CHEGA defende que bancos devem suportar parte do aumento da prestação das casas

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O partido CHEGA entende que, face à crise económica que a população atravessa, o setor da banca deve ser chamado a contribuir para o esforço que muitas famílias fazem nos dias que correm para conseguirem cumprir com as suas obrigações bancárias.

Por essa razão, o partido liderado por André Ventura defende a existência de um especial dever de participação neste esforço conjunto por parte do sistema financeiro, considerada a sua função essencial de financiamento de qualquer economia, particularmente num período de elevada incerteza quanto à evolução da conjuntura económica mundial.

Cabe referir que, ainda esta semana, o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, disse que os dados atuais sobre a inflação apontam que continuarão a subir as taxas de juro. Aliás, já foi, inclusivamente, anunciado um aumento provável das taxas de juro de mais de 50 pontos base, isto depois de já terem sido aumentadas também em 50 pontos base em fevereiro e dezembro passados.

Tendo em conta todo o cenário que os especialistas descrevem como incerto, a presidente do BCE, Christine Lagarde, confessou que “é impossível dizer” até onde as taxas devem aumentar não sendo, por isso, possível prever, nesta fase, quando terminarão estes aumentos que têm vindo a penitenciar as famílias europeias, em especial as portuguesas cujos salários são dos mais baixos do Velho Continente.

Ao mesmo tempo que as taxas de juro diretoras sobem sem parar, a taxa Euribor continua a alcançar novos valores em todos os prazos, tendo registado, esta semana, novos máximos que não se viam desde dezembro de 2008.

Nesta senda, e também esta semana, a presidente da Cáritas Portuguesa veio alertar para o risco de agravamento da situação das famílias se o preço dos bens alimentares não descer, mostrando-se preocupada com a possível falta de recursos para impedir novos casos de pobreza.

Somando estas subidas ao aumento do custo de vida, sentido especialmente nos preços da energia e da alimentação, há cada vez mais famílias a sentirem dificuldades em conseguir pagar as contas ao final do mês, incluindo as prestações da casa.

Face ao exposto, e considerando os “milhões e milhões de euros” que o Estado já usou para salvar bancos – como aconteceu com o Novo Banco –, o presidente do CHEGA considera que agora é “chegado o tempo de serem os bancos a ajudar os contribuintes”.

“Homens e mulheres que têm salários miseráveis e que viram os seus impostos servirem para salvar bancos são os mesmos que agora precisam de ajuda para fazer face ao aumento abrupto das prestações das suas casas”, começou por dizer André Ventura ao Folha Nacional.

Uma das medidas apresentadas pelo terceiro maior partido português prende-se com a consagração legal de uma moratória, por um período de seis meses, que consistirá numa proibição da revogação das linhas de crédito contratadas, bem como uma prorrogação ou suspensão dos créditos até fim deste período, eventualmente prorrogado em função dos desenvolvimentos económicos futuros, com o objetivo de prevenir eventuais incumprimentos, por parte das famílias, e de lhes permitir encontrar a solução que o Governo não conseguiu produzir, caso esse incumprimento venha a ocorrer.

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