Greve de enfermeiros com 71,5% de adesão e apenas urgências asseguradas

A greve nacional de hoje dos enfermeiros teve uma adesão de 71,5%, estando asseguradas pelos profissionais apenas situações urgentes, segundo os dados avançados às 12:30 pelo Sindicato de Enfermeiros Portugueses (SEP).

© D.R.

“Há dezenas de blocos operatórios sem enfermeiros para as situações programadas, mas as situações de urgência garantimo-las todas”, disse aos jornalistas o presidente do SEP, José Carlos Martins, no Hospital S. José, em Lisboa.

De acordo com o presidente do SEP, sindicato que convocou a greve, as consultas externas, na área hospitalar, e as cirurgias de ambulatório são serviços que podem encerrar por não serem situações urgentes.

Em relação aos cuidados primários, a generalidade das unidades podem encerrar, mas quando há marcação de utentes com situações urgentes, os enfermeiros asseguram essas situações, explicou José Carlos Martins.

Os serviços de internamento e os blocos operatórios de urgência têm serviços mínimos garantidos, segundo o responsável.

De acordo com os primeiros dados do SEP, às 10:45, registavam-se adesões de 100% em vários serviços e hospitais, como na Unidade Local de Saúde de Viseu Dão-Lafões, onde encerrou a cirurgia de ambulatório dos hospitais de Viseu e Tondela e a unidade de AVC, onde foram assegurados os serviços mínimos.

A adesão à greve foi de 100% no bloco de partos do Hospital do Barreiro e nos blocos operatórios dos hospitais de Setúbal e Garcia de Orta, em Almada.

Os dados apontam também uma paralisação total dos enfermeiros escalados para o turno da manhã nos hospitais de Peniche e Rovisco Pais, na Tocha, concelho de Cantanhede.

O sindicato reivindica a resolução de todas as situações que decorrem da contabilização dos pontos, incluindo o pagamento dos retroativos.

O SEP também exige a admissão de mais enfermeiros, alertando que os constrangimentos impostos pelo Governo vão ter consequências na segurança dos utentes e dos profissionais.

José Carlos Martins disse que para 2026, o Ministério da Saúde determinou que para todo o Serviço Nacional de Saúde só poderiam ser admitidos 876 enfermeiros, alertando que 5,6 milhões de horas extraordinárias realizadas correspondem a cerca de 900 enfermeiros.

“Teriam de lá estar mais de 900 enfermeiros para que nenhum enfermeiro fizesse horas extraordinárias. Portanto, significa que esse é um profundo constrangimento que impacta fortemente na qualidade e segurança”, explicou.

O responsável disse também que não é possível ter boas condições de trabalho, conciliar a vida familiar e profissional, manter elevados níveis de desempenho e de empenho com esta “grave carência” de profissionais.

A contagem de tempo de serviço prestado em vínculo precário, a abertura de concursos de acesso às categorias de Enfermeiro-Especialista, de Enfermeiro-Gestor e em lugares de Direção e a negociação de um sistema de avaliação do desempenho adequado às especificidades da profissão de Enfermagem são outras das reivindicações.

O presidente do SEP disse que tem reuniões marcadas com o Governo para os dias 10 e 27 de abril, indicando que há negociações a decorrer.

“Há negociações a decorrer, designadamente sobre a avaliação de desempenho que se vai iniciar, sobre um célebre acordo de trabalho que pretende, aliás, introduzir um banco de horas de adaptabilidade e horários rígidos para evitar o pagamento destes milhões de horas extraordinárias”, indicou o responsável.

A greve teve início às 08:00, no turno da manhã, e vai até às 00:00 ou até ao final do turno da tarde.

Últimas do País

Um homem de 67 anos foi detido por suspeitas de maus-tratos psicológicos e físicos à mulher, incluindo ameaças de morte, no concelho de Arraiolos, no distrito de Évora, revelou hoje o Ministério Público (MP).
Mais de 50 concelhos do interior, de oito distritos de Portugal, enfrentam hoje perigo máximo de incêndio, no dia em que se espera descida da temperatura
Presidente do CHEGA considera que o ministro da Administração Interna não reúne condições para continuar no cargo, critica as explicações prestadas na primeira conferência de imprensa realizada após serem conhecidos os casos polémicos que o envolvem e apela à intervenção do Presidente da República.
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve tem por cobrar 1.234.358 euros relativos a serviços prestados a pessoas estrangeiras não residentes em Portugal, em 2023 e 2024, revela uma auditoria da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS).
Um homem, de 23 anos, foi detido pela PSP e ficou em prisão preventiva por suspeitas de ter agredido a ex-companheira, de 39, depois de ter forçado a entrada na sua casa, em Beja, foi hoje divulgado.
O Tribunal de Ponte de Lima decretou prisão preventiva para um jovem de 27 anos, suspeito de atear cinco focos de incêndio em Ponte de Lima, "num curto espaço de tempo", revelou hoje a GNR.
O Governo está a preparar uma nova Estratégia Nacional para as Comunidades Ciganas, com medidas nas áreas da educação, habitação, emprego, saúde, associativismo e mediação intercultural, mas continua sem revelar quanto custará o plano aos contribuintes.
O acolhimento de cada refugiado em Portugal pode representar uma despesa pública próxima dos 12 mil euros por ano, considerando os custos com alojamento, alimentação, acompanhamento social e acesso aos cuidados de saúde.
Português de 41 anos fugiu após o homicídio, ocorrido em agosto do ano passado, mas acabou localizado no sul de França. Foi extraditado para Portugal e ficou em prisão preventiva.
A Câmara de Manteigas está a efetuar interrupções programadas no abastecimento de água na zona norte da sede do concelho na sequência da redução do caudal das nascentes que abastecem um dos reservatórios que servem aquela vila.