Trabalhadores querem que INEM deixe de fazer transporte de utentes entre hospitais

A Comissão de Trabalhadores do INEM defendeu hoje que a refundação do instituto deve passar por deixar de fazer transporte secundário, como transferências de utentes entre hospitais, o que desvia meios do socorro urgente.

©INEM

Em declarações aos deputados da comissão parlamentar de saúde, onde a Comissão de Trabalhadores do INEM foi hoje ouvida, a pedido do Chega, Rui Gonçalves apontou ainda o transporte de grávidas e recém-nascidos, lembrando que este transporte secundário “não é o ‘core’ do INEM”.

“Não sabemos ao certo a que se refere a refundação do INEM de que tanto se tem falado”, disse o coordenador da Comissão de Trabalhadores, defendendo que o transporte secundário faz com que os meios fiquem ocupados com situações que não são urgentes, “enquanto vão entrando chamadas urgentes que precisam de meios”.

Lamentou que os meios do INEM e dos parceiros (bombeiros e Cruz Vermelha) tenham de ficar “horas à espera” nestas transferências e lembrou que, nalguns casos, também eles “têm de tirar senha e ficar à espera”.

“Se queremos referenciação pelo INEM ou pela Linha Saúde 24 temos de dizer às urgências que urgência e pré-hospitalar são complementares”, afirmou.

Questionado sobre as horas extraordinárias feitas pelos TEPH, disse que, até setembro, estes profissionais já tinham cumprido 28.000 horas extra, “sem contar com as horas acima do limite dos 60% ou 80% [consoante o caso] e que não são pagas”.

“Os trabalhadores têm constantemente assegurado serviços, sabendo que não vão receber e, por isso, é urgente que isto seja retificado. E a única solução é a contratação de novos profissionais”, defendeu.

Sobre o dia 04 de novembro, em que coincidiram as greves da função pública com a das horas extra dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, agravando ainda mais os atrasos na resposta de socorro, disse que “qualquer catástrofe e o acumular destas paralisações “pode ter impacto na atividade do CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes]”.

E sublinhou que o impacto foi maior “única e exclusivamente” devido ao “desinvestimento crónico”.

Questionado sobre o cumprimento ou não de serviços mínimos nesse dia, pediu serenidade e disse que cabe à Inspeção-Geral das atividades em Saúde e ao Ministério Público apurar as responsabilidades da consequência dos atrasos na resposta.

Além de sete inquéritos abertos pelo Ministério Público, as 11 mortes alegadamente provocadas por falhas no socorro por parte do INEM motivaram igualmente a abertura de um inquérito pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

O coordenador da comissão de trabalhadores do INEM disse ainda que o instituto tem assegurado o socorro pré-hospitalar, mesmo com constrangimentos, e que “não há necessidade de alterar este paradigma”, referindo-se à possibilidade de o instituto passar a deixar de prestar serviços, focando-se na coordenação e regulação.

“O INEM consegue colocar [junto do doente] meios diferenciados em tempo inferior à chegada do doente à urgência”, garantiu, pedindo mais articulação de meios entre centros hospitalares para “agilizar a transferência de doentes nos serviços de urgência”.

Sobre o concurso para contratar 200 TEPH, que está a decorrer, Rui Gonçalves disse acreditar que “vão ficar preenchidas todas as vagas”, mas lembrou que o número de candidatos para Lisboa está “abaixo das expectativas”.

“Em Lisboa continua a haver défice”, recordou, acrescentando que o preço da habitação nesta região do país desincentiva os trabalhadores de concorrerem.

Sobre a eventual existência de conflitos pelo facto de o INEM ser prestador e fiscalizador da formação prestada, disse que não vê aí qualquer problema, lembrando que a esmagadora maioria da formação é dada por entidades externas acreditadas pelo INEM.

Últimas do País

O presidente da Apropesca – Organização de Produtores da Pesca Artesanal apontou um “registro de impacto” do mau tempo no setor da pesca, com os pequenos barcos parados desde dezembro, e pediu ajudas diretas ao Governo.
Os suinicultores alertam para a “maior crise de sempre” no setor devido ao impacto causado pelo mau tempo, com metade das explorações nacionais afetadas e prejuízos estimados de “muitos milhões”, pedindo urgência nas ajudas para evitar um problema social.
O incidente voltou a suceder no mesmo local da semana passada, que continuou vedado, sem causar feridos.
No próximo ano letivo, 2026/2027, o ensino superior público contará com um total de 78.283 vagas, mais 1.465 do que no corrente, informou hoje o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI).
O distrito de Santarém está já com alerta reduzido no que respeita às cheias no Tejo, embora se mantenham zonas alagadas, estradas cortadas e "muitos milhões em prejuízos", disse hoje o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil.
Os proprietários de terrenos confinantes com a rede viária florestal em Vila de Rei têm até dia 01 de março, para remover o material lenhoso, de forma a garantir que a rede viária florestal fique desimpedida.
A Câmara de Portalegre informou hoje que já foi desativado o Plano Municipal de Emergência e de Proteção Civil, após um período de oito dias em vigência, na sequência do mau tempo.
A chuva vai manter-se em Portugal continental até quinta-feira, principalmente nas regiões do norte e centro, mas nada de muito gravoso, segundo a meteorologista Cristina Simões, adiantando que o próximo fim de semana já será de sol.
O presidente da Câmara de Soure, Rui Fernandes, garantiu hoje que a equipa municipal do ambiente está a “intensificar os trabalhos de limpeza” para que a normalidade volte ao centro histórico nos próximos dias.
O caudal do Sado em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, estabilizou-se no leito do rio, após vários dias de cheias, mas as autoridades continuam atentas às descargas das barragens, revelou hoje a Proteção Civil.