Portugal em Risco: Imigração sem controlo

O tema da imigração já é uma preocupação para a maio- ria dos portugueses, segundo indica um estudo do Lisbon Public Law, que pertence ao centro de investigação da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

© Folha Nacional

 

Este inquérito aponta que 55,2 por cento dos portugueses considera mesmo que a imigração está descontrolada. 

A maioria dos portugueses defende a regularização dos imigrantes que trabalham em Portugal e fazem descontos, mas critica a ausência de controlo na entrada por parte das autoridades. 

De acordo com um estudo da Lisbon Public Law, a que a Lusa teve acesso e que incluiu 1.000 entrevistas, 80,7% dos inquiridos “concorda com a regularização de imigrantes que trabalham e descontam para a segurança social”, mas uma maioria de 55,2% elegeu “o facto de a imigração em Portugal estar descontrolada” como uma das suas principais preocupações. Para Ana Rita Gil, uma das coordenadoras, os resultados mostram que a “população está atenta” ao fenómeno e às “muitas notícias que dão conta de exploração dos imigrantes” ou do “aumento de criminalidade conexa como o tráfico de pessoas, o auxílio à imigração ilegal ou situações de verdadeira xenofobia”. 

“Isto também passa uma ideia de descontrolo, o Estado não sabe quantos entram e de repente vamos entrar numa casa e estão lá 100 pessoas amontoadas, em situação de escravatura”, refere a investigadora, especialista no tema, em declarações à Lusa. “A mensagem que daqui extraímos é que a população vê vantagens na imigração, mas por outro lado, tem uma forte crítica às políticas públicas que estão a ser feitas e que são quase inexistentes”, afirmou. De acordo com o estudo, “78% dos inquiridos considera que a imigração poderá comportar riscos” e “68,1% sublinha em especial a criminalidade ligada às redes de tráfico e imigração ilegal”. Esta preocupação reflete-se também nos 60,5% que defendem “a expulsão do território dos imigrantes que cometem crimes”. Este é um tema que há muito tem vindo a ser apontado pelo CHEGA como fonte de preocupação, com o partido de André Ventura a defender um “consenso à direita” para mudar a política de imigração e introduzir, por exemplo, cuidados na entrada de cidadãos de zonas de “extremismo islâmico”, considerando que “bom senso” não significa “portas completamente abertas”. Para André Ventura, “Portugal deve ser um país que acolhe bem os imigrantes”, mas frisa, por oposição à esquerda, que tal não significa “portas completamente abertas e entradas de qualquer maneira”. “Tem de se verificar o cadastro de quem vem para Portugal, quem tem contrato de trabalho – excluindo situações de asilo político ou de quem foge de guerra como a da Ucrânia ou outras. Em termos de migrantes económicos, tem de haver um consenso à direita cada vez maior que é uma questão de bom senso que não pode entrar qualquer pessoa de qualquer maneira”, acrescenta. O líder do CHEGA reforça ainda que quem vem para trabalhar tem de ser bem acolhido, “mas quem tenha estado aqui e esteja em situação de ilegalidade, tenha vindo para obter subsídios ou cometer crimes não são bem-vindos “. E acrescenta que “quem está de forma ilegal e insistir de forma ilegal, deve ser expulso do território português”. 

O inquérito em causa foi realizado em setembro e, de acordo com as conclusões, a população portuguesa pretende maior regulação e está preocupada com alguns riscos, enquanto considera a “comunidade brasileira como a mais bem integrada no país”. 

Segundo o estudo, 64,2% dos inquiridos apontam a “maior disponibilidade de mão-de-obra” (64,2%) como uma vantagem. “Apesar da atitude claramente ‘aberta’ em relação à imigração, a maior parte dos inquiridos demonstra pouca confiança nas atuais políticas públicas de regulação da imigração”, pode ler-se no estudo. 

