CHEGA quer ouvir presidente do Infarmed sobre caso das gémeas

O CHEGA anunciou hoje que vai pedir a audição obrigatória do presidente do Infarmed sobre o caso das gémeas tratadas no hospital de Santa Maria, acusando o PS de ter impedido esclarecimentos de Marta Temido e Lacerda Sales.

© Folha Nacional

O PS anunciou hoje que vai chamar ao parlamento o atual ministro da Saúde, Manuel Pizarro, e a presidente do Hospital de Santa Maria, Ana Paula Martins, salientando que “o parlamento fiscaliza o Governo e os órgãos da Administração Pública, e, por isso, quem está em funções”.

Na Comissão de Saúde, foi ‘chumbado’ um requerimento da IL que, entre outras entidades, pretendia ouvir os ex-governantes do setor Marta Temido e Lacerda Sales.

Em declarações aos jornalistas, André Ventura manifestou a sua “estupefação e desilusão” por esta decisão, considerando “um mau sinal para a democracia” que o PS “tenha impedido a audição dos dois protagonistas que mais poderiam prestar esclarecimentos sobre o caso”.

“Parece mais ou menos evidente que PS vai blocar a vinda das personalidades que interessam a este esclarecimento. Entendemos, porém, que há uma entidade que não pode escapar e que temos os meios potestativos para requerer, que é o presidente do Infarmed”, disse.

O líder do CHEGA justificou que o Infarmed foi uma das entidades que autorizou a aplicação do medicamento Zolgensma – um dos mais caros do mundo — para a atrofia muscular espinhal, que totalizou no conjunto quatro milhões de euros.

“Sabemos que o procedimento do Infarmed é tendencialmente anónimo, codificado e automatizado. Mas é evidente que, para a lista de espera que existia e para o número de pessoas que precisavam deste medicamento, não devia ser difícil fazer a equiparação entre este casal brasileiro e as suas gémeas e o medicamento”, disse.

Por isso, acrescentou, o CHEGA vai querer saber “como e porquê” o Infarmed deu autorização a este medicamento com estes valores.

Por outro lado, o CHEGA irá propor à Comissão da Transparência que abra um inquérito à atuação de Marta Temido e Lacerda Sales, agora deputados, por “violação das regras de transparência no exercício de cargo público”.

“Quer ao seu comportamento enquanto governantes, mas também no seu papel de deputados por estarem sistematicamente a recusar dar esse esclarecimento”, afirmou.

Ventura considerou ainda “discutível o entendimento da comissão” de saúde de que não será possível pedir a audição potestativa (obrigatória) de ex-governantes, como a IL requereu.

O Regimento da Assembleia da República determina que os grupos parlamentares apenas podem requerer potestativamente, num número de vezes a definir por sessão legislativa, a presença “de membros do Governo”, de “dirigentes, trabalhadores e contratados da administração indireta do Estado e do setor empresarial do Estado” e de “membros de órgãos de entidades administrativas independentes”.

Questionado se já teve resposta à carta que disse ir endereçar ao Presidente da República sobre este caso, André Ventura respondeu negativamente.

“Talvez fizesse sentido um mecanismo em que o parlamento pudesse questionar o Presidente da República”, sugeriu, antevendo que, se este caso não for totalmente esclarecido, irá marcar a campanha eleitoral para as legislativas antecipadas de 10 de março.

O caso das gémeas foi revelado numa reportagem da TVI, transmitida no início de novembro, segundo a qual duas crianças luso-brasileiras vieram a Portugal em 2019 receber o medicamento Zolgensma.

Segundo a TVI, havia suspeitas de que tal tivesse acontecido por influência do Presidente da República, que negou qualquer interferência no caso.

Na segunda-feira, numa declaração aos jornalistas no Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa confirmou que o seu filho Nuno Rebelo de Sousa o contactou sobre este caso em 2019. O chefe de Estado defendeu que o tratamento dado ao caso foi neutral e igual a tantos outros e informou que a correspondência na Presidência da República sobre este caso foi remetida nesse mesmo dia para a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Além da PGR, o caso está a ser investigado pela IGAS (Inspeção-Geral das Atividades em Saúde) e é também objeto de uma auditoria interna no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, do qual faz parte o Hospital de Santa Maria.

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA acusa José Luís Carneiro de contradição e sustenta que os socialistas preferem preservar o entendimento político com o PSD a transformar em lei aquilo que dizem defender: baixar o IVA nos combustíveis de 23% para 13%.
O partido liderado por André Ventura exige explicações sobre pagamentos identificados pela Inspeção-Geral das Finanças e quer ouvir atuais e antigos responsáveis da televisão pública. Conselho Fiscal e Conselho Geral Independente também são chamados ao escrutínio. “Estamos a falar de recursos que são públicos”, avisa o deputado Daniel Teixeira.
O presidente do CHEGA anuncia novo requerimento potestativo para investigar a passagem de Luís Neves pela direção da PJ e acusa o Parlamento de aplicar critérios diferentes dos usados noutras comissões de inquérito. Ventura admite limitar novamente o objeto para desbloquear a CPI.
O presidente do CHEGA acusa Aguiar-Branco de bloquear o escrutínio ao atual ministro da Administração Interna e fala numa operação de “contenção política de danos”. Ventura denuncia “dois critérios” na admissão de inquéritos parlamentares e promete não deixar cair a investigação à passagem de Luís Neves pela direção da Polícia Judiciária.
A Cosmos Business Travel, empresa ligada ao universo empresarial da família Oliveira, terá faturado perto de 600 mil euros desde 2024 em serviços de viagens e alojamento contratados por organismos públicos, segundo revela o Tal & Qual.
O inquérito potestativo que permitiria avançar com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves sem votação foi rejeitado. CHEGA denuncia uma tentativa de proteger o ministro da Administração Interna e impedir que a sua gestão na PJ seja investigada.
CHEGA voltou a exigir que a comissão de inquérito à gestão de Luís Neves na Polícia Judiciária avance no arranque da nova sessão legislativa. Aguiar-Branco mantém o processo em análise e ainda não deu luz verde à constituição da comissão. Partido liderado por André Ventura lamenta novo impasse num inquérito que considera ser um direito potestativo.
A Entidade para a Transparência (EpT) admitiu não ser possível determinar com "rigor e fidedignidade" quantos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos estão atualmente obrigados a apresentar declarações de rendimentos e interesses.
A Entidade para a Transparência (EpT) reconheceu que não concluiu a verificação de todas as declarações únicas de interesses e rendimentos do atual Governo, sublinhando que há processos a aguardar decisões do Tribunal Constitucional sobre que informação declarar.
Um estudo aos 25 Governos Constitucionais revela que quatro em cada dez ministros assumiram pastas sem licenciatura ou pós-graduação relacionada com a tutela. Apenas 20,9% tinham especialização académica avançada na área que ficaram responsáveis por governar.