CHEGA vai apresentar resolução de censura à ministra da Saúde

O CHEGA vai apresentar no parlamento uma recomendação ao Governo que censura a ministra da Saúde e pede a sua substituição, na sequência das falhas de atendimento do INEM, anunciou hoje o presidente do partido.

© Folha Nacional

“Vamos dar o tempo ao primeiro-ministro de poder fazer as alterações que acho que são urgentes e prementes fazer no Governo. Caso isso não seja feito no tempo do Orçamento do Estado, daremos entrada de uma condenação formal da ministra da Saúde no parlamento, recomendando e exigindo ao Governo a sua substituição”, afirmou André Ventura, em Pombal, onde hoje esteve no quartel dos Bombeiros Voluntários.

Na segunda-feira, esta corporação do distrito de Leiria foi chamada para duas ocorrências que não terão tido resposta do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e em que acabaram por morrer dois homens, de 53 e 90 anos.

“Fica o nosso compromisso, se o primeiro-ministro não o fizer, nós, logo no primeiro dia após os trabalhos orçamentais, apresentaremos uma resolução de censura à ministra da Saúde, recomendando ao Governo a sua substituição”, assegurou. Os projetos de resolução entregues no parlamento têm apenas caráter de recomendação, não tendo força de lei.

Aos jornalistas, André Ventura afirmou que a ministra é “incapaz de assumir a sua responsabilidade enquanto governante”, depois da “prova clara” de que teve aviso da greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar e das consequências desta.

“Depois de tudo o que aconteceu, 11 mortes pelo menos em abstrato associadas à falta de socorro, a senhora ministra, dizendo no parlamento que não se demite, é uma grande falta de cultura democrática e é uma grande falta de cultura de responsabilidade”, sustentou, acusando Ana Paula Martins de estar “agarrada ao poder”..

O presidente do CHEGA lembrou depois a demissão da antiga ministra da Saúde Marta Temido (PS), “depois de uma morte no Serviço Nacional de Saúde”.

“Ora, nós não podemos ter um critério para uma coisa e um critério para outra”, defendeu, observando que, na ocasião, Luís Montenegro, agora primeiro-ministro, disse que “estava totalmente de acordo com a demissão e que a responsabilidade política tinha de ser efetivada”.

Ventura perguntou se hoje não é Montenegro “a fugir das suas responsabilidades”, sustentando que “a morte em Portugal de inocentes tem de ter consequências”.

O líder do CHEGA criticou ainda o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recordando que “foi ativo e proativo quando entendia que era preciso mudar ministros, que o país todo já sabia que era preciso mudar”, exemplificando com a ex-ministra Constança Urbano de Sousa e o antigo secretário de Estado João Galamba, de governos socialistas.

“Agora o que nós estamos a assistir é um Presidente da República surpreendentemente calado com um escândalo que envolve 11 mortos”, assinalou, questionando se o chefe de Estado “está cúmplice ou refém deste Governo”.

Para Ventura, o país deixou de “ter um Presidente da República ativo desde março” e parece que tem um “Presidente da República refém ou sequestrado por este Governo”.

Hoje, na audição conjunta das comissões parlamentares do Orçamento e Finanças e da Saúde a propósito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2025, Ana Paula Martins afirmou que, se for apurado nos inquéritos abertos aos incidentes no INEM que há responsabilidades que podiam ter sido evitadas, saberá interpretar esses resultados.

As mortes de 11 pessoas alegadamente associadas a falhas no atendimento do INEM motivaram a abertura de sete inquéritos pelo Ministério Público, um dos quais já arquivado. Há ainda um inquérito em curso da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde

A demora na resposta às chamadas de emergência agravou-se durante a greve de uma semana às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar, que reclamam a revisão da carreira e melhores condições salariais.

A greve foi suspensa após a assinatura de um protocolo negocial entre o Governo e o sindicato do setor.

Últimas de Política Nacional

A transparência chegou depois do confronto? Só após ser questionado sobre omissões na sua declaração de rendimentos é que António José Seguro, candidato presidencial, revelou o património das empresas de que é sócio-gerente.
Explorações agrícolas e pecuárias devastadas, animais em risco e produtores sem água, luz ou rações: após a passagem da tempestade Kristin, o CHEGA acusa o Governo de silêncio e avança com um requerimento a exigir medidas urgentes para travar uma crise no terreno que continua a agravar-se.
O candidato presidencial e líder do CHEGA, André Ventura, exigiu hoje ao primeiro-ministro (PM) que se retrate depois de ter “dado a entender” que as mortes devido ao mau tempo foram responsabilidade dessas pessoas.
O candidato presidencial André Ventura acusou hoje o adversário de estar “refém do sistema de interesses” e de não ter capacidade de decisão, depois de António José Seguro o ter acusado de ser "um risco para a democracia”.
Henrique Chaves, militante n.º 2 do PSD, anuncia voto em André Ventura e deixa uma crítica devastadora à direita tradicional, que acusa de viver presa ao passado e sem conteúdo político.
O candidato presidencial André Ventura, apoiado pelo CHEGA, indicou hoje que não está preocupado com eventuais efeitos do mau tempo na votação para as eleições do próximo domingo, e disse estar focado nas necessidades das populações.
André Ventura continua a subir, consolida terreno e já alcança 32,2% das intenções de voto quando são considerados os indecisos, segundo a sondagem diária da CNN Portugal.
O candidato presidencial André Ventura não respondeu às críticas do presidente da Câmara de Leiria por ter iniciativas de campanha nesta região afetada pelo mau tempo e considerou tratar-se de "picardias políticas".
O candidato presidencial André Ventura defendeu hoje uma “profunda auditoria” à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), acusando o Governo de “desleixo” na resposta à depressão Kristin.
O parlamento decidiu por unanimidade hoje suspender os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) durante a próxima semana, devido à segunda volta das eleições presidenciais.