Associação das USF diz que anúncio de novas PPP na saúde é ‘blind date’

A associação das Unidades de Saúde Familiares diz que a decisão de avançar com Parcerias Público-Privadas (PPP) em cinco hospitais é uma espécie de 'blind date' (encontro às cegas), pois nunca houve PPP com cuidados de saúde primários.

© D.R.

“Espera-se um processo inicial confuso, onde a primeira medida passe apenas pela mudança da sigla de identificação e de seguida se tomem medidas avulsas infundadas”, afirma, em comunicado, a Associação Nacional das Unidades de Saúde familiares (USF-AN).

A posição da USF-AN surge depois de o Governo ter aprovado na semana passada, em Conselho de Ministros, o lançamento do processo de atribuição de PPP em cinco hospitais: Braga, Vila Franca de Xira, de Loures, Amadora-Sintra e Garcia de Orta (Almada-Seixal).

Na nota hoje divulgada, a associação das USF alerta para a nova organização do Serviço Nacional de Saúde, em Unidades Locais de Saúde (ULS), que integram hospitais e centros de saúde, e recorda: ”nunca houve uma PPP com CSP [Cuidados de Saúde Primários], que são bem mais complexos do que os cuidados hospitalares, com muito menos mapas e necessidade de adaptação constante a contextos variados e em permanente mutação”.

“Mesmo assim, os grupos de trabalho do Ministério da Saúde continuam a não incorporar elementos dos CSP”, lamenta.

A associação considera que ”é possível seguir as regras da gestão pública e ter resultados, pelo menos, semelhantes aos de entidades privadas” e questiona: “E otimizar as regras de gestão pública ou melhorar os recursos de gestão dos organismos públicos não seriam melhores opções?”.

Diz ainda que “os portugueses, utentes e profissionais de saúde, gostariam que tivesse havido mais clareza e transparência nas intenções nas ULS e, agora, nas PPP”, insistindo que o que sabe sobre as ULS “não confirma que é este o caminho para a integração, melhoria e eficiência dos cuidados de saúde”.

“Desejamos, agora, que não se cometa o mesmo erro e que a falta de evidência de vantagem das PPP previna a sua generalização na Saúde”, acrescenta.

Atualmente, o hospital de Cascais é o único que funciona em regime PPP, após a reversão para a esfera pública dos hospitais de Braga (janeiro de 2019), de Vila Franca de Xira (junho de 2021) e de Loures (janeiro de 2022).

Sobre as PPP que foram revertidas, lembra que “a maior parte terminou de forma súbita, num divórcio litigioso, por serem um negócio ruinoso para os parceiros privados, que não voltarão a cair numa igual”.

Na sexta-feira, depois do anúncio das PPP, os administradores hospitalares disseram que tal decisão levanta “muitas incertezas”, tendo em conta a atual organização do SNS.

“Há muitas incertezas e não sabemos exatamente como é que essa proposta vai ser construída porque o contexto é muito diferente daquele que tínhamos há 20 anos”, adiantou à Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).

Xavier Barreto perguntou ainda se a intenção do Governo é concessionar a gestão das ULS, ou seja, hospitais e centros de saúde, salientando que as atuais USF modelo B têm contratos que lhes garantem autonomia e incentivos aos seus profissionais.

Ainda no âmbito das PPP, o Governo avançou igualmente com o mecanismo de “comparador de preços” com o setor público para garantir que as futuras parcerias serão geridas com poupanças para os contribuintes.

Segundo um relatório do Tribunal de Contas (TdC), divulgado em maio de 2021, as poupanças estimadas da gestão clínica privada dos hospitais de Cascais, Braga, Vila Franca de Xira e Loures atingiram cerca de 203 milhões de euros.

O relatório considerou também relevante que, no futuro, a escolha entre a contratação pública tradicional e as PPP continue a ser fundamentada em análises custo-benefício para garantir a melhor aplicação dos dinheiros público, a satisfação de necessidades coletivas, em observância dos princípios da economia, da eficiência e da eficácia da despesa pública.

Últimas do País

Um incêndio que terá tido origem numa lareira consumiu hoje, totalmente, uma habitação em Vilarinho de Arcos, concelho de Montalegre, deixando desalojado um homem de 98 anos, revelou à Lusa fonte da GNR local.
As urnas na Cidade Universitária de Lisboa registaram uma participação de 17% até às 12h00, segundo o vice-presidente da Câmara Municipal, Gonçalo Reis.
Mais de 218 mil eleitores estão inscritos para votar este domingo antecipadamente nas eleições presidenciais do próximo domingo, podendo exercer o direito de voto no município escolhido.
O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) pagou 25,9 milhões de euros em horas extraordinárias, em dezembro, e as horas realizadas no primeiro período do atual ano letivo, abrangendo mais de 30 mil docentes, foi hoje anunciado.
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) afirmou hoje que as seis ambulâncias de emergência médica do Algarve estão todas paradas por falta de meios, pelo menos até às 16h00.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) apreendeu mais de 3.500 artigos e instaurou seis processos-crime numa fiscalização ao cumprimento das normas de comercialização de produtos alimentares com ‘cannabis sativa’.
A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) criou uma ‘task-force’ de quatro ambulâncias dos bombeiros da Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais para socorro pré-hospitalar este fim de semana, foi anunciado.
As urgências dos hospitais do país tinham, cerca das 09h30 de hoje, 443 doentes à espera de primeira observação, com tempos médios de quatro horas e 54 minutos para os urgentes e de 49 minutos para os muito urgentes.
Um bombeiro da corporação de Mira de Aire foi hoje agredido por um popular quando prestou socorro num acidente rodoviário no concelho de Porto de Mós (Leiria), afirmou o comandante.
Os internamentos em cuidados intensivos por gripe aumentaram na última semana, revela hoje o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), que registou neste período 1.340 casos da doença e um excesso de mortalidade por todas as causas.