Ventura diz estar em curso tentativa de “desvirtuar resultado”

O presidente do Chega, André Ventura, alegou estar em curso uma tentativa para "desvirtuar o resultado" das eleições legislativas de 10 de março, que passa por "anular os votos" do seu partido.

© Folha Nacional

“Está em curso uma tentativa de desvirtuar o resultado destas eleições em Portugal, e nós temos de estar muito atentos a isso”, afirmou no seu discurso no final de um jantar/comício na Figueira da Foz, no distrito de Coimbra.

André Ventura disse ter relatos por parte de comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo de que existem boletins de voto que “não chegaram” ou “parece que só chegam a alguns e não chegam aos outros”.

“Pelos consulados, dominados pelo PS e PSD pelo mundo fora, ouvimos chegar notícias de tentativas verdadeiras de boicote ao voto”, disse, falando também em “vídeos que circulam permanentemente de pessoas a dizer que vão anular os votos do CHEGA e que vão condicionar os votos do CHEGA”, sem concretizar.

Face a estes “relatos preocupantes”, o líder do CHEGA considerou que este é “um problema particularmente importante” e pediu aos apoiantes que estejam “muito atentos a estas eleições”.

“Temos que ter olho aberto, não nos podem enganar nestas eleições”, salientou, justificando que isto acontece “agora que sabem que estes emigrantes, fartos de socialismo e social-democracia, querem uma mudança”.

“Estamos debaixo de ataque”, afirmou, repetindo a tática utilizada por líderes políticos, como Donald Trump ou Jair Bolsonaro.

Ventura disse também ter recebido “emails de pessoas que não conseguem votar, que não recebem indicações para votar”, e deu como exemplo o Consulado Geral de Portugal em Joanesburgo, que transmitiu através da rede social Facebook, que “quem quisesse votar tinha de se inscrever até dia 10 de janeiro”.

Nessa publicação de 06 de dezembro, consultada hoje pela Lusa, a cônsul-geral, Graça Araújo Fonseca, informa “todos os cidadãos nacionais portugueses e luso-descendentes recenseados no estrangeiro, que se pretenderem exercer o seu direito de voto presencialmente, devem manifestar essa intenção junto da comissão recenseadora da sua área de residência, no Consulado Geral de Portugal em Joanesburgo, antes de dia 10 de janeiro de 2024”.

É referido também que os eleitores que não votem presencialmente poderão fazê-lo por via postal.

De acordo com um comunicado da Comissão Nacional de Eleições (CNE), dia 10 de janeiro foi o dia estipulado para os recenseados no estrangeiro que quisessem votar presencialmente manifestarem essa intenção, caso não o tivessem feito já em eleição anterior para a Assembleia da República. A CNE reforçou também que quem não optasse pelo voto presencial iria receber a “documentação para exercer o seu direito de voto via postal”.

André Ventura disse querer ganhar as eleições e defendeu que “em democracia tem que se lutar com armas justas”, considerando que “esta campanha deixou de ser uma luta entre partidos, passou a ser luta de todos contra o CHEGA”.

Falando perante cerca de duas centenas de apoiantes, o presidente do CHEGA disse ainda que iria seguir o exemplo do Presidente da Argentina, Javier Milei, e “acabar com uma série de privilégios políticos”.

No seu discurso, o presidente do CHEGA referiu-se também à música que os Fado Bicha lançaram como repúdio ao CHEGA, denominada “Dar de Beber à Desventura”, e acusou esta dupla de artistas de personificarem um “espírito marxista subsidiodependente” e serem “tralha cultural”.

André Ventura comentou ainda as declarações do cabeça de lista do PS pelo Porto, Francisco Assis, que disse esperar que o primeiro-ministro cessante, António Costa, seja escolhido para presidente do Conselho Europeu, sucedendo no cargo ao belga Charles Michel.

O presidente do CHEGA considerou que Assis “tem uma certa tendência para adivinhar”, referindo que “já em 2011, quando José Sócrates caiu em desgraça, disse que ele tinha um grande prestígio europeu” e “veio a ser preso três anos depois”.

“Mostra bem como estes tipos acertam no juízo que fazem”, afirmou, indicando querer “distância desta gente” e, dirigindo-se ao secretário-geral do PS, disse que Pedro Nuno Santos esta “muito mal acompanhado”.

Últimas de Política Nacional

Um estudo aos 25 Governos Constitucionais revela que quatro em cada dez ministros assumiram pastas sem licenciatura ou pós-graduação relacionada com a tutela. Apenas 20,9% tinham especialização académica avançada na área que ficaram responsáveis por governar.
André Ventura deixou esta sexta-feira um desafio direto ao Partido Socialista: apoiar as propostas do CHEGA para baixar os impostos sobre os combustíveis e a aprovar o IVA Zero no cabaz alimentar. O líder do partido acusa o PS de “hipocrisia” e avisa que um chumbo deixará os socialistas sem argumentos depois das posições assumidas durante o verão.
Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.