Acesso a urgências pediátricas vai obrigar a contacto prévio com SNS 24

O acesso às urgências pediátricas da Região de Lisboa e Vale do Tejo, Leiria, Santarém, Caldas da Rainha e Área Metropolitana do Porto vai exigir um contacto prévio com Linha SNS 24, segundo uma portaria hoje publicada.

© D.R.

Estas urgências integram um projeto-piloto para testar o Plano de Reorganização para as Urgências de Pediatria, antes de ser alargado a todo o país, de acordo com a portaria publicada em Diário da República e que foi anunciada em outubro de 2024.

O projeto-piloto para testar o Plano de Reorganização para as Urgências de Pediatria “envolverá as urgências de pediatria da Região de Lisboa e Vale do Tejo, Leiria, Santarém e Caldas da Rainha e a Área Metropolitana do Porto, juntamente com as urgências de hospitais de outras regiões que manifestem interesse em participar”, refere o documento.

O impacto do projeto será avaliado três meses depois de ter sido posto em prática e, no caso de a apreciação ser positiva, será aplicado nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de todo o país.

Assinada pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, a 05 de janeiro, a portaria entra em vigor na quinta-feira, mas “o calendário da sua efetiva implementação” ainda deve ser definido pela Direção Executiva do SNS.

Com esta reorganização será criada uma pré-triagem telefónica através da Linha SNS 24 (808242424), “preferencialmente realizada por enfermeiros especialistas de saúde infantil e pediátrica”, mantendo os hospitais “a triagem presencial da urgência de pediatria, nos moldes habituais”.

Nas áreas metropolitanas do Porto e Lisboa vai ser também criado um Centro de Atendimento Clínico Pediátrico (CAC-P), similar ao modelo utilizado para adultos e destinado a atender casos de “patologias agudas ligeiras”, como os de “pacientes triados como «verde» ou «azul» no SU (serviço de urgência) ou referenciados pela Linha SNS 24 que não têm resposta nos CSP (cuidados de saúde primários) ou Consulta de Agudos”.

Os CAC-P deverão contar com uma equipa dedicada de médicos, enfermeiros e auxiliares, com a presença mínima de um pediatra, coordenador da equipa, e um enfermeiro “preferencialmente especialista de saúde infantil e pediátrica, e funcionar das 08:00 às 23:00 nos sete dias da semana, além ter “disponibilidade e exames complementares de diagnóstico, nomeadamente analíticos e radiológicos”.

“Nas regiões fora da área de atuação dos CAC-P, os doentes com patologias agudas ligeiras após contacto com a Linha SNS 24 ou triados como «verde»/«azul» no SU serão referenciados, pela seguinte ordem de prioridade (…): consulta aberta nos CSP, em funcionamento das 08 às 20 horas; consulta diferida nos CSP com agendamento até 72 horas; consulta de agudos nas consultas externas de pediatria dos hospitais, com agendamento feito nas 72 horas seguintes ao contacto com a Linha SNS 24”, indica a portaria.

Entre as condições necessárias para as urgências de pediatria iniciaram o projeto-piloto, a portaria refere a “criação de uma consulta aberta hospitalar, em horário adaptável à procura, mas em funcionamento todos os dias úteis, a criação de mecanismos dentro da Unidade Local de Saúde (ULS) para possibilitar o agendamento célere na consulta de agudos hospitalares e nas consultas abertas nos CSP”, acrescentando que “deve ser assegurada a existência de vagas diárias para este efeito nas diversas consultas”.

Informar os utilizadores das mudanças e treinar o pessoal administrativo para os aconselharem, bem como disponibilizar “um telefone na entrada da Urgência de Pediatria, para os utentes que aí recorrem poderem contactar a Linha SNS 24”, são outras das condições estabelecidas na proposta.

O documento também determina ser obrigatória a avaliação nos serviços de urgência dos hospitais de alguns utentes, entre os quais os “acamados ou em cadeira de rodas, sem possibilidade de mobilização por meios próprios”, as vítimas de trauma, com situações cardiovasculares agudas, tais como “dor torácica e síncope”, os com défices neurológicos ou “situações agudas, do foro psiquiátrico (incluindo situações de risco de suicídio), obstétricas ou outras, desde que necessitem de tratamento urgente e inadiável” e os menores de seis meses.