Três em cada quatro (76,7%) consideram que “a imigração faz variar o preço das habitações”, e 45,4% indicou que “existem demasiados imigrantes em Portugal e menos de metade (48,7%) defende quotas. O aumento da população (48,5%) e a criação de empregos (34,2%) são outras virtudes percecionados pelos inquiridos, que indicam que Portugal necessita de mão-de-obra imigrante qualificada (63,4%) e mesmo não qualificada (47,8%). 

No que respeita à fiscalização, “45,5% elegem como uma das principais preocupações a necessidade de Portugal ter uma polícia que lide especificamente com estrangeiros e fronteiras, colocando assim em causa a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras”. Recorde-se que foi o Governo de António Costa que decidiu extinguir o SEF por razões políticas, de- legando as suas competências na PSP, GNR e PJ e numa nova Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Esta extinção foi dura- mente criticada pelo CHEGA, que a considerou uma irresponsabilidade, tendo em conta o descontrolo que existe na entrada de imigrantes em Portugal. Por sua vez, 75,3% considera que “os imigrantes que não trabalham devem ficar um período limitado no território até encontrarem emprego”. Já “22% dos portugueses considera que o cidadão estrangeiro desempregado deve ser imediatamente afastado do país”, com uma grande maioria (66,3%) a defenderem subsídio de desemprego atribuído. 

  • Com Agência LUSA

Últimas de Política Nacional

André Ventura acusou o Governo de falhar às populações afetadas pelas tempestades e exigiu isenção imediata de IMI, rapidez nos apoios e um pedido público de desculpas. “Persistir no erro é que não fica bem”, atirou.
José Manuel Fernandes tem dois imóveis na capital e mais de 43 mil euros anuais em rendimentos prediais, mas recebe 724 euros por mês de subsídio de alojamento. É um dos 19 governantes abrangidos por uma regra de 1980 que continua a permitir compensações mesmo a quem já tem casa em Lisboa.
As propostas apresentadas pelo CHEGA na Câmara Municipal da Amadora para reforçar a transparência e prevenir a corrupção deram um passo em frente e podem vir a traduzir-se em novos mecanismos de controlo na gestão autárquica.
André Ventura anunciou a recandidatura à liderança do CHEGA e a convocação de um congresso eletivo para maio. O líder da oposição diz que o partido entra num “novo ciclo”, reafirma a luta contra corrupção, subsidiodependência e ideologia de género e garante: “Vencer é condição para transformar”.
A Direção Nacional do CHEGA vai propor a realização da próxima convenção do partido nos dias 08, 09 e 10 de maio, para eleger eleitos novos órgãos, meses depois de André Ventura ter anunciado a recandidatura à liderança.
Famílias e empresas que vivem em concelhos atingidos por fenómenos meteorológicos extremos poderão ficar isentas de pagar Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) no próximo ano. A proposta é do CHEGA que apresentou na Assembleia da República um projeto de lei para criar um regime excecional de isenção fiscal em 2026.
Milhares de profissionais de segurança privada que trabalham diariamente em centros comerciais, hospitais, aeroportos e transportes de valores poderão vir a receber um subsídio de risco e passar a usar meios de defesa não letais em serviço. Esta é a proposta apresentada pelo CHEGA através de um projeto de lei que altera o regime jurídico da segurança privada e a legislação sobre armas e munições.
O Executivo contratou serviços de maquilhagem e cabeleireiro para garantir “qualidade de imagem” em conferências de imprensa. O contrato prevê a realização de 50 sessões ao longo de um ano, ao valor de 230 euros por sessão.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deu hoje posse ao novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, até agora diretor nacional da Polícia Judiciária, que substitui no cargo Maria Lúcia Amaral.
Milhões de portugueses vivem fora do país, mas poucos conseguem votar. Para o CHEGA, a solução passa por digitalizar o processo eleitoral: o partido apresentou um projeto de resolução que recomenda ao Governo a introdução do voto eletrónico nos círculos eleitorais da diáspora.