Partidos defendem revisão da lei sobre TVDE com exceção do PS

Os partidos defenderam hoje no parlamento uma revisão legislativa sobre TVDE, exceto o PS, com CHEGA, PSD e CDS a pedirem que se garanta que os motoristas falem português e PCP e BE que se suspenda a emissão de novas licenças.

© LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

Num debate em plenário sobre projetos de lei do CHEGA, do PSD, do PCP e da IL (além de projetos de resolução, sem força de lei, de BE, PSD e CDS) relativos aos Transportes em Veículos Descaracterizados a partir de Plataforma Eletrónica (TVDE), o deputado do CHEGA Carlos Barbosa defendeu que a lei não se pode manter “com as lacunas atuais”, que deixam o setor “numa bandalheira”.

“Não podemos continuar com grupos de interesse que trazem membros de outros países, muitos deles desconhecem a nossa legislação. Não sabemos se têm carta devida para efetuar o seu trabalho, não são obrigados a falar português”, criticou, pedindo que se encontre “uma solução decente” tanto para os motoristas como para os utilizadores.

O deputado do PSD Marco Claudino disse que o seu partido apresenta “soluções concretas para a segurança”, como garantir que os clientes têm direito “a selecionar motoristas que falam português” ou criar um “botão de pânico com ligação às autoridades em tempo real”.

“Atualmente, a lei já estipula que quem tem habilitação para motorista de táxi se encontre habilitado para conduzir TVDE. Propomos agora que esses motoristas e esses taxistas, de forma flexível e dinâmica, possam optar por uma ou outra modalidade, sem necessitarem mais do que uma viatura”, acrescentou.

Também o deputado do CDS-PP João Almeida, parceiro de coligação do PSD no Governo, considerou que a lei atual “está longe de ser perfeita” e “não é aplicada devidamente”, defendendo também uma revisão, em particular, para garantir “os pais, avós e filhos” deixam de entrar num carro sem saber “se vão encontrar uma pessoa que fala a sua língua ou não”.

Pela IL, a deputada Joana Cordeiro defendeu uma maior desregulação do setor e considerou que a lei se tornou um entrave, pelo que propôs medidas como permitir que os motoristas “possam trabalhar diretamente com as plataformas” ou pôr fim às tarifas dinâmicas.

“Defendemos que os motoristas devem ter o direito a avaliar os utilizadores […] e, além disso, que possam colocar publicidade dos seus veículos para aumentar os seus rendimentos, como os táxis podem”, sugeriu.

O único partido que se opôs a uma revisão da legislação atual foi o PS, que, pela voz do deputado João Torres, considerou não ser este o “momento adequado” para o fazer, tendo em conta a publicação pelo Governo, em dezembro, de uma portaria que “altera substancialmente” o processo de certificação dos motoristas e cujos impactos ainda não puderam ser avaliados.

Ainda assim, o PS manifestou-se disponível para discutir o processo em especialidade e, relativamente à questão de obrigar os motoristas a falar português, João Torres disse não se opor por princípio, mas advertiu que já “há uma lei de defesa de consumidor, um regime de cláusulas contratuais gerais”.

Pelo BE, a deputada Marisa Matias considerou que “é urgente rever a lei”, feita “à medida das multinacionais”, e sugeriu que, até lá, se suspenda “temporariamente a atribuição de licenças”, além de propor medidas como garantir formação em língua portuguesa para os motoristas, “valores fixos para as tarifas base” ou “uma taxa de intermediação num máximo de 15%”.

Também o deputado do PCP António Filipe defendeu a suspensão da emissão de novas licenças até à revisão da lei, considerando que atualmente a legislação permite “uma renda segura para umas quantas multinacionais” e que é preciso “contribuir para eliminar a exploração dos motoristas”, “dar às autarquias a competência para regular de atividade” ou “reduzir o número de carros” em localidades como Lisboa, Porto e Algarve.

Já o porta-voz do Livre, Rui Tavares, defendeu que devem ser as plataformas de TVDE a garantir que os motoristas falam português, oferecendo-lhes formação para o efeito, e que devem ser aplicados mecanismos de segurança já existentes noutros países, como a “gravação e encriptação do áudio do percurso”.

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA acusa José Luís Carneiro de contradição e sustenta que os socialistas preferem preservar o entendimento político com o PSD a transformar em lei aquilo que dizem defender: baixar o IVA nos combustíveis de 23% para 13%.
O partido liderado por André Ventura exige explicações sobre pagamentos identificados pela Inspeção-Geral das Finanças e quer ouvir atuais e antigos responsáveis da televisão pública. Conselho Fiscal e Conselho Geral Independente também são chamados ao escrutínio. “Estamos a falar de recursos que são públicos”, avisa o deputado Daniel Teixeira.
O presidente do CHEGA anuncia novo requerimento potestativo para investigar a passagem de Luís Neves pela direção da PJ e acusa o Parlamento de aplicar critérios diferentes dos usados noutras comissões de inquérito. Ventura admite limitar novamente o objeto para desbloquear a CPI.
O presidente do CHEGA acusa Aguiar-Branco de bloquear o escrutínio ao atual ministro da Administração Interna e fala numa operação de “contenção política de danos”. Ventura denuncia “dois critérios” na admissão de inquéritos parlamentares e promete não deixar cair a investigação à passagem de Luís Neves pela direção da Polícia Judiciária.
A Cosmos Business Travel, empresa ligada ao universo empresarial da família Oliveira, terá faturado perto de 600 mil euros desde 2024 em serviços de viagens e alojamento contratados por organismos públicos, segundo revela o Tal & Qual.
O inquérito potestativo que permitiria avançar com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves sem votação foi rejeitado. CHEGA denuncia uma tentativa de proteger o ministro da Administração Interna e impedir que a sua gestão na PJ seja investigada.
CHEGA voltou a exigir que a comissão de inquérito à gestão de Luís Neves na Polícia Judiciária avance no arranque da nova sessão legislativa. Aguiar-Branco mantém o processo em análise e ainda não deu luz verde à constituição da comissão. Partido liderado por André Ventura lamenta novo impasse num inquérito que considera ser um direito potestativo.
A Entidade para a Transparência (EpT) admitiu não ser possível determinar com "rigor e fidedignidade" quantos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos estão atualmente obrigados a apresentar declarações de rendimentos e interesses.
A Entidade para a Transparência (EpT) reconheceu que não concluiu a verificação de todas as declarações únicas de interesses e rendimentos do atual Governo, sublinhando que há processos a aguardar decisões do Tribunal Constitucional sobre que informação declarar.
Um estudo aos 25 Governos Constitucionais revela que quatro em cada dez ministros assumiram pastas sem licenciatura ou pós-graduação relacionada com a tutela. Apenas 20,9% tinham especialização académica avançada na área que ficaram responsáveis por governar.