A agressão, doenças sexualmente transmissíveis, embriaguez aparente, exposição a químicos, incluindo a ingestão de cáusticos, feridas, hemorragia gastrointestinal ou vaginal, infeções e abcessos, quedas e problemas oftalmológicos, assim como queimaduras, convulsões, traumatismo cranioencefálico, sobredosagem e envenenamento ou corpo estranho, além dos “doentes crónicos com seguimento em consulta hospitalar” são outras das situações que terão de ser avaliadas nos serviços de urgência hospitalares.

“A gestão de vagas pediátricas em Portugal será modernizada com a implementação de uma plataforma digital integrada, que centralizará a informação em tempo real sobre a disponibilidade de camas nos Serviços de Urgência Pediátrica, Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais e Unidades de Cuidados Intensivos Pediátricos”, segundo a portaria, que adianta que “a plataforma será também uma ferramenta importante para o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), permitindo o conhecimento das unidades com capacidade disponível”.

A avaliação do projeto-piloto deverá ter em conta, entre outros indicadores, o número de atendimentos telefónicos na Linha SNS (S24 criança e adolescente), distribuídos pelas 24 horas, a percentagem de utentes encaminhados para as urgências de pediatria, o número médio diário de episódios da urgência de pediatria, a percentagem de utentes encaminhados para as consultas de agudos hospitalares de pediatria e o tempo médio de espera para os atendimentos na urgência de pediatria.

O número mensal de reclamações relativas à urgência de pediatria, o número médio diário de episódios da urgência de pediatria nos CAC pediátricos, a percentagem de utentes que estes reencaminham para o serviço de urgência de pediatria e o tempo médio de espera para os atendimentos no local, assim como o número médio diário de consultas abertas de saúde infantil ao nível dos cuidados de saúde primários devem ser também avaliados.

Últimas do País

Um homem de 26 anos suspeito de homicídio no Brasil foi detido, em Lisboa, durante uma operação realizada hoje de manhã, anunciou a Polícia Judiciária (PJ).
Vítimas e famílias afetadas pelo descarrilamento do elevador da Glória revelaram, numa carta aberta, que se sentiram "esquecidas" pela Câmara de Lisboa ao longo deste ano, referindo que "o único contacto direto" foi para a inauguração hoje do memorial.
A Polícia de Segurança Pública intercetou em flagrante dois homens, de 28 e 39 anos, suspeitos de tráfico de estupefacientes. A operação permitiu apreender milhares de doses de haxixe, cocaína e heroína, uma pistola, dezenas de munições e 14.800 euros em dinheiro.
Os professores que adiem a aposentação para continuar a ensinar terão uma remuneração extra de 750 euros mensais, mas apenas se não houver docentes que possam garantir essas aulas, segundo o diploma hoje publicado.
O homem suspeito de matar a mulher, ambos de nacionalidade britânica, na terça-feira, no corredor de um hotel em Albufeira, no distrito de Faro, ficou hoje em prisão preventiva, disse à Lusa fonte da GNR.
Um homem de 57 anos foi detido pela PSP e ficou em prisão preventiva por suspeitas de maus-tratos psicológicos e físicos à mulher, incluindo ameaças de morte, em Évora, divulgou hoje o Ministério Público (MP).
As 9,72 bitcoins foram transferidas para uma carteira criada no âmbito da apreensão e desapareceram em quatro movimentos. O casal acabou absolvido, o tribunal mandou devolver os ativos e, quase oito anos depois, continua por esclarecer quem lhes conseguiu aceder.
A Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF) da GNR apreendeu hoje em Setúbal cerca de 400 quilos de cocaína e deteve um homem suspeito de envolvimento numa alegada operação de desembarque de droga, informou aquela polícia.
Todas as semanas a Guarda Nacional Republicana (GNR) interceta cerca de 280 condutores com taxas de alcoolemia consideradas crime, num total acumulado de 8.438 detenções entre 01 de janeiro e 31 de julho.
A PSP recolheu este ano, em dois meses, 265 armas de fogo e quase seis mil munições e cartuchos, mais do que nas operações realizadas nos dois últimos anos, avançou hoje esta polícia.