O Governo liderado por Luís Montenegro avançou com uma ampla remodelação nas administrações hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (SNS), colocando em lugares-chave responsáveis com ligações partidárias, revela a revista Sábado. Desde outubro de 2024, foram substituídas as lideranças de 19 Unidades Locais de Saúde (ULS), sendo que em 14 dessas mudanças a presidência passou para militantes, autarcas ou gestores próximos do PSD. Somando um nome associado ao CDS no Minho, quase 80% das novas nomeações recaem em figuras ligadas aos partidos da coligação governamental.
A prática de nomeações com peso político não é nova, mas a dimensão do movimento suscita críticas. De acordo com a Sábado, várias substituições ocorreram mesmo em unidades que apresentavam resultados positivos. Em nove casos, os presidentes afastados tinham ligações ao PS ou a anteriores governos, alimentando a perceção de uma mudança de cor partidária no topo da gestão hospitalar.
Um exemplo emblemático surge na ULS da Guarda. Em 2020, o PSD local denunciava como “politização inadmissível” as nomeações feitas pelo Governo socialista. Cinco anos depois, já sob governação da AD, a presidência foi entregue a uma jurista militante do PSD, publicamente elogiada pela estrutura distrital e por deputados do partido, apesar de a unidade cumprir os indicadores de desempenho.
Especialistas do setor alertam para a ausência de critérios transparentes. “O Governo tem legitimidade para implementar a sua estratégia, mas há substituições difíceis de compreender quando as equipas estavam a apresentar resultados”, afirma à Sábado, Xavier Barreto, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, apontando exemplos como São José, em Lisboa, e Coimbra. Em Gaia/Espinho, a mudança chegou mesmo a gerar contestação interna por parte de profissionais de saúde.