Pingo Doce considera “injusta e imerecida” coima da AdC e vai impugnar em tribunal

© Facebook/pingodoce

O Pingo Doce anunciou hoje que vai impugnar em tribunal a decisão da Autoridade da Concorrência (AdC) de lhe aplicar uma coima por participação num esquema de fixação de preços, considerando-a “injusta e imerecida”.

A AdC anunciou na quarta-feira que multou em 16,9 milhões de euros a Auchan, Modelo Continente, Pingo Doce e o fornecedor de produtos de beleza, cosmética e higiene pessoal JNTL Consumer Health, por participação num esquema de fixação de preços.

“O Pingo Doce recebeu da Autoridade da Concorrência mais uma decisão de aplicação de coima, no enquadramento das anteriores. Também esta decisão é injusta e imerecida e, por isso, à semelhança das anteriores, será impugnada nos tribunais a fim de ser reposta a verdade dos factos”, disse à Lusa fonte oficial da cadeia de retalho do grupo Jerónimo Martins.

Num comunicado, divulgado na quarta-feira, a AdC indicou que “aplicou coimas a três cadeias de supermercados – Auchan, Modelo Continente e Pingo Doce –, bem como ao fornecedor comum de produtos de beleza, cosmética e higiene pessoal, JNTL Consumer Health Portugal, por terem participado num esquema de fixação de preços de venda ao consumidor (PVP) dos produtos daquele fornecedor”.

Assim, “a investigação conduzida pela AdC permitiu constatar que as empresas de distribuição participantes adotaram comportamentos com o objetivo de concertar os preços de retalho nos seus supermercados, suavizando a concorrência, mediante contactos estabelecidos através do fornecedor comum, sem necessidade de comunicarem diretamente entre si”, referiu.

Segundo a entidade, “trata-se de conspiração equivalente a um cartel, conhecido na terminologia do direito da concorrência como ‘hub-and-spoke'”, que “elimina a concorrência, privando os consumidores da opção de melhores preços, mas assegurando melhores níveis de rentabilidade para toda a cadeia de distribuição, incluindo fornecedor e cadeias de supermercados”.

A AdC recordou que, em 15 de março de 2022, adotou a nota de ilicitude, ou acusação, neste caso, “tendo dado posteriormente a oportunidade a todas as empresas de exercerem os seus direitos de audição e defesa, o que foi devidamente considerado na decisão final”.

O regulador “determinou que a prática durou mais de quinze anos – entre 2001 e 2016 – e visou vários produtos do fornecedor das áreas de cosmética e higiene pessoal, tais como, tampões, champôs, pensos absorventes e antissépticos bucais de uso diário”.

Assim, a AdC aplicou uma coima total de 16,9 milhões de euros, distribuída pelas empresas, sendo que a multa mais elevada cabe à Modelo Continente, com 7,65 milhões de euros.

À JNTL Consumer Health Portugal, a AdC aplicou uma coima de 4,44 milhões de euros e ao Pingo Doce de 3,33 milhões de euros. Por fim, a Concorrência multou a Auchan em 1,48 milhões de euros.

Últimas de Economia

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) já recebeu indicações de prejuízos da ordem dos 130 milhões de euros, mas alerta que ainda não é possível “falar em números concretos”.
Todas as cidades das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, assim como da região do Algarve, tornaram-se "inacessíveis" para uma família de rendimento médio que queira arrendar casa pela primeira vez, conclui um estudo da Century 21.
O dinheiro colocado pelos clientes particulares em depósitos atingiu 144,3 mil milhões de euros em 2025, o valor máximo desde 2003, o início da série, segundo os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal.
Os bancos emprestaram 23,3 mil milhões de euros em crédito à habitação em 2025, mais 5.900 milhões de euros do que em 2024 e o valor mais elevado desde 2014 (o início da série), segundo o Banco de Portugal.
Cerca de 116 mil clientes da E-Redes continuavam esta terça-feira às 12:00 sem fornecimento de eletricidade em Portugal continental, na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin na rede elétrica, informou a empresa.
O presidente da estrutura de missão para responder aos efeitos da depressão Kristin afirmou hoje que a plataforma para pedir apoios para a reconstrução das casas afetadas deverá ficar disponível online entre hoje e quarta-feira.
O mês de janeiro de 2026 teve o maior consumo de energia elétrica de sempre registado no sistema nacional, segundo avançou hoje a REN - Redes Energéticas Nacionais.
O preço mediano dos 41.117 alojamentos familiares transacionados no terceiro trimestre de 2025 foi de 2.111 euros por metro quadrado, mais 16,1% que no mesmo período de 2024 e 2,2% acima do trimestre anterior, divulgou hoje o INE.
O Estado anunciou ajuda, mas o dinheiro não chegou a quem precisava. Em 2025, 1,2 milhões de euros destinados à botija de gás ficaram por gastar, apesar do aumento do preço e do recorde de beneficiários. Um apoio que existe no papel, mas falha na vida real.
Os pagamentos em atraso das entidades públicas fixaram-se em 332,3 milhões de euros em 2025, com um aumento de 37,4 milhões de euros face ao ano anterior, foi anunciado.