento do Estado sem conhecer o seu conteúdo. André Ventura defende um pacote de emergência com benefícios fiscais, apoios às rendas e menos burocracia.
Socialistas e sociais-democratas preparam alterações à legislação do Tribunal de Contas que poderão beneficiar Luís Neves. A possibilidade de uma amnistia através de uma mudança legislativa levanta questões sobre o alcance da iniciativa e as suas consequências.
Comissão Parlamentar da Transparência considera grave a conduta de Ventura após a divulgação de um vídeo em que o líder do CHEGA percorreu corredores e espaços de outros grupos parlamentares, questionando a ausência de deputados numa sexta-feira.
André Ventura garantiu que a comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves na Polícia Judiciária vai avançar sem interrupções, mesmo durante a discussão do Orçamento do Estado. À saída da tomada de posse da comissão, o presidente do CHEGA denunciou tentativas de travar os trabalhos e assegurou que a investigação continuará mesmo que Luís Neves abandone o Governo.
PSD e PS aprovaram, na especialidade, alterações ao regime de fiscalização do Tribunal de Contas que incluem o afastamento do visto prévio em determinados procedimentos. André Ventura acusa os dois partidos de enfraquecerem o controlo da despesa pública e classifica a decisão como uma “via verde para a corrupção”.