“Há dezenas de blocos operatórios sem enfermeiros para as situações programadas, mas as situações de urgência garantimo-las todas”, disse aos jornalistas o presidente do SEP, José Carlos Martins, no Hospital S. José, em Lisboa.
De acordo com o presidente do SEP, sindicato que convocou a greve, as consultas externas, na área hospitalar, e as cirurgias de ambulatório são serviços que podem encerrar por não serem situações urgentes.
Em relação aos cuidados primários, a generalidade das unidades podem encerrar, mas quando há marcação de utentes com situações urgentes, os enfermeiros asseguram essas situações, explicou José Carlos Martins.
Os serviços de internamento e os blocos operatórios de urgência têm serviços mínimos garantidos, segundo o responsável.
De acordo com os primeiros dados do SEP, às 10:45, registavam-se adesões de 100% em vários serviços e hospitais, como na Unidade Local de Saúde de Viseu Dão-Lafões, onde encerrou a cirurgia de ambulatório dos hospitais de Viseu e Tondela e a unidade de AVC, onde foram assegurados os serviços mínimos.
A adesão à greve foi de 100% no bloco de partos do Hospital do Barreiro e nos blocos operatórios dos hospitais de Setúbal e Garcia de Orta, em Almada.
Os dados apontam também uma paralisação total dos enfermeiros escalados para o turno da manhã nos hospitais de Peniche e Rovisco Pais, na Tocha, concelho de Cantanhede.
O sindicato reivindica a resolução de todas as situações que decorrem da contabilização dos pontos, incluindo o pagamento dos retroativos.
O SEP também exige a admissão de mais enfermeiros, alertando que os constrangimentos impostos pelo Governo vão ter consequências na segurança dos utentes e dos profissionais.
José Carlos Martins disse que para 2026, o Ministério da Saúde determinou que para todo o Serviço Nacional de Saúde só poderiam ser admitidos 876 enfermeiros, alertando que 5,6 milhões de horas extraordinárias realizadas correspondem a cerca de 900 enfermeiros.
“Teriam de lá estar mais de 900 enfermeiros para que nenhum enfermeiro fizesse horas extraordinárias. Portanto, significa que esse é um profundo constrangimento que impacta fortemente na qualidade e segurança”, explicou.
O responsável disse também que não é possível ter boas condições de trabalho, conciliar a vida familiar e profissional, manter elevados níveis de desempenho e de empenho com esta “grave carência” de profissionais.
A contagem de tempo de serviço prestado em vínculo precário, a abertura de concursos de acesso às categorias de Enfermeiro-Especialista, de Enfermeiro-Gestor e em lugares de Direção e a negociação de um sistema de avaliação do desempenho adequado às especificidades da profissão de Enfermagem são outras das reivindicações.
O presidente do SEP disse que tem reuniões marcadas com o Governo para os dias 10 e 27 de abril, indicando que há negociações a decorrer.
“Há negociações a decorrer, designadamente sobre a avaliação de desempenho que se vai iniciar, sobre um célebre acordo de trabalho que pretende, aliás, introduzir um banco de horas de adaptabilidade e horários rígidos para evitar o pagamento destes milhões de horas extraordinárias”, indicou o responsável.
A greve teve início às 08:00, no turno da manhã, e vai até às 00:00 ou até ao final do turno da tarde